esporte
Alegria em contar histórias
Chato para alguns, divertido para outros, Régis Rosing passou um mês entre Japão e Coréia antes de viajar para cobrir a Copa do Mundo
André Bernardo
TV Press
| Luiza Dantas/Carta Z |
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Régis considera a cobertura da Copa o ápice da carreira na sua área
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Régis Rösing nunca entendeu direito porque a ala feminina de sua família sempre saía da sala quando o telejornal começava a dar as notícias esportivas. Na maioria das vezes, elas preferiam retomar o tricô a aturar o futebolês dos repórteres. Na tentativa de agradar não só os marmanjos, mas a família inteira, Régis resolveu pautar suas matérias pela descontração e bom humor. Seu indefectível bordão ‘‘Alegria, alegria!’’ já cruzou as fronteiras do Brasil e chegou a lugares distantes como França, Líbano e Japão.
Na próxima terça-feira, ele embarca para a Coréia do Sul a fim de acompanhar a seleção brasileira na Copa do Mundo de 2002. ‘‘O segredo do meu trabalho é ter prazer no dever. Não importa se estou cobrindo um futsal em Campo Grande ou a Copa do Mundo. A alegria em contar histórias é a mesma’’, assegura.
E contar histórias é o que esse gaúcho de Cachoeira do Sul, a 350 km de Porto Alegre, sabe fazer melhor. Em janeiro deste ano, ele passou 15 dias no Japão e outros 15 na Coréia. Lá, ficou surpreso ao constatar que qualquer pessoa, antes mesmo de cumprimentar alguém, já estende um cartão de visitas. ‘‘É como se eles estivessem recebendo o outro de braços abertos!’’, explica Régis, que já providenciou um estoque de 200 cartões para a temporada da Copa. Além da hospitalidade, Régis ficou comovido com o fascínio que o futebol brasileiro desperta em terras orientais. ‘‘Tem até estátua do Zico no Japão!’’, espanta-se.
A viagem só não foi melhor porque Régis descobriu, consternado, um matadouro de cachorros nos arredores de Ulsan, cidade-sede do Brasil na Coréia do Sul. Segundo a cultura local, a carne canina é considerada uma fina iguaria. ‘‘Sou contra matar qualquer animal para a gente comer ...’’, reclama, indignado. Como bom repórter, Régis tratou logo de fazer uma reportagem. O prefeito Shim Wan Gu, porém, pediu que ele não levasse a matéria ao ar. O repórter pediu, então, que o prefeito desativasse o galpão. ‘‘Dizem que a gente tem de respeitar a cultura dos outros. Mas achei isso uma barbárie!’’, queixa-se.
Aos 36 anos, Régis Rösing guarda boas recordações do Japão. Foi lá que, em 1995, o então repórter da RBS, afiliada da Globo no Rio Grande do Sul, cobriu a final do Mundial Interclubes no Japão, onde o Grêmio perdeu o título para o Ajax, da Holanda. Foi como torcedor do Grêmio, aliás, que Régis começou a se interessar por futebol. Para ele, todo repórter que faz matéria de futebol, na verdade, queria ser jogador. ‘‘Eu até tentei, mas era muito ruim...’’, admite.
Apesar de ter seguido carreira como repórter esportivo, Régis se destacou, há dois anos, como o primeiro jornalista de uma tevê ocidental a entrevistar o terrorista Hassan Nasrallah, líder do Hezbollah. A idéia surgiu em 1999, quando Régis viajou para o Líbano a fim de fazer uma série de reportagens para o Esporte Espetacular. Assim que desembarcou em Beirute, mudou de idéia ao ver que o país estava em guerra. Régis gostou tanto da experiência que, um ano depois, voltou para entrevistar o líder da milícia libanesa. ‘‘Quando cheguei lá, traduzi o ’alegria, alegria’ para ’saad, saad’. No vigésimo ’saad, saad’, já estava no meio dos guerrilheiros do Hezbollah’’, relata, brincalhão.
Viver perigosamente não chega a ser obstáculo para Régis. No Líbano, ele teve três fuzis M16 apontados para a sua cabeça enquanto entrevistava o líder terrorista. Na França, se meteu no porta-malas de um carro só para entrar escondido na casa de Ronaldinho. ‘‘Quase morri. Fiquei sem ar!’’, dramatiza.
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