Brasília, segunda-feira, 06 de maio de 2002
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Professores de cursinhos e colégios de ensino médio de Brasília comentam o que mais costuma cair nas provas de vestibular da UnB

  Saber o que cai nas provas do vestibular da Universidade de Brasília (UnB) é um verdadeiro exercício de adivinhação. O professor Marcello Laneaux, do Colégio Galois, lembra que anos atrás costumava participar de programas de rádio para dar dicas aos vestibulandos. ‘‘Agora seria um mero ato de quiromancia’’, brinca, ao mostrar que o exame da UnB evoluiu muito nos últimos anos. ‘‘Eram provas descritivas, recheadas de peguinhas, de conhecimentos sem nenhuma contextualização’’.
  Tema de Redação nem se fala. Não há possibilidade de o candidato preparar previamente um texto. ‘‘Em geral, são temas amplos, de conhecimento’’, explica o professor José Natal Barbosa, da coordenação acadêmica do Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe).
  Nos últimos vestibulares, por exemplo, os seguintes temas já foram abordados: Comunicação interpessoal; A necessidade de entender e de ser entendido (1º vestibular/99); Saúde: uma questão de qualidade de vida (2º vestibular/2000); É impossível viver sem energia (1º vestibular/2001); Lições do passado orientam a transformação do mundo (2º vestibular/2001); Justiça social resulta do equilíbrio entre os interesses individuais e as necessidades coletivas (1º vestibular/2002). ‘‘São assuntos da atualidade, mas com uma abordagem ampla. É exigido do estudante um certo posicionamento’’, esclarece Vital.
  A vantagem é que toda prova de Português tem um aspecto temático que engloba as questões objetivas e a Redação. São textos que levam o candidato a se familiarizar com o tema durante a prova, o que facilita a estruturação das idéias.


Algumas disciplinas

Biologia

‘‘Os grandes temas da atualidade são sempre merecedores de algum destaque. A bioengenharia, o clima global, as epidemias, as extinções, o cerrado e as drogas. Mas o vestibulando não pode esquecer de estudar outros pontos clássicos da Biologia, como a Citologia, a Zoologia e Fisiologia Humana. Muitas questões são interpretativas e o bom senso será suficiente para que acerte duas, talvez três questões’’
Marcello Laneaux, Colégio Galois

  
Português

‘‘Analisando o programa de Língua Portuguesa da UnB, verifica-se que há uma acentuada preocupação em aferir a capacidade de o aluno analisar, interpretar e produzir o texto — literário ou não. A banca examinadora tem dado ênfase à interpretação, relegando a um segundo plano o conhecimento sobre autores e obras. Sua preocupação maior centra-se na capacidade de compreensão e análise de estruturas lingüísticas — literárias ou não — e suas relações com os aspectos da vida moderna. As questões são sempre contextualizadas: surgem em função de um texto presente na prova. Nas questões sobre Literatura e interpretação de textos, o candidato deve se ater aos estilos de época, estilo pessoal do autor e obras mais representativas de cada período, principalmente o Romantismo. Além disso, ter em mente os elementos da narrativa literária: tempo (cronológico, psicológico, flash-forward e flash-back); espaço (físico ou psicológico), personagem (protagonista, antagonista, secundário, esférico, plano, tipo), tipos de narrador (observador, onisciente, participante); focos narrativos (1ªpessoa, 3ªpessoa); tipos de discursos (direto, indireto, indireto livre), figuras de linguagem (figuras de palavras, de pensamento, de construção e funções da linguagem). Ler Machado de Assis, Manuel Bandeira, Cecília Meireles, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Euclides da Cunha será, certamente, uma atitude positiva e proveitosa’’
Honneu Moção, do Colégio Ícone
  

Gramática

‘‘É a parte da prova de Português que demanda um maior poder de memorização da nomenclatura. Contudo, é visível nos últimos vestibulares o interesse em explorar os aspectos gramaticais nas questões específicas, em situações aplicadas à prática lingüística. Por exemplo, no lugar de perguntar: ‘tal período contém uma oração subordinada adverbial causal’, o examinador tem preferido perguntar: ‘Há relação de causalidade entre os dois segmentos?’. O candidato atento perceberá, com facilidade, a orientação da pergunta. Em tempo: atenção redobrada para as funções morfossintáticas das partículas que, me, te, se, lhe, o, a, nos, vos e para a grafia do porquê e para o valor semântico dos elementos de transição (conjunções, preposições etc)’’

