Brasília, sexta-feira, 14 de junho de 2002
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Degradação de Brasília

Lourival Zagonel

É impressionante observar o processo acelerado de degradação pelo qual passa a nossa jovem capital, sem que as pessoas que aqui vivem e que deveriam zelar pela sua qualidade de vida se dêem conta. Assusta-me constatar a enorme capacidade de tolerância que as pessoas dedicam ao descaso com a coisa pública, à pirataria, ao vandalismo, à corrupção, à impunidade generalizada.

  Dediquei cinco anos de minha vida profissional implementando políticas de desenvolvimento sustentável em países africanos. Testemunhei o enorme esforço que algumas daquelas nações fazem para sair de uma economia tribal, de escambo, para a economia de mercado. Muitas delas têm tido saltos de qualidade extraordinários, dignos de serem observados.

  Enquanto esses países, enfrentando enormes dificuldades, começam a mostrar resultados positivos, o Brasil e, principalmente, Brasília, têm um caminho inverso. É comum ver-se em cidades africanas pessoas tomando banho em áreas públicas, como já acontece em Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e outras capitais. Mas não é comum ver o cidadão sob pressão permanente, como acontece em Brasília, São Paulo, Rio, por falta de segurança.

  Embora transitasse, muitas vezes a pé, entre o meu escritório e minha casa, por ruas escuras, atravessando bairros pobres, em nenhum momento me senti vítima de assalto ou de seqüestro, vez que isso não existe por lá. Também não fui abordado nas ruas por flanelinhas ou ‘‘donos’’ de estacionamento, como acontece por estas paragens. Nunca fui roubado ou furtado em lojas, oficinas, padarias ou açougues, vez que o povo africano, de modo geral, não compactua com essas mazelas.

  Recordo-me com saudade da década de 60, época em que era possível confiar nas pessoas, conhecidas ou não. Havia o transporte solidário, oferecendo-se carona aos que estavam a pé. A amizade, o companheirismo*******, o respeito eram inerentes às pessoas, como valores simples e indiscutíveis, a exemplo do que encontrei nos africanos.

  Como entender esse fenômeno: Brasília, em processo de africanização ou a África em processo de desenvolvimento? Na África não existe crianças abandonadas, pois o costume africano determina que a criança que perdeu os pais, deve ser assimilada pelos irmãos mais velhos, avós, tios ou parentes próximos em plena igualdade com as demais crianças da família. No Brasil, infelizmente, o nosso costume é jogar as crianças na rua, à própria sorte. As pessoas idosas, na África, são respeitadas; no Brasil, são menosprezadas e descartadas. Temos muito a aprender com os africanos. Eles, por sua vez, muito pouco ou quase nada têm a aprender conosco. Sou ex-diretor-geral do Senado Federal, ex-secretário de Turismo e Lazer do DF e atual consultor da Usaid para o Tips - Projeto de Desenvolvimento Econômico de Guiné-Bissau.


Ponte para a lorota

Wellington de Araújo Moreira
Ceilândia

 Os estrategistas políticos do GDF armam fatos para serem usados na campanha eleitoral. Aquela pilha de caixas e papel à disposição da população para tentar mostrar lisura na aplicação de verbas destinadas às obras da terceira ponte do Lago não passa de lorota.

  Como bem disse o procurador-geral do TCU, o GDF deveria colocar à disposição de todos as cópias do processo que investiga o caso. Lá, há indícios de que o orçamento da ponte foi superfaturado. Também seria coerente, se todos os responsáveis diretos e indiretos pela obra abrissem mão dos seus sigilos bancários.



Dor pela Internet

Karina e Abner Júnior
Cairo (Egito)

Estarrecedor para os brasileiros que moram no exterior acessar o site do Correio no anseio de poder ler algo construtivo que leve a nos aproximar um pouco da nossa tão amada pátria Brasil e ver reportagens sobre o índice crescente da violência no nosso pais.

