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Lazer precário
Apesar do abandono, o Parque Saburo Onoyama ainda é referência para os moradores de Taguatinga Sul. Faltam lixeiras e as piscinas estão interditadas, mas dá para usar as quadras
Da Redação
| Adauto Cruz |
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Calçadas e trilhas destruídas dentro dos 37 hectares de área do Parque Saburo Onoyama: administrador afirma que atual funcionamento do parque é uma ‘‘proeza’’
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A paisagem do Parque Saburo Onoyama, em Taguatinga, não é das melhores. A menos de cem metros da entrada principal, calçadas destruídas, árvores cortadas e veios de água assoreados. Mais adiante, sinais de queimadas e rombos na cerca — indícios da presença indesejável dos marginais, que se refugiam no local para usar drogas. Por esses motivos, os moradores de Taguatinga Sul se afastam cada vez mais do parque, que é mais conhecido como Vai-quem-quer e é o segundo tema da série de reportagens Nossos Parques, que o Guia publica às sextas.
O vendedor Franklin Ribeiro Monteiro, 22 anos, guarda com saudades as imagens de um outro parque Onoyama. Criado em Taguatinga, ele lembra da época em que o parque era visto com respeito pelos moradores da região. ‘‘Cresci aqui. As pessoas vinham para acampar, não haviam marginais. As matas eram limpas e tinha até peixinhos no córrego (Taguatinga, que deu nome a cidade)’’, lembra.
O administrador de Taguatinga, Valdemar Aguiar, admite os problemas do parque, mas afirma que o atual funcionamento pode ser considerado uma proeza. Segundo ele, o parque ficou esquecido durante vigências anteriores, só sendo rememorado em dezembro do ano passado.
Na ocasião, foram iniciadas as obras de revitalização, que começaram com a retirada de 600 barracos de invasores. ‘‘Eles afastavam o público’’, conta. Em seguida, a administração tratou de cercar o parque e, sob determinação da Defesa Civil, de derrubar 150 árvores que ameaçavam cair e atingir as construções localizadas próximas ao parque.
Aguiar garante que foi a retirada das árvores que causou a destruição das calçadas, em parte da reserva. Os invasores, conforme conta, seriam os responsáveis pelo assoreamento de veios do Córrego Taguatinga. ‘‘Agora, lutamos para conservar e melhorar o que restou’’, justificou.
Nos pontos de menor circulação, ainda dá para conferir pontos preservados da vegetação. Há calçadas e trilhas para caminhadas de onde se pode observar a natureza. Apesar da falta de lixeiras ao longo das trilhas e percursos, não há acúmulo de lixo na reserva. Nessa época do ano, por causa da seca, o volume de águas do córrego se reduz e muitos veios de água secam.
Mesmo com os problemas, os freqüentadores podem fazer bom uso de atrações do parque. As quadras de esportes e churrasqueiras estão em boas condições de conservação. Também não há problemas maiores nos banheiros e duchas. Algumas pias de uso público, usadas como bebedouros, estão quebradas.
A Administração de Taguatinga não tem dados de quanto é investido na manutenção do parque a cada mês. Os serviços de limpeza e conservação no parque são terceirizados pela Fiança, empresa que também faz a limpeza nos terminais rodoviários e nas instalações da Administração de Taguatinga — o que, segundo o administrador, impossibilitaria o cálculo dos custos em separado.
O parque tem três piscinas, sendo duas de uso infantil e uma para os adultos — todas com funcionamento restrito aos fins de semana, segundo a Administração do parque. Na segunda-feira dia 10, quando a reportagem do Correio esteve no Onoyama, havia uma placa na entrada das piscinas, dizendo que o espaço estava interditado pela Vigilância Sanitária. O piso da piscina estava sujo, a ponto de não se ver o azul do fundo em várias partes.
Aguiar garante a regularidade no funcionamento das atrações. Segundo ele, a placa é colocada durante os dias úteis, quando a piscina está fechada para limpeza. O processo incluiria o escoamento total da água, limpeza do piso e pelo menos dois dias para recolher a água mineral, abastecida por uma bica. Nas últimas semanas, não houve limpeza. ‘‘É uma manutenção difícil. Preferimos não fazê-la nesse período frio, quando o número de freqüentadores cai bastante’’, justificou o administrador.
Mapa do Parque
(Gráfico em formato pdf)
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Parque Saburo Onoyama (Vai-quem-quer) Taguatinga
ONDE FICA: Setor QSD Área Especial s/n lote 10 — Taguatinga
ÁREA: 37,341 hectares
ACESSO: Pela Avenida Samdu Sul, na altura da Igreja de Nossa Senhora de Fátima
ATRAÇÕES
Cinco quadras poliesportivas
Duas quadras de peteca
Um campo de futebol de areia
Duas churrasqueiras cobertas
Seis churrasqueiras pequenas
Cinco playgrounds
Três piscinas: duas infantis e uma adulto, com água corrente
INFRA-ESTRUTURA
Água potável, próximo aos banheiros
Segurança: pela Polícia Florestal (interior do parque) e dois policiais militares, nos pontos mais usados pela população.
Uma lanchonete — com funcionamento nos fins de semana
Dois vestiários, masculinos e femininos
Três sanitários, masculinos e femininos
NÚMERO DE FREQÜENTADORES
Segundo dados da Administração de Taguatinga, sete mil pessoas, a cada fim de semana
HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO
Das 8h às 19h
INFORMAÇÕES
Administração do parque: 352-2427
COBRANÇA
A Administração de Taguatinga avalia a cobrança de ingresso na entrada do parque Saburo Onoyama, para daqui a dois meses, como alternativa para conter o acesso de marginais e promover melhorias nas instalações . A aprovação da taxa depende apenas do início das atividades do Conselho Gestor de administração do parque, composto por representantes da administração, membros da Secretaria de Recursos Ambientais, organizações não-governamentais, comerciantes e moradores da região.
A princípio, o ingresso está calculado em R$ 0,50 por pessoa. Se levados em consideração os números da administração, que calcula cerca de sete mil freqüentadores a cada fim de semana, o parque pode arrecadar até R$ 14 mil a cada mês. ‘‘Vamos investir esse dinheiro em segurança e manutenção’’, garante o administrador de Taguatinga, Valdemar Aguiar.
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