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Loucos por Guerra nas Estrelas
Os aficcionados orgulham-se de saber tudo sobre os filmes e das coleções relacionadas à série. Fãs vestem-se de jedis e vão à estréia do Episódio II
Da Redação
| Antonio Siqueira |
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C3-PO e R2-D2 fascinam os fãs desde o primeiro filme e seus bonecos são peças de colecionadores
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| Antonio Siqueira |
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Uma miniatura do caça X-Wing, que
Luke Skywalker pilotou para destruir a estrela da morte, com a ajuda da força, no primeiro filme da série
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| Sérgio Amaral |
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Igor, Augusto, Isaac, Rafael, Hugo e Wagner junto a uma mostra de suas coleções.
Abaixo, Daniel, caracterizado como um Jedi: ingresso comprado com dez dias de antecedência
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| Marcelo Ferreira |
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Eles formam uma legião no mundo inteiro. São capazes de contar toda a história da saga mais famosa do cinema nos mínimos detalhes, e guardam como se fossem tesouros fitas de vídeo, bonecos, fotos, reportagens, textos sobre curiosidades, livros e até fantasias idênticas às dos personagens.
O verdadeiro fanático por Guerra nas Estrelas, no entanto, vai além de saber o roteiro dos filmes. Ele sente um algo mais, um arrepio diferente quando a famosa musiquinha da abertura começa a tocar. ‘‘É uma grande paixão’’, explica Daniel Castelo Branco, 24 anos. Empolgado, garante que vai assistir à pré-estréia do Episódio II — O Ataque dos Clones, hoje, vestido como um autêntico Jedi. Com direito, inclusive, a sabre de luz (espada luminosa).
Daniel nasceu no ano em que o primeiro da série, Episódio IV — Uma Nova Esperança, chegou aos cinemas, em 1977. Crianças do mundo inteiro ficaram encantadas com os efeitos especiais, recursos que o menino só veio conhecer aos quatro anos pelo sem graça aparelho de tevê. Ainda assim, desde então Daniel nunca mais conseguiu se desligar de Luke Skywalker, Darth Vader e companhia. ‘‘É uma história muito inteligente, com todos os elementos — magia, romance e fantasia — bem equilibrados’’, define.
Para garantir a presença no primeiro dia de exibição do mais novo episódio do filme do coração nas telas brasileiras, o ingresso foi adquirido com dez dias de antecedência. E ele não vai sozinho. Outros 20 amigos, todos usando roupas iguais às do elenco do filme, prometem levar um pouco da magia da película para os corredores do Cinemark.
‘‘Star Wars foi calcado em uma mitologia, e isso é o que o torna tão fascinante’’, tenta explicar Hermes Barreto Neto, integrante da turma dos aficcionados fantasiados. Aos 30 anos, Hermes perdeu as contas de quantas vezes assistiu às fitas dos quatro episódios, e dos diversos livros de curiosidades que leu.
Ele mesmo se considera um sabe-tudo da história. ‘‘A inspiração para a construção de Luke Skywalker, por exemplo, veio do livro ‘O Herói de Mil Faces’, do historiador Joseph Campbell’’, comenta.
O admirador também confecciona roupas de guerreiros para vender, e no momento está envolvido na gravação de seu segundo fanfilm — filmes feitos por fãs, cujos enredos tenham alguma referência à série. Orgulhoso, ele conta que sua primeira obra, ‘‘Brains and Steel’’, é o único representante brasileiro escolhido para entrar no site norte-americano do maior fã-clube do mundo, o The Force — www.theforce.net.
Os brasileiros também chegaram a formar um fã-clube. É o chamado Nova República (www. novarepublica.com.br), constituído pelos Conselhos Jedis dos estados. Porém, existem apenas três conselhos estruturados: os de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Já houve, há alguns anos, uma tentativa de viabilizar o Conselho Jedi do Distrito Federal, mas a intenção não saiu do campo das idéias. ‘‘Faltaram mais pessoas para participar da organização’’, justifica Hermes, um dos que teve a iniciativa.
