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SAÚDE
Remédios saborosos
Farmácias de manipulação fabricam remédios em forma de balas, jujubas e outras guloseimas, destinados sobretudo às crianças
Maria Vitória
Da equipe do Correio
| Ricardo Borba |
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| Carlos Vieira |
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Maria Tereza, 5 meses, não rejeita remédios, mas reclama
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Ninguém gosta de tomar remédio, principalmente as crianças que se queixam do sabor amargo ou da dificuldade de engolir uma cápsula ou um comprimido. A hora de tomar um medicamento sempre é motivo de choro, birras e caretas. É um Deus nos acuda! Mas os pais que enfrentam esse tipo de problema podem contar com uma solução: o uso de remédios em forma de balas, jujubas, picolés e pirulitos, produzidos em farmácias de manipulação. No Distrito Federal, a novidade está disponível na rede Farmacotécnica.
O diretor da empresa,o farmacêutico Rogério Torkaski, explica que os produtos são vendidos mediante apresentação receita médica. Silas Gouveia, chefe de gabinete da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, diz que não é permitida a produção em massa de tais drogas. ‘‘As farmácias só podem manipular medicamentos no formato de doces com apresentação de receita em nome do paciente’’, informa Gouveia.
A farmácia brasiliense manipula remédios em forma de pirulitos, indicados para aftas, estomatites e reidratação. Já as jujubas, preparadas com gelatina e glicerina, podem combater infecções urinárias, problemas de deficiência de zinco (comuns em crianças, mulheres grávidas e em fase de aleitamento) e ajudar na complementação de flúor para crianças com idade de 3 a 9 anos.
‘‘É a roupa sob medida para o paciente. As crianças não recusam o remédio neste formato’’, garante Marco Perino, vice-presidente da Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais. Segundo ele, a técnica é bastante usada em outros países, como os Estados Unidos. Os produtos apresentam várias cores e sabores e, por ficarem em contato direto com a mucosa da boca, têm efeito imediato. ‘‘A droga entra na corrente sangüínea direto pela boca, sem agredir o estômago’’, afirma Perino, acrescentando que estes medicamentos não contêm açúcar, evitando as cáries.
Perino ainda explica que as drogas em formato de guloseimas não é indicada só para crianças. Balas também são usadas no tratamento de reposição hormonal, para dores crônicas, como nos casos de câncer (a ação da morfina e da codeína é imediata) e são recomendadas até para pacientes radioterápicos com problemas gástricos ou de deglutição.
A novidade dos remédios em forma de guloseimas pode ajudar mães como a advogada Cristina Aires. Sua filha Maria Tereza, de cinco meses, teve problemas de refluxo e precisou tomar medicamentos para apressar o processo digestivo. ‘‘Ela nunca rejeitou os remédios, mas a seringa machucava a boquinha. Ou então ela cuspia fora quando tentávamos dar no copinho ou por meio de uma bomba’’, conta Cristina, que, no entanto, não planeja usar esses novos produtos. Já a universitária Luciana Monteiro, mãe de Ana Luiza, aplaude. ‘‘Agora não há motivos para a criança se recusar a tomar um remédio, pois ele terá o formato e gosto de um doce.’’
Os pediatras alertam para o uso de remédios no formato de guloseimas. ‘‘O risco é muito grande. As crianças podem confundir o medicamento com o doce e sofrer uma intoxicação’’, alerta Lincoln Freire, presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, que faz campanha contra os acidentes domésticos infantis. Segundo o Ministério da Saúde, 21.523 crianças e adolescentes morreram em 1999 vítimas de acidentes domésticos. Deste total, 18% foram por alguma intoxicação. ‘‘Os pais que optarem por esse produtos devem redobrar os seus cuidados para vigiarem os filhos’’, diz Freire.
A agrônoma Eveline Medeiros Jucá, mãe de Victor Hugo, 5 anos, concorda. ‘‘Uma criança não sabe distinguir o que é doce e o que é remédio. Tenho muito medo dessa novidade’’, afirma Eveline. Ela tem motivos para ter esse temor: o seu irmão confundiu os comprimidos de Segretol (droga contra convulsões) com balinha e ficou dois meses internado no Hospital de Base se tratando da intoxicação. ‘‘Ele se salvou, mas ainda guarda seqüelas da overdose de remédios’’, diz Eveline.
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