Honneu Moção, do Colégio Ícone
 
 
Geografia

‘‘A prova de Geografia não costuma ser muito profunda, complexa ou trabalhosa. É muito diversificada quanto aos temas, incluindo não só novas temáticas como também abordagens e teorias sobre temas tradicionais que podem surpreender alguns candidatos vindos de escolas e cursos pré-vestibulares que não acompanham a renovação do pensamento geográfico. É um teste atualizado, razoavelmente crítico e que contempla a interdisciplinaridade (faz relação com outras disciplinas). Globalização e seu significado, geopolítica da água, geografia das novas tecnologias, geografia cultural e as aplicações do sistema de informação geográfica (SIG). Quanto às novas abordagens poderíamos citar a teoria da diversidade cultural, conceitos de Milton Santos, as novas teorias migratórias e as concepções sistêmicas sobre o meio físico. Por último, vale a pena notar e elogiar o aumento de questões sobre os problemas do espaço brasileiro’’
Telmo Armand Ribeiro, Colégio Galois

  
Química

‘‘A banca examinadora procura relacionar diversos ramos das ciências naturais, sempre enquadrando fatos curiosos e ligados ao cotidiano do candidato. Antigamente, os problemas eram mais diretos, com enunciados curtos em que praticamente não se exigia interpretação por parte do aluno. Os programas de Química do vestibular tradicional e do Programa de Avaliação Seriada (PAS) foram uniformizados e, em decorrência, diversos tópicos foram relegados. Hoje, por exemplo, cobra-se muito pouco de Química Orgânica. A parte quantitativa de eletroquímica foi praticamente esquecida. Por outro lado, alguns conteúdos estão sempre em evidência: estequiometria, gases, soluções e termoquímica em questões tipo B. A tabela periódica e ligações químicas são assuntos cobrados em questões tipo A. Em média, pode-se constatar que a prova, em termos de tópicos, é composta por 40% a 45% de Física Química e 10% a 20% de Química Orgânica. Um candidato que concluiu o ensino médio no Distrito Federal e que pretende prestar vestibular fora de Brasília, principalmente em Goiânia, Belo Horizonte e São Paulo, certamente, terá dificuldades no exame de Química. É necessário uma boa dose de isometria óptica, reações orgânicas e noções gerais de laboratório’’
Equipe de Química do Colégio Galois (Euclides Chacon, Carvalho, Alex Fabiano, Alexandre, Ronaldo e Augusto

  
Matemática

‘‘A prova de Matemática da UnB tem sido abrangente, bem elaborada, com questões contextualizadas envolvendo assuntos do cotidiano. As 15 questões contemplam o conteúdo do ensino médio. É claro que um ou outro conteúdo pode não ser cobrado. Dois detalhes devem ser considerados. Primeiro, há um grau de dificuldade. As primeiras questões são mais fáceis e o nível de dificuldade vai aumentando no decorrer da prova. Segundo, as duas primeiras questões têm cobrado sistema lineares e grandezas proporcionais, com destaque para cálculos em porcentagem. Destacam-se ainda sólidos de revolução em geometria espacial e triângulos e quadriláteros em geometria plana. Deve-se levar em conta o plano de Argand-Gauss em números complexos e probabilidades no estudo de análise combinatória. O candidato deve também se preocupar com outras seqüências além de P.A e P.G, como a de Fibonacci. No conteúdo de funções, o aluno deve verificar exponenciais e logarítmos, observando máximos e mínimos na função quadrática e relação entre raízes e coeficientes nas equações algébricas.
Angel Prieto, Colégio Galois
  

História

‘‘É um exame que exige muita capacidade interpretativa e conceitual dos candidatos. O exame será totalmente contextualizado, com textos atuais e bem claros, que fornecem uma ampla visão do tema abordado. Em cada questão é possível, muitas vezes, encontrar respostas no próprio texto. Daí a necessidade de o candidato possuir a capacidade de ler e interpretar, além de alguns conhecimentos históricos. Além disso, o candidato deve estar preparado para uma questão tipo B, como ocorreu no último exame, em que se exigia apenas a capacidade de cálculo. Portanto, é possível que no próximo vestibular, o candidato se depare com a leitura e a interpretação de gráficos e tabelas. A utilização de charges também é uma inovação no vestibular, exigindo a capacidade de interpretar o momento histórico a partir de um desenho e de um texto explicativo. Com relação aos temas mais importantes, destacamos a incidência de uma questão conceitual sobre a importância e o significado da História no mundo contemporâneo, e as suas relações com as demais ciências. Questões temáticas que abrangem diversos períodos também devem ser consideradas, pois se enquadram na visão da historiografia moderna, que é valorizar o cotidiano. Assim, temas como trabalho, terra, conflitos sociais, organização política, Igreja e cultura devem ser uma constante. Alguns assuntos episódicos devem ser destacados, como a civilização greco-romana, Idade Média, a colonização atlântica no século XVI e a asiática, no século XIX, Era Vargas, governo militarista do Brasil e a Nova República. Além disso, não se pode desprezar a Era das Revoluções — do século XX — e as Guerras Mundial. Finalizando, é importante para a prova de História que o candidato tenha conhecimentos de atualidade. Daí a necessidade de leitura de jornais ou revistas.
Hernani Maia Costa e Sinval Ramires Fernandes, do Colégio Dromos

 
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