Brasília, sexta-feira, 14 de junho de 2002
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Lazer precário

Apesar do abandono, o Parque Saburo Onoyama ainda é referência para os moradores de Taguatinga Sul. Faltam lixeiras e as piscinas estão interditadas, mas dá para usar as quadras

Da Redação

Adauto Cruz
Calçadas e trilhas destruídas dentro dos 37 hectares de área do Parque Saburo Onoyama: administrador afirma que atual funcionamento do parque é uma ‘‘proeza’’
 
A paisagem do Parque Saburo Onoyama, em Taguatinga, não é das melhores. A menos de cem metros da entrada principal, calçadas destruídas, árvores cortadas e veios de água assoreados. Mais adiante, sinais de queimadas e rombos na cerca — indícios da presença indesejável dos marginais, que se refugiam no local para usar drogas. Por esses motivos, os moradores de Taguatinga Sul se afastam cada vez mais do parque, que é mais conhecido como Vai-quem-quer e é o segundo tema da série de reportagens Nossos Parques, que o Guia publica às sextas.

  O vendedor Franklin Ribeiro Monteiro, 22 anos, guarda com saudades as imagens de um outro parque Onoyama. Criado em Taguatinga, ele lembra da época em que o parque era visto com respeito pelos moradores da região. ‘‘Cresci aqui. As pessoas vinham para acampar, não haviam marginais. As matas eram limpas e tinha até peixinhos no córrego (Taguatinga, que deu nome a cidade)’’, lembra.

  O administrador de Taguatinga, Valdemar Aguiar, admite os problemas do parque, mas afirma que o atual funcionamento pode ser considerado uma proeza. Segundo ele, o parque ficou esquecido durante vigências anteriores, só sendo rememorado em dezembro do ano passado.

  Na ocasião, foram iniciadas as obras de revitalização, que começaram com a retirada de 600 barracos de invasores. ‘‘Eles afastavam o público’’, conta. Em seguida, a administração tratou de cercar o parque e, sob determinação da Defesa Civil, de derrubar 150 árvores que ameaçavam cair e atingir as construções localizadas próximas ao parque.

  Aguiar garante que foi a retirada das árvores que causou a destruição das calçadas, em parte da reserva. Os invasores, conforme conta, seriam os responsáveis pelo assoreamento de veios do Córrego Taguatinga. ‘‘Agora, lutamos para conservar e melhorar o que restou’’, justificou.

  Nos pontos de menor circulação, ainda dá para conferir pontos preservados da vegetação. Há calçadas e trilhas para caminhadas de onde se pode observar a natureza. Apesar da falta de lixeiras ao longo das trilhas e percursos, não há acúmulo de lixo na reserva. Nessa época do ano, por causa da seca, o volume de águas do córrego se reduz e muitos veios de água secam.

  Mesmo com os problemas, os freqüentadores podem fazer bom uso de atrações do parque. As quadras de esportes e churrasqueiras estão em boas condições de conservação. Também não há problemas maiores nos banheiros e duchas. Algumas pias de uso público, usadas como bebedouros, estão quebradas.

  A Administração de Taguatinga não tem dados de quanto é investido na manutenção do parque a cada mês. Os serviços de limpeza e conservação no parque são terceirizados pela Fiança, empresa que também faz a limpeza nos terminais rodoviários e nas instalações da Administração de Taguatinga — o que, segundo o administrador, impossibilitaria o cálculo dos custos em separado.

  O parque tem três piscinas, sendo duas de uso infantil e uma para os adultos — todas com funcionamento restrito aos fins de semana, segundo a Administração do parque. Na segunda-feira dia 10, quando a reportagem do Correio esteve no Onoyama, havia uma placa na entrada das piscinas, dizendo que o espaço estava interditado pela Vigilância Sanitária. O piso da piscina estava sujo, a ponto de não se ver o azul do fundo em várias partes.

  Aguiar garante a regularidade no funcionamento das atrações. Segundo ele, a placa é colocada durante os dias úteis, quando a piscina está fechada para limpeza. O processo incluiria o escoamento total da água, limpeza do piso e pelo menos dois dias para recolher a água mineral, abastecida por uma bica. Nas últimas semanas, não houve limpeza. ‘‘É uma manutenção difícil. Preferimos não fazê-la nesse período frio, quando o número de freqüentadores cai bastante’’, justificou o administrador.

Mapa do Parque

(Gráfico em formato pdf)

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Parque Saburo Onoyama (Vai-quem-quer) Taguatinga

  • ONDE FICA: Setor QSD Área Especial s/n lote 10 — Taguatinga
  • ÁREA: 37,341 hectares
  • ACESSO: Pela Avenida Samdu Sul, na altura da Igreja de Nossa Senhora de Fátima

    ATRAÇÕES
  • Cinco quadras poliesportivas
  • Duas quadras de peteca
  • Um campo de futebol de areia
  • Duas churrasqueiras cobertas
  • Seis churrasqueiras pequenas
  • Cinco playgrounds
  • Três piscinas: duas infantis e uma adulto, com água corrente

    INFRA-ESTRUTURA
  • Água potável, próximo aos banheiros
  • Segurança: pela Polícia Florestal (interior do parque) e dois policiais militares, nos pontos mais usados pela população.
  • Uma lanchonete — com funcionamento nos fins de semana
  • Dois vestiários, masculinos e femininos
  • Três sanitários, masculinos e femininos

    NÚMERO DE FREQÜENTADORES
  • Segundo dados da Administração de Taguatinga, sete mil pessoas, a cada fim de semana

    HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO
  • Das 8h às 19h

    INFORMAÇÕES
  • Administração do parque: 352-2427

    COBRANÇA

      A Administração de Taguatinga avalia a cobrança de ingresso na entrada do parque Saburo Onoyama, para daqui a dois meses, como alternativa para conter o acesso de marginais e promover melhorias nas instalações . A aprovação da taxa depende apenas do início das atividades do Conselho Gestor de administração do parque, composto por representantes da administração, membros da Secretaria de Recursos Ambientais, organizações não-governamentais, comerciantes e moradores da região.

      A princípio, o ingresso está calculado em R$ 0,50 por pessoa. Se levados em consideração os números da administração, que calcula cerca de sete mil freqüentadores a cada fim de semana, o parque pode arrecadar até R$ 14 mil a cada mês. ‘‘Vamos investir esse dinheiro em segurança e manutenção’’, garante o administrador de Taguatinga, Valdemar Aguiar.


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