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Livros
Resenha
Lygia e os escritores
Conceição Freitas
Da equipe do Correio
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Escritor é um bicho que parece saber muito mais que os outros; a gente imagina que ele descobriu o sentido da vida ou que achou um jeito precioso de viver a vida sem sentido. Por isso, os textos confessionais dos escritores, suas entrevistas e suas reminiscências são uma espécie de oráculo desses segredos. É um pouco assim com Durante Aquele Estranho Chá — Perdidos e Achados, coletânea de textos dispersos da escritora Lygia Fagundes Telles, a dama da literatura brasileira, a quem Jorge Luis Borges chamava de Líria.
Uma paixão juntou num só volume esses 28 textos. O jornalista e professor universitário Suênio Campos de Lucena, 34 anos, leitor amoroso da obra de Lygia, reuniu e ordenou os escritos esparsos, publicados em jornais e revistas. A escritora refez tudo, à exceção da entrevista concedida à escritora Clarice Lispector, e levou às livrarias seu primeiro livro de não-ficção.
Mais que lembranças de si mesma, o livro é um encontro da escritora com escritores — Jorge Luis Borges, Mario de Andrade, Hilda Hilst, Jorge Amado, Monteiro Lobato, Carlos Drummond de Andrade. Lygia relata, por exemplo, a passagem pelo Brasil de Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir, em 1960. Simone queria saber, afinal de contas, se o povo do Terceiro Mundo teria tomado conhecimento do existencialismo, mesmo que vagamente. Para sorte de Lygia, um intelectual se apressou em dar uma resposta à altura dos anseios da francesa. E a brasileira ria lá por dentro ao lembrar a marchinha ‘‘Existencialista com toda razão/ Só faz o que manda o seu coração!’’ que sua empregada cantava: ‘‘Existe na lista com toda razão...’’
Autora de onze livros, entre eles o festejado Ciranda de Pedra, Lygia relembra seus dois encontros com Jorge Luis Borges, o segundo deles em meados da década de 80. Nesse dia, ela pediu ao escritor uma mensagem de despedida e Borges apontou para o sonho. ‘‘Acreditar no sonho, entregar-se ao sonho porque só o sonho existe’’, disse o argentino.
Para quem sonha em ver seus escritos publicados, a presença de um autor ilustre é sempre uma chance de se ver avaliado, quem sabe elogiado. Assim foi quando o norte-americano William Faulkner esteve no Brasil, e viu-se afogado em livros de poetas e prosadores brasileiros. ‘‘E deixou tudo dentro de uma surrada sacola de lona no apartamento que ocupou no Hotel Esplanada.’’
Como não dá para chorar, o jeito é rir da displicência de Faulkner ou da volubilidade da vida. É disso que Lygia fala tão bem quando Clarice Lispector lhe pergunta se ela é pessimista: ‘‘Não, não sou pessimista. O pessimista é um mal-humorado e graças a Deus conservo o meu humor. Sei rir de mim mesma (...). A zombaria mesmo é diante daqueles enfatuados, bêbados do poder e da glória e que enchem o peito de ar, abrem o leque da cauda e vão por aí duros de vaidade. Eu ficarei! Não fica nada. Ou melhor, pode ser até que fique. Mas o número daqueles que não deixaram nem a poeira é tão impressionante que seria muita inocência não desconfiar.’’
Serviço
Durante Aquele Estranho Chá
Perdidos e Achados
De Lygia Fagundes Telles. Rocco, 203
páginas. R$ 25,00.
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Breve Encontro
Pedro Amaral
Editora Rocco, 120 páginas
R$ 18,00
A obra
Com poemas simples e sem excessos, Pedro Amaral diz muito com o emprego de poucas palavras, no melhor estilo ditado por Carlos Drummond de Andrade, segundo o qual ‘‘escrever é cortar palavras’’. Doces ou amargas, líricas ou trágicas, as cenas urbanas são a fonte de inspiração da poesia de Pedro Amaral.
