|
|
|
vida@correioweb.com.br
Consumo radical
O crescente interesse do brasiliense por atividades ao ar livre faz com que empresários invistam em lojas especializadas
Leonardo Meireles
Da equipe do Correio
| Carlos Moura |
 |
Lúcio encaixa-se no perfil dos consumidores típicos das lojas especializadas em esportes radicais: ele prefere mergulho e rapel a práticas mais comuns, como futebol e vôlei
|
| |
A paixão de Lúcio Alvarenga, 21 anos, pelo mergulho começou há quatro anos, quando conheceu a atividade. Encontrou seu hobby e uma possível profissão, já que está fazendo curso para ser instrutor. Mas também encontrou um pessoal que gostava de esportes nada convencionais. Eles não utilizam bolas nem quadras. Preferem o ar livre e o contato com a natureza.
O contato veio com seus mergulhos em cavernas. Para chegar até elas, muitas vezes Lúcio tinha que se utilizar do rapel — a técnica de descida da escalada. A partir daí, conheceu lojas que ensinavam a técnica e começou a comprar algum material. Nada muito sofisticado, somente o básico. Mas foi o suficiente para ele ir sempre a essas lojas, para saber das novidades e fazer um rapel assim que possível.
‘‘Gosto de ficar em contato com coisas raras em uma cidade grande, gosto de ficar em contato com a natureza’’, conta Lúcio. Ele faz parte do perfil dos consumidores que freqüentam lojas especializadas em equipamentos para atividades ao ar livre. Nenhuma pesquisa profunda foi feita neste aspecto na cidade, mas o crescimento de empresas do ramo em Brasília é notável. Até o ano retrasado, existiam quatro lojas. Hoje, sete habitam a cidade.
Os freqüentadores assíduos desses lugares são bombeiros e policiais militares, esportistas e estudantes de Espeleologia, Geologia e Engenharia Florestal. São maioria, por motivos óbvios. Casos como o de Lúcio não são muito comuns, mas acontecem. ‘‘Os clientes são sempre os mesmos’’, confessa Leonardo Azevedo, um dos sócios da Ibiti, com dez anos no mercado. Mas ele diz também que antigamente somente os mais jovens apareciam nas lojas. Hoje, não.
‘‘A turma que faz escalada é quase toda formada por adolescentes, mas, agora, com a corrida da aventura e a caminhada de Santiago de Compostela, aparecem muitos acima dos 30 anos por aqui’’, explica Leonardo. A concorrente Cláudia Assunção, desde 1996 com a Be Hard, dá os mesmos exemplos. ‘‘De vez em quando aparece alguém que nunca ou pouco teve contato com esportes ao ar livre. Mas 80% dos freqüentadores são clientes que ficam amigos e vêm muito para trocar informações’’, conta.
Como Rafael Silva Ferraz Passos, 15 anos. Ele começou a acampar
aos 8 anos com os irmãos Rodrigo, 19, e Fábio, 21, e com a experiência de ser escoteiro. ‘‘Um dos meus irmãos começou a fazer rapel e eu me interessei’’, conta Rafael, estudante do segundo ano do ensino médio do Cecap. O adolescente conheceu um muro de escalada e trocou a compra de barracas e sacos de dormir por sapatilhas, cordas e mosquetões. E passa as tardes no muro da Ibiti.
Cinco lojas e um site especializados no assunto oferecem não só artigos, mas também pacotes para que os interessados possam fazer esportes em lugares no Distrito Federal e ao redor da cidade. A Azimute e a Desbrava.com, por exemplo, fazem até um circuito de corridas de aventura — esporte que reúne modalidades ao ar livre — para iniciantes. E até a Centauro, uma loja conhecida por vender produtos de modalidades tradicionais, já reservou uma seção para o ramo.
|
Primeiros passos
Segundo uma pesquisa da Embratur, o mercado outdoor cresce 200% por ano no Brasil. Mas não há números em Brasília. O máximo que aconteceu foi uma reunião de lojas que vendem artigos para esportes e atividades chamadas de aventura para detectar os problemas e sugerir alguma solução. Para eles, faltam eventos e infra-estrutura para que os interessados no assunto possam aproveitar o potencial existente no Distrito Federal e Entorno.
Weimar Pettengill, um dos sócios da Desbrava.com, site especializado em atividades ao ar livre, admite que a área é muito pouco explorada na cidade e que a capital federal é totalmente diferente dos mercados de outras localidades brasileiras. ‘‘Aqui, o crescimento desse setor é em função de eventos’’, diz o empresário, que também revende as marcas Kailash e Petzel em Brasília.
Este, aliás, é um outro problema. O material usado nas atividades, como barracas, mochilas, mosquetões, cordas, tênis e outros, é muito caro. ‘‘As pessoas se assustam e, quando compram, vão mais pelo preço que pela qualidade’’, afirma Weimar. Por enquanto, a área está restrita aos esportistas. Claro, existem muitos adeptos das atividades ao ar livre, mas outra característica de Brasília é que eles são jovens. Enquanto em São Paulo os trekkers, ciclistas e outros, em sua maioria, possuem mais de 25 anos e muitos são executivos, na capital federal, a média de idade dos aventureiros gira em torno dos 21 anos.
‘‘Nessa idade, eles dependem ainda do dinheiro dos pais ou o salário é baixo’’, analisa Weimar. Mas a situação tem mudado. As lojas começaram a oferecer pacotes para a prática de esportes ao ar livre e nas competições a média de idade aumentou. Na primeira etapa do Circuito Desbrava.com, por exemplo, os competidores tinham 23 anos. Já na segunda etapa, a média subiu para 28 anos. ‘‘É um indicativo de uma tendência em Brasília’’, confirma o empresário.(L.M.)
Serviço
Be Hard: 274-7117
Kanyon: 349-7835
Ibiti: 447-4523
Azimute: 340-2523.
Site: www.azimute.com.br
Point: Brasília Shopping
Centauro Esportes: Pátio Brasil
Bike Tech: 242-8285
Desbrava: www.desbrava.com
|
|
|
|