  Fizeram com o repórter Tim Lopes algo que em nenhum lugar no mundo, por mais ignorante de lei ou iletrado que seja, se faz, sentenciando alguém inocente ‘‘culpado somente para os bandidos’’ de estar fazendo algo errado (denunciando nada mais que a verdade do submundo do crime organizado).

  Atitude tomada como símbolo de vitória para aqueles que supostamente eram para ser os réus, e nesse episódio foram os juízes. Porém durante o tal julgamento creio que não se preocuparam em se autoperguntar antes da sentença: ‘‘Quanto custa uma alma?’’.

  Hoje se mata por 5 reais, um tênis ou coisa afim. Às vezes viver pode ser sinônimo de perigo. Compensa viver hoje? Quando Deus criou o mundo sonhou em poder ter contato com o homem diariamente, mas o homem optou por abandoná-lo e mais tarde de crucificá-lo.

  Mesmo assim, Deus mandou seu filho ao mundo como forma de mostrar amor e interesse pelo homem, assim afirmando que mesmo com a atitude de abandono Ele nunca nos esqueceu, e foi capaz de dar a sua vida do seu filho por nós. Hoje, o homem tem 1001 formas de tirar a vida do seu próximo, mas não tem a capacidade de pensar que existe só uma chance de se viver aqui na Terra.

  O interesse de eliminar o outro às vezes é tão grande que não se pensa em misericórdia, perdão. O que é isso para o mundo de hoje? Até quando vamos continuar a demonstrar nossa revolta somente com palavras de repúdio por atos insanes? Até quando vamos continuar a ter que ouvir, ler e ver noticiários falando daquele homem que fazia uma reportagem sobre baile funk e aliciamento de menores, ou sobre o mundo organizado do tráfico de droga, ou então daquele empresário que conseguiu vencer na vida e que foi seqüestrado, ou daquela morte trágica gerada pelo descontrole da violência. Mas não se preocupe. Amanhã talvez teremos outros Lopes, Silvas, Josés que irão ter um dia de fama nos noticiários policiais. Chega de blablablá; ou o governo entrar nessa, ou a Igreja desperta para ser bênção para o nosso país, ou então seremos reféns de mais alguns Elias, Fernandinhos, Ratinhos... malucos.


Carroças em desfile

Paulo Ramos Filho
Asa Sul

Mais uma vez estamos atrasados tecnologicamente. Nossas carroças foram mais uma vez desclassificadas. Não estamos aptos para o trânsito municipal, estadual, federal. Vamos voltar para o campo - onde nossos veículos ainda fazem sucesso: verdadeiras carroças!

  Nos países desenvolvidos onde implantaram radares eletrônicos os carros são automáticos e providos de piloto automático. Quando o veículo está na via recebe informações eletrônicas captadas pelo computador de bordo informando qual a velocidade permitida para o trecho. E o motorista sabe que está sob vigilância eletrônica. Mas também recebe serviços. A cada espaço recebe informações sobre pontos de parada, preços, hospedagem e serviços, bem como mapas transmitidos eletronicamente ao passar por áreas providas de dispositivos previamente preparados. Aqui em Brasília não temos sequer sinalização visual adequada para orientação quanto à velocidade e condições da pista.


Miliotários

Carlos Alberto Monteiro
Brasília

Leis só para o povo. A Constituição reza juros de 12% ao ano. O Código de Trânsito Brasileiro diz: ‘‘estradas e rodovias: velocidade máxima de 110km/h e a mínima 1/2 da máxima’’. A nova avacalhação na lei máxima é ‘‘CPMF já!’’. Esses são os políticos milionários de quem o povo gosta.



Três tês

Diogo Cenci
Park Way

Se no ataque temos os três erres, na defesa temos os três tês: a tristeza do Roque Júnior, a tristeza do Edmílson e a tristeza do Lúcio.

 
 Domingo
Segunda
Terça
Quarta
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Sexta
Sábado
 100 anos de JK
 Ele e nós
 Juscelino e o poder



         
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