Brasília, sexta-feira, 05 de abril de 2002
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Desaponte

Samara Madureira Brito
Núcleo Bandeirante

Contesto a terceira ponte. Como pode o povo aprovar que Brasília seja referência internacional em termos de transporte urbano? Uma capital evoluída não é aquela formada por somente parâmetros econômicos, mas sim aquela em que a saúde, a educação e a renda contribuem para um bom desenvolvimento social.

  Sem a educação, de que servirão estradas, pontes e viadutos ‘‘inteligentes’’? Sem saúde, onde estará a população? Sem renda, como os carros serão comprados, para que inaugurem as mesmas? E não é só isso. Imagine quantos milhões de reais estão sendo retirados da educação, da segurança, da saúde, e agora do saneamento básico?

  A ponte pode ser um alívio para moradores do Lago Sul e da Asa Sul, mas não é alívio para famílias carentes, pessoas desempregadas, crianças doentes, passando fome, sem moradia, e principalmente, sem educação, o que corresponde à maioria da população. O nosso futuro não está garantido. Nós devemos fazê-lo hoje, para que sejamos de fato referência mundial de qualidade de vida.


Privatização da escola pública

Adilson César de Araujo
Taguatinga

Tem ocorrido na educação brasileira a privatização do pensamento pedagógico. Nesse sentido, os ideólogos dessa corrente difundem na sociedade a satanização do que é público e a glorificação do privado. Que o público é inoperante e não presta; já o privado é bom e eficiente. Nesse contexto entendemos o uso do Código do Consumidor na tentativa de barrar judicialmente a greve dos professores: o aluno passa a ser visto como cliente, e não como usuário de um direito. Ou seja, um consumidor que compra pacotes de conhecimentos. A educação é retirada com campo dos direitos e é vista como mercadoria.

  A ideologia privatista reduz o papel da escola a um espaço de desenvolvimento de habilidades e competências para os indivíduos atuarem no mercado. Não satisfeitos com essa face reducionista e empobrecedora, querem que a escola agora funcione como uma empresa, desconsiderando que os objetivos de ambas são completamente diferentes.

  A escola visa a construção histórica do ser humano; a empresa o lucro imediato. Os privatistas desprezam outras dimensões importantes do ato educativo, como o compromisso com a solidariedade humana, a difusão do patrimônio cultural da humanidade e a importância da construção de seres autônomos e livres para o processo democrático.

  Esses apologistas do mercado insistem em desqualificar o professor para amenizar a resistência à privatização por dentro da escola que eles estão implementando. Assim, fazem reformas educacionais sem ouvir o agente do processo educativo, que somos nós.

  Dizem que não estamos preparados para o ato educativo, precisamos nos ‘‘reciclar’’. É lógico que a formação permanente e centrada na escola é importante, mas não agüentamos mais a intromissão e intervenção nos nossos trabalhos. Não queremos ser tutelados por especialistas que não entendem a escola e querem que ela se adapte à teoria formulada nos gabinetes refrigerados e distantes do contexto escolar.

  Aliado a tudo isso, os privatistas pregam a retirada do Estado como responsável pela educação, incentivando programas de voluntariado e parcerias nas regiões onde se mais necessita dos recursos do Estado, jogando a escola à própria sorte. Há uma deturpação do termo ‘‘voluntariado’’. Propagam uma imagem de que a prática educativa não é feita por profissionais preparados, competentes e compromissados com a escola pública, mas por pessoas facilmente substituíveis.

  Basta ter um bom coração e ser um ‘‘amigo da escola’’ para fazer o que o educador faz. Tudo isso explica, portanto, os ataques e desrespeito sofridos pelos professores. Essa onda de ataques simboliza uma ameaça à existência da escola como espaço público. A escola pública é fundamental para a construção da cidadania e para o fortalecimento democrático. Não devemos compactuar com a concepção estreita e privatista hoje hegemônica no Brasil e no DF. Aqui, por exemplo, os ataques são tão ferrenhos, que além dos professores não serem ouvidos, o GDF reduz o educador a um ‘‘crecheiro distribuidor de lanche’’. Não queremos uma escola como custódia de crianças e adolescentes. Não suportamos salas de aula abarrotadas de alunos, porque isso compromete a educação de qualidade. Escola não é depósito de gente!

  Queremos ser ouvidos e respeitados. Não admitimos a condição de objeto, somos sujeitos. Somos educadores e temos a responsabilidade de ajudar a construir um mundo melhor.


Vizinhos lacustres

Natanry Ludovico Osorio
Lago Sul

Sou presidente da União dos Amigos do Lago Sul e comento a matéria do Correio Braziliense sobre condomínios: ‘‘Vizinho Pobre é Rejeitado’’. Acreditamos que na questão dos condomínios não se trata de ser pobre ou rico, feio ou bonito e menos ainda de uma ‘‘discórdia’’. Poderia tratar-se, isso sim, de uma desqualificação tanto dos dignos e respeitáveis moradores de São Sebastião quanto dos moradores do Lago Sul, quando ambas as comunidades forem desconsideradas, ao não sermos ouvidos sobre a intenção ora em discussão.

  Quanto à questão geográfica, claro está que as áreas propostas para serem anexadas ao Lago Sul estão em sua maioria localizadas fora da bacia do Lago Paranoá, ou seja, em condição física completamente distinta do Lago Sul. Os loteamentos de São Sebastião estão localizados na bacia do rio São Bartolomeu; portanto, em termos de localização, jamais serão Lago Sul.

  O sistema de denominação adotado em Brasília tem a sua razão, pois cada localidade tem as suas características físicas e ambientais particulares, o que facilita a Administração. Neste caso, as características do Lago Sul-Bacia do Paranoá e São Sebastião-Bacia do São Bartolomeu são completamente distintas.

  Foi previsto o Lago São Bartolomeu. Os moradores dos condomínios de São Sebastião têm direito à sua autonomia, com supermercados, shoppings, cinemas, hospitais, equipamentos comunitários próprios. Enfim, conforto e projeção, independente de pertencerem ao Lago Sul. Não seria o caso de ser viabilizado o Lago São Bartolomeu, atendendo a demanda dos moradores locais e mantendo a coerência da nomenclatura dos bairros de Brasília? O administrador de São Sebastião em algum momento foi ouvido?


Segredo

José Maria de Sousa
Taguatinga

O segredo para se ganhar uma eleição não são as boas propostas, mas a desmoralização do rival... Dá-lhe, arapongas!


Charge - Marcelo Campos

Leitor da Asa Sul



 
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