Brasília, segunda-feira, 01 de julho de 2002
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Língua solta
Valéria Blanc

 
  Língua solta

Por Dad Squarisi
As perguntas para esta seção devem ser enviadas para Correio Braziliense - Redação
SIG Quadra 2, Lote 340, Brasília, DF. CEP:70.610-901
dad@correioweb.com.br



Este ou aquele — 4
A língua é um conjunto de possibilidades. Oferece vários caminhos para chegar ao mesmo lugar. Um deles é a estrutura fechada este...aquele. A duplinha é charmosíssima. Por duas razões. Uma: evita a repetição de nomes. A outra: dá show de pontuação.
  Você é cobra no assunto? Na dúvida, faça o teste. Se a frase estiver certa, escreva V, de verdadeiro. Se errada, F, de falso. Por fim, marque a seqüência que lhe vai abrir as portas da universidade.

  ( ) Paulo e João estudam na UnB. Este cursa Direito: aquele Economia.

  ( ) Paulo e João estudam na UnB. Este cursa Direito; aquele, Economia.

  ( ) Paulo e João estudam na UnB. Este, cursa Direito; aquele, Economia.

  ( ) Paulo e João estudam na UnB. Este cursa Direito; esse, Economia.
  
  a. V, V, V, F
  b. F, V, V, F
  c. F, F, F, V
  d. F, V, