Mulher de quadril largo, bumbum empinado, cintura de pilão e coxa grossa sofre. E como sofre! Não adianta os homens ficarem com torcicolo de tanto virar o pescoço para vê-las passar. Nem os comentários das ‘‘amigas-tábuas’’, que dariam a vida para ter um corpo parecido. A verdade é que o mundo não foi feito para esse tipo de mulher. Pelo menos na opinião dos donos de lojas.
Parece que as fábricas brasileiras fazem roupas para beldades inglesas ou norte-americanas. O corte das peças é quase reto, feito para pessoas magras e com cintura proporcional ao quadril. Quem tem um pouquinho mais de ‘‘retaguarda’’ não encontra nada que caia como uma luva no corpo. E têm de tomar uma destas quatro decisões: 1) Comprar uma roupa dois números maior e depois mandar apertar na cintura; 2) Comprar um modelo que deixe o quadril apertado a ponto de explodir; 3) Mandar fazer roupas na costureira (o que dá um trabalhão); 4) Não comprar nada e andar pelada pela rua. Para tristeza da ala masculina, ninguém opta pelo número 4.
O Correio comprovou a tese de que mulher com corpo de violão não encontra roupa. Convidamos uma jovem com o padrão de beleza brasileira. A estudante Polyanna Macoski, 20 anos, tem 1,7m, 60kg, 100cm de quadril e 68cm de cintura. Um avião de tirar o fôlego de muito marmanjo. Loja após loja, é a mesma coisa.
— Qual o seu número?, perguntam as vendedoras
— Depende. Varia de 38 a 44, conforme a forma.
Achar uma calça que vestisse 100% bem é missão impossível. As que ficam boas na cintura são número 40. Mas apertam demais o quadril. Era preciso experimentar um número maior. Aí sobrava pano na cintura. Na hora de sentar, isso fica visível. ‘‘Isso acontece muito’’, admite Simone de Souza, vendedora da loja Cache. ‘‘A gente até tem uns modelos mais folgadinhos que caem bem para quem tem coxa grossa. Mas geralmente tem de apertar na cintura’’. E isso em qualquer lugar. Nas lojas de grifes famosas é ainda pior. Elas só fazem calças e saias até o número 44. Mas é um 44 superpequeno. Principalmente nas coxas. De uns tempos para cá, apareceram as pantalonas (folgadas na coxa). O problema é que engordam pra caramba. Só é bom para as magrinhas.
O sofrimento do biquíni
Arrumar uma roupa de banho é um problema à parte. Em bumbums avantajados, a tendência é da parte de baixo enrolar para dentro. ‘‘Era um saco, por isso apelei e comprei logo um fio-dental’’, afirma Polyanna, que mora na Asa Sul. A maioria de suas colegas popozudas não poderia fazer o mesmo. Afinal, a força da gravidade é implacável. E ela atua justamente nas partes do corpo em que há mais carne. Por isso, uma Gisele Bunchen da vida tem mais facilidade em manter o corpo em forma do que uma Cláudia Raia. Polyanna sabe bem disso. Por isso, passa pelo menos duas horas na academia. Faz spinning, musculação e ginástica. ‘‘Se eu não me cuidar, cai tudo’’, diverte-se.
Outro detalhe importante. O drama do biquíni não é exclusivo da parte de baixo do corpo das brasileiras. Em geral, as mulheres com corpo de violão têm pouco seio. Resultado: a parte debaixo tem de ser tamanho grande. A de cima, no máximo, é média. Cientes do problema, algumas lojas vendem peças avulsas, em tamanhos diferentes. Mas, geralmente, não têm estampa e os modelos são para lá de conservadores.
Depois de tanta ralação para se produzir, as mulheronas ainda são obrigadas a ouvir piadas. ‘‘Será que não tinha uma roupa do seu tamanho’’, perguntam os desavisados. ‘‘O defunto era maior’’, debocham os engraçadinhos. Dá vontade de bater. Por isso, se você é magrinha, pense duas vezes antes de invejar o ‘‘derrié’’ da sua amiga. Nem tudo é fácil para quem é popozuda.