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Encontrar um endereço no setor de mansões Park Way pode virar um drama para aqueles que não conhecem a região. São mais de 49 km2 de área, divididos em 29 quadras que não seguem um ordenamento crescente. Por esse motivo, a população se encarregou em titular uma nova divisão, que classifica a área de acordo com a região mais próxima. Informalmente surgiram o Park Way do Aeroporto, Park Way de Taguatinga, Park Way do Catetinho... A procura se complica porque os endereços têm conjunto e lote.
O setor faz parte da Região Administrativa do Núcleo Bandeirante e ocupa espaço maior que a daquela cidade — cerca de 60% da área de atuação da R.A.. A dificuldade para se localizar está na numeração das quadras. A divisão não segue uma seqüência linear, como acontece na Asa Sul, onde foi obedecida ordem crescente a partir do eixo central. A Quadra 17 do Park Way, por exemplo, se estende até as proximidades do Catetinho, por trás das quadras 28 e 29. A desordem, somada à falta de sinalização eficiente, faz com que visitantes e até os próprios moradores se percam.
O administrador do Núcleo Bandeirante, José Ronaldo Persiano, admite que o projeto do Park Way é confuso. ‘‘Não há como se localizar sem um mapa’’, afirmou. A desorganização foi causada pela forma de expansão das quadras, que receberam numeração à medida em que foram demarcadas.
Confiar na informação dos moradores também não é uma boa estratégia. Afinal, são apenas 15 mil habitantes espalhados por todo o território do Park Way (cerca de um habitante a cada 3,2 km2). O motorista Wagner Guimarães, 32 anos, rodou cerca de dez minutos até encontrar alguém para resgatá-lo do labirinto. Ele buscava informações sobre a quadra 17, uma das mais complexas do Park Way, onde deveria entregar um documento no local. ‘‘A sinalização existe, mas não é eficiente’’, constatou. Guimarães só conseguiu encontrar o endereço depois de ser orientado por um caseiro.
Mas nem sempre isso acontece. A comerciante Elizete Batista Diniz, 34, ainda se confunde com os endereços das quadras, mesmo conhecendo o local de perto. Ela tem um bar na divisa entre a colônia agrícola Vargem Bonita, onde mora há mais de dez anos, e o Park Way. Além de ponto de referência, o estabelecimento serve como posto de informação para os motoristas. ‘‘Muitas vezes não sabemos precisar a quadra e o motorista acaba desistindo de encontrar o endereço’’, lembrou.
Reclamações
A ouvidoria da administração recebe, a cada mês, uma média de 15 reclamações sobre problemas para se localizar na região. O número corresponde a quase 8% de todas as chamadas ao serviço — valor considerado como alto, já que o serviço também registra as reclamações referentes ao Núcleo Bandeirante. Por esse motivo, o Grupo de Ordenamento Territorial da R.A. resolveu elaborar um novo projeto de sinalização para ser instalado no setor.
Devem ser confeccionadas 14 placas de 0,5m por 0,5m, indicando apenas a direção das quadras de acesso mais complicado. A sinalização atual, na qual também são informados os números de conjuntos, não seria substituída. ‘‘As pessoas sentem falta de placas mais limpas, que indiquem com objetividade sobre as quadras que vêm a seguir’’, explicou o chefe do grupo, Luiz Alberto de Oliveira.
Não há prazo para que o novo sistema seja instalado. Segundo a administração, o projeto deveria ser custeado pela Divisão de Serviços Públicos, mas o departamento nega ter recursos para a instalação. Como alternativa, está sendo estudada uma parceria entre o governo e a iniciativa privada. No acordo, que já foi aplicado em alguns pontos da cidade, uma empresa de publicidade instala as placas, com os padrões determinados pela administração, e fica responsável pela manutenção. Em troca, a empresa ganha o direito de explorar anúncios publicitários vinculados no mesmo poste.