O autor
Carioca, Pedro Amaral estreou na literatura aos 21 anos, com o lançamento de Vívido, em 1995. Depois, participou da coleção 7+1, da Editora Francisco Alves. Em Breve Encontro, o poeta de 27 anos mantém o estilo perfeccionista que impressionou o acadêmico Antonio Houaiss quando de sua estréia, com Vívido.
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Não se Pode Amar e Ser Feliz ao Mesmo Tempo — O Consultório Sentimental de Nelson Rodrigues
Nelson Rodrigues/Myrna, coordenação de Caco Coelho
Companhia das Letras, 142 páginas
R$ 24,50
A obra
Reúne textos que em 1949 Nelson Rodrigues escreveu para o jornal Diário da Noite sob o pseudônimo de Myrna. São colunas em que o jornalista respondia às cartas dos leitores, sobretudo mulheres, que lhe pediam conselhos sobre as relações amorosas — paixões arrebatadoras, desilusões, dor-de-cotovelo, decepções.
o autor
Natural do Recife, Nelson Rodrigues trabalhou em jornais cariocas e escreveu textos contundentes em que desvela as hipocrisias sociais e desmitifica as relações familiares, o que lhe valeu a alcunha de ‘‘escritor maldito’’. Assina extensa obra teatral, com destaque para Vestido de Noiva, além de romances, contos e crônicas.
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Uma Melodia Histórica: Eco, Cocho, Cocho-viola, Viola-de-cocho
Abel Santos Anjos Filho
Edição do autor
R$ 35,00
A obra
O autor demonstra como a viola-de-cocho singrou os mares desde a Ásia até ser absorvida no Brasil, depois de percorrer caminhos pela Europa e, de Portugal, chegar até nós como a denominação roceira de ‘‘cocho’’. A obra traz anexo disco com composições em que o pesquisador apresenta diferentes acordes obtidos com o instrumento.
O autor
Graduado em Educação Artística com licenciatura plena em Música, Abel Santos Filho é especialista em semiótica e também professor de música primitiva, antiga e medieval da Universidade Federal de Mato Grosso. Mineiro de Uberaba, é autor de Viola-de-cocho: Novas Perspectivas. Pesquisa o instrumento desde 1990.
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Jesus
David Flusser
Editora Perspectiva, 266 páginas
R$ 38,00
A obra
Produto de exaustiva pesquisa histórico-documental, Jesus oferece ao público abrangente panorama da Palestina do primeiro século ocupada pelos romanos e agitada pelo choque de idéias, lutas políticas e antagonismos sociais. Desvela a figura do homem Jesus como judeu entre judeus, engajado e identificado com seu povo.
O autor
Historiador e professor da Universidade Hebraica de Jerusalém, David Flusser lecionou no Departamento de Religião Comparada por mais de 50 anos. Nascido na Áustria, foi estudioso da literatura clássica e talmúdica, conhecia 26 idiomas. No final dos anos 1930, declarou-se judeu praticante, dedicado aos estudos bíblicos e talmúdicos.
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Desenvolvimento como Liberdade
Amartya Kumar Sen
Companhia das Letras, 412 páginas
R$ 37,50
A obra
Sen defende a tese de que o desenvolvimento é essencialmente um processo de expansão das liberdades reais de que as pessoas desfrutam. Demonstra aos leitores não-especialistas como os diferentes males que hoje assombram o mundo, como a pobreza, a fome e a marginalização social, entre outros, levam à privação da liberdade.
O autor
Economista indiano, Amartya Sen foi professor na Delhi School of Economics, London School of Economics, Oxford e Harvard. Arrebatou o prêmio Nobel de Economia em 1998, quando assumiu cargo de ‘‘reitor’’ do Trinity College, em Cambridge. Entre outros, publicou Collective Choice and Social Welfare e Sobre Ética e Economia.
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