Sobe e desce
Por Fernando Calmon
fernandocalmon@usa.net
A Toyota, terceiro maior grupo fabricante de veículos leves, com cerca de 10% de participação no mercado mundial contra 13%, da Ford e 15%, da GM, anunciou recentemente uma meta ambiciosa. Dentro de 10 anos almeja capturar 15% e assumir a liderança isolada. Não se sabe se sozinha ou associada à Peugeot, e mesmo que a GM compre a Fiat. Aposta dos executivos nipônicos.
‘‘Tudo que sobe, tem de descer’’, vaticina The Car Connection (TCC), o portal jornalístico sobre carros de maior prestígio dos EUA. A análise foi feita depois de mais uma pesquisa da J. D. Powers, reconfirmando a Toyota como marca a apresentar menos problemas de qualidade apontados por compradores de carros novos. Faz mais de 15 anos que ela domina este ranking, junto com a Honda. A GM surpreendeu. Apareceu em terceiro, depois de décadas derrapando numa crise que a levou a cair de 60% de participação no mercado doméstico, nos anos 60, para menos de 30%, hoje.
As montadoras americanas ainda conseguem vender mais por causa de picapes e utilitários-esporte. Automóveis, nem pensar. Parte da Imprensa é nacionalista e não aceita o sucesso do bem-careta sedã Camry. O TCC acha que a lei da gravidade deve funcionar e um dia chegará a vez dos japoneses.
No Brasil, as coisas são diferentes. Lentamente, a Toyota começa a se mexer. A passos curtos, mas firmes. Acaba de inaugurar a expansão de sua fábrica de Indaiatuba, SP. Aplicou US$ 300 milhões para aumentar a capacidade de 15 mil para 57 mil unidades/ano e relançar o Corolla totalmente renovado. Aproveitando o clima eleitoral e a vocação exportadora da nova unidade, conseguiu a presença do presidente Fernando Henrique Cardoso, do governador de São Paulo e quatro ministros.
Os planos não são modestos. Os americanos veriam arrogância. Até 2010 a marca-líder oriental pretende alcançar 10% de participação no Brasil (agora, 2%). Para isto, nos próximos três anos, vai apresentar uma segunda versão do Corolla e construir outra fábrica para um compacto. No momento, se inclinam mais por uma station do que um minivan. Quanto ao hatch pequeno, pode ser o modelo projetado junto com a Peugeot para comercialização em países europeus periféricos.
O novo sedã Corolla nacional, idêntico à versão fabricada na Tailândia, encorpou bastante os pára-choques e cresceu em todas as dimensões. Inegavelmente é mais espaçoso, possui um porta-malas quase 10% maior que o modelo antigo e oferece opção de motores 1,6/110cv e 1,8/136cv, todo em alumínio e comando de válvulas variável. A previsão é de equipar 70% com câmbio automático, fato inédito em modelos brasileiros.
Em apenas quatro anos produzindo automóveis, os engenheiros brasileiros da Toyota aprenderam, com o velho Bandeirantes, a entender o nosso piso. Um dos pontos altos é o acerto da suspensão: quase não toma conhecimento de quebra-molas e ainda permite comportamento exemplar em curvas.
Pena que o motor mais potente seja meio áspero em rotações elevadas e faltem regulagem de profundidade do volante, alças de teto rebatíveis, sensor de chuva e computador de bordo. O acabamento também precisa melhorar. O preço de entrada é interessante, pouco abaixo de R$ 35 mil.
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