Religião
Os estudantes Hugo Veiga, 23, Igor Cavalcanti, 22, Wagner Martino, 24, Rafael Venturim, 25, e Augusto Wagner, 23, têm em comum, além do catolicismo, uma segunda paixão: Star Wars. Eles se conheceram no movimento Escalada, da Igreja Católica, e freqüentemente se reúnem para assistir (milhares de vezes) às fitas e comentar as novidades. ‘‘Vejo uma semelhança muito grande entre a doutrina católica e a filosofia Jedi (que promove a fé, a paz e a harmonia, juntos congregando a chamada Força)’’, afirma Hugo. ‘‘Há uma analogia entre a Força e Deus’’, completa Rafael.
Como a maioria dos fãs de hoje, a motivação de colecionar bonecos e vídeos surgiu na infância. Eles só assistiram à trilogia reeditada no cinema, em 1997. ‘‘Para nós, era um mundo diferente. Imagine conversar com uma pessoa peluda?!’’, relembra Wagner, fazendo uma referência ao herói Chewbacca. O estudante de Educação Física também conta que na Estréia do Episódio I — A Ameaça Fantasma, em 1999, ficou sete horas na fila para pegar um bom lugar na sala de projeção. ‘‘E ainda assim fui o segundo a entrar’’, ri.
Por não haver uma instituição que reúna os adoradores de um dos maiores sucessos épicos do cinema, os fãs acabam dispersos em pequenos grupos de amigos, como o pessoal da Escalada, ou em sites e fóruns na Internet. Eles são muitos, e recebem muitos associados. O Fórum Aliança Rebelde, por exemplo, criado em Brasília no ano passado, já tem cadastradas mais de 440 pessoas, segundo o administrador.
Veja na seção Divirta-se do Guia de Sábado os horários da pré-estréia de Episódio II — O Ataque dos Clones
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Encontros de fãs em todo o mundo
| Antonio Siqueira |
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Hermes Barreto fez um filme inspirado na saga
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Um malvado guerreiro Sith batendo um papo descontraído com um Jedi. Quem já viu pelo menos um dos episódios de Guerra nas Estrelas sabe que a imagem é inusitada. Não, não tem nada de ficção. A cena poderá ser vista hoje em São Paulo, no Jedicon — encontro anual de fãs de Star Wars no Brasil. Além do desfile de fantasias, os aficcionados vão trocar novidades, conhecer detalhes de filmagens e assistirão a trailers de lançamentos. Em quatro anos, esta é a primeira vez que o Jedicon terá duas datas. A segunda está marcada para agosto, no Rio de Janeiro.
O evento, que prevê cerca de 1,5 mil participantes, segue os moldes do oficial realizado nos Estados Unidos, o Star Wars Celebration. As roupas usadas pelos fãs norte-americanos são tão fiéis ao filme que, no último encontro — em maio deste ano, em Indianápolis —, a produtora Lucas Film chegou a convidar muitos deles a participar do elenco das filmagens do Episódio III, como figurantes. Quem conta é o organizador do Jedicon, Vinicius Ayres, sonhando com uma grande oportunidade como esta no Brasil.
Importar uma fantasia com tamanha perfeição não é barato. ‘‘Cheguei a gastar R$ 2,5 mil em uma, de Guarda Imperial, das quatro que tenho’’, conta o próprio Vinicius. Para os mais racionais, loucuras de fã. Para ele, uma satisfação sem preço. O apaixonado pelos trajes intergalácticos também criou a versão brasileira de um fã-clube de fantasiados que começou nos EUA e já existe em 21 países, com mais de mil membros — o www.501st.com.br. Pelo visto, a moda por aqui ainda não pegou — o número de cadastrados brasileiros não passa de dez.
E é mesmo na terra do Tio Sam que está o quente da febre. Um acordo entre o Instituto Smithsonian e a Lucas Film está promovendo, desde 1999, exposições itinerantes de objetos e roupas originais dos filmes. Desnecessário comentar o sucesso de público: a agenda segue cheia até fevereiro de 2003. Os fãs que se dispuserem a cruzar a América, poderão conferi-la até o dia 7 de julho, no Museu de Arte de Brooklyn, em Nova York. Depois ela segue para a Austrália.
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