Brasília, quinta-feira, 04 de abril de 2002
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Sociedade deficiente do caráter

Paulo Roberto Guimarães Moreira (*)
Asa Norte


 
A sociedade, não no seu todo, mas a sociedade deficiente do caráter, acha que pode usar as vagas que a lei destina aos portadores de deficiência. Essas vagas só estão disponíveis quando os estacionamentos estão vazios! Eu preferia antes, quando não havia vaga privativa, pois não ficava com raiva como fico hoje. E o pior do deficiente do caráter é que ele não sabe que o é. É também cego da pior das cegueiras: a cegueira interior. Já notou como somos bonzinhos? Nós somos tão bonzinhos! Temos que conviver com pessoas cheias de defeitos. Que coisa desagradável! Preconceituosos são os outros. Quem está errado é sempre o outro. Puxa-sacos são os outros. Inveja, eu?! Isso eu definitivamente não tenho. E por aí vai. Poderia escrever aqui todos os defeitos emocionais, mentais ou de caráter que existem que o cego da cegueira interior diria que não tem.

  Já fui socialista-materialista-marxista. Hoje tenho certeza que a violência do capitalismo continuaria com um socialismo materialista. Marx criou uma teoria altruísta para homens egoístas — não funcionou; e não funcionará se não deixar de ser materialista. Já imaginou: a partir de agora todos deixam de ser egoístas e vão distribuir a renda e respeitar os outros por decreto! ‘‘Senão eu prendo e arrebento’’. Não, meus caros, o respeito ao outro só acontecerá, de fato, quando deixarmos de ser egoístas. E essa mudança é, principalmente, individual. Quando você muda, o mundo muda, holisticamente. Por cima do secular discurso violento de que somos iguais, a realidade mostra que somos muito diferentes. Estamos em estágios de evolução que mostram um abismo entre muitos de nós. Há homens que são piores que os animais, há homens que se assemelham a deuses.

  Fiquei sabendo que estão entrando com recursos em concursos públicos onde há reserva de mercado para os portadores de deficiência com base na Constituição, que diz que todos são iguais perante a lei. Todos somos, essencialmente, membros da mesma unidade e somos particular e singularmente diferentes. É a lei milenar oriental da unidade na diversidade. Enquanto isso, somos todos iguais, só que uns são mais iguais que outros! E na hipocrisia, os negros continuarão a ser massacrados, mas eu não sou racista! Os velhos, humilhados, mas eu gosto tanto de um velhinho, gosto até de ir ao asilo visitá-los! Os pobres presos nos depósitos de pobres, mas eu trato todo mundo de igual para igual, sou fenomenal!

Paulo Roberto Guimarães Moreira, paraplégico, é economista e mestre em Filosofia pela PUC-Rio, doutorando em Psicologia Social pela PUC-SP e terapeuta dos florais de Bach.


Cerco

Rodrigo Silva
Lago Sul

É muito comum vermos caminhões vendendo abacaxis estacionados nos acostamentos do Lago Sul. É um absurdo — a qualquer momento poderemos assistir a um acidente sério. Será que o Detran vai continuar deixando essa situação irregular permanecer? Outra questão muito importante: no Lago Sul, vários moradores estão fechando suas quadras. Sou morador da QL 12, mas sou totalmente contrário ao fechamento da quadra, mas já há um grupo de moradores envolvidos no processo de seu fechamento. Essa atitude está desconfigurando nossa cidade. Os lagos Sul e Norte pertencem a todos os cidadãos; logo, seus moradores não podem fechar os acessos. Na QL 12, nos finais de semana aparecem vários brasilienses que animam a prainha ali existente.


Engodo

Fernando Sampaio Lopes
Cruzeiro

Os assinantes de Quem e Época continuam aguardando pronunciamento da Editora Globo sobre as passagens prometidas para quem assinasse essas revistas. Não foi a Transbrasil que prometeu, e sim a editora. Que ela se comprometa a fornecer as ditas passagens por outra companhia aérea, é o que esperamos. Nós, brasileiros, merecemos um pouco de respeito!



Faixas

Leonisio José David Ribeiro
Condomínio Villa do Sol

A utilização da faixa de pedestres parece uma coisa simples, mas não é. Sou motorista, mas também, às vezes, pedestre. Conheço os dois lados da situação. Quando estou motorista e vejo um pedestre se aproximando, dependendo do fluxo de veículos, já um calafrio me assoma... Olho pelo retrovisor para ver a velocidade dos carros que vêm atrás e ao lado... vou tentando parar aos poucos... coloco o braço para fora, sinalizando para o carro do lado. Um sufoco! No caso de uma colisão (já vi várias), o pedestre sai tranqüilamente, talvez pensando: ‘‘Eu não tenho culpa nenhuma, quem mandou não prestar atenção!’’.

  Quando estou pedestre, me preocupo com o lado do motorista, observo o movimento dos veículos e, antes de chegar na faixa já vou sinalizando e caminhando devagar, verifico se os carros realmente pararam (todas as faixas) e atravesso o mais rápido possível, agradecendo com um sinal de positivo. Na verdade, só uso faixa de pedestre em último caso. Na maioria das vezes, sigo aquele velho ensinamento de, com bastante atenção, atravessar fora da faixa, acho mais seguro. Tenho consciência de que estou errado. Mas sei que a relação de colisão automóvel-ser humano é totalmente favorável ao automóvel. Afinal, é mais de uma tonelada de aço, em velocidade, contra um frágil corpo de carne e ossos. A propósito:

1) acho que o poder público não tem como e não deve colocar um guarda de trânsito em cada faixa de pedestre da cidade (em algumas é possível e imprescindível);

2) Brasília tem coisas muito, muito mais importantes para propagar que a faixa de pedestres ou um código de trânsito de primeiro mundo, tais como: dar o exemplo para acabar com a corrupção; mostrar melhor assistência hospitalar, de habitação, educação etc aos pobres; protestar em logradouros públicos e mídia contra a bandalheira dos governos FHC e Roriz etc.


 
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