Brasília, quinta-feira, 27 de junho de 2002
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Sobe e desce

Por Fernando Calmon
fernandocalmon@usa.net

A Toyota, terceiro maior grupo fabricante de veículos leves, com cerca de 10% de participação no mercado mundial contra 13%, da Ford e 15%, da GM, anunciou recentemente uma meta ambiciosa. Dentro de 10 anos almeja capturar 15% e assumir a liderança isolada. Não se sabe se sozinha ou associada à Peugeot, e mesmo que a GM compre a Fiat. Aposta dos executivos nipônicos.

  ‘‘Tudo que sobe, tem de descer’’, vaticina The Car Connection (TCC), o portal jornalístico sobre carros de maior prestígio dos EUA. A análise foi feita depois de mais uma pesquisa da J. D. Powers, reconfirmando a Toyota como marca a apresentar menos problemas de qualidade apontados por compradores de carros novos. Faz mais de 15 anos que ela domina este ranking, junto com a Honda. A GM surpreendeu. Apareceu em terceiro, depois de décadas derrapando numa crise que a levou a cair de 60% de participação no mercado doméstico, nos anos 60, para menos de 30%, hoje.

  As montadoras americanas ainda conseguem vender mais por causa de picapes e utilitários-esporte. Automóveis, nem pensar. Parte da Imprensa é nacionalista e não aceita o sucesso do bem-careta sedã Camry. O TCC acha que a lei da gravidade deve funcionar e um dia chegará a vez dos japoneses.

  No Brasil, as coisas são diferentes. Lentamente, a Toyota começa a se mexer. A passos curtos, mas firmes. Acaba de inaugurar a expansão de sua fábrica de Indaiatuba, SP. Aplicou US$ 300 milhões para aumentar a capacidade de 15 mil para 57 mil unidades/ano e relançar o Corolla totalmente renovado. Aproveitando o clima eleitoral e a vocação exportadora da nova unidade, conseguiu a presença do presidente Fernando Henrique Cardoso, do governador de São Paulo e quatro ministros.

  Os planos não são modestos. Os americanos veriam arrogância. Até 2010 a marca-líder oriental pretende alcançar 10% de participação no Brasil (agora, 2%). Para isto, nos próximos três anos, vai apresentar uma segunda versão do Corolla e construir outra fábrica para um compacto. No momento, se inclinam mais por uma station do que um minivan. Quanto ao hatch pequeno, pode ser o modelo projetado junto com a Peugeot para comercialização em países europeus periféricos.

  O novo sedã Corolla nacional, idêntico à versão fabricada na Tailândia, encorpou bastante os pára-choques e cresceu em todas as dimensões. Inegavelmente é mais espaçoso, possui um porta-malas quase 10% maior que o modelo antigo e oferece opção de motores 1,6/110cv e 1,8/136cv, todo em alumínio e comando de válvulas variável. A previsão é de equipar 70% com câmbio automático, fato inédito em modelos brasileiros.

  Em apenas quatro anos produzindo automóveis, os engenheiros brasileiros da Toyota aprenderam, com o velho Bandeirantes, a entender o nosso piso. Um dos pontos altos é o acerto da suspensão: quase não toma conhecimento de quebra-molas e ainda permite comportamento exemplar em curvas.

  Pena que o motor mais potente seja meio áspero em rotações elevadas e faltem regulagem de profundidade do volante, alças de teto rebatíveis, sensor de chuva e computador de bordo. O acabamento também precisa melhorar. O preço de entrada é interessante, pouco abaixo de R$ 35 mil.


Roda viva

Antecipação

Ford tenta antecipar para começo de 2003 o lançamento do utilitário-esporte compacto sobre a plataforma do novo Fiesta, em tempo de aproveitar as vendas de verão, estação preferida para viagens. Exportações para os EUA, com motor mais potente de 2 litros de cilindrada, estão certas para meados do ano que vem. Empresa não quer confirmar para evitar reações dos sindicatos norte-americanos.

Decisão

Luc Ménard vai dirigir Operações Internacionais do Grupo Renault, na França. Desta forma não ficará muito afastado do Brasil, onde atuou na presidência da subsidiária por cinco anos e ajudou a implantar três fábricas: automóveis, comerciais leves e de motores. Difícil será decidir o que fazer com operações na Argentina. Pode servir de consolo outros fabricantes terem o mesmo e imenso problema.

Ociosidade

Apesar da capacidade ociosa da indústria automobilística nacional estar em torno de 40%, e no país vizinho 80%, outros mercados emergentes também padecem do mal. Estudo da consultoria Roland Berger aponta a China com 50% de ociosidade e perspectivas menores de crescimento, numa projeção para 2010. Até lá o Brasil poderá estar absorvendo entre 2,5 e 3 milhões de unidade anuais, fora exportações.

Novas tecnologias

Iluminação será um dos campos que mais de desenvolverá nos próximos anos. Vêm aí fachos de farol adaptáveis capazes de melhorar eficiência nas curvas, diminuir reflexos em piso molhado, ampliar distância alcançada à medida que a velocidade aumenta e diminuir possibilidade de ofuscamento tanto do veículo logo à frente, como também do que se aproxima pela faixa de rolamento oposta.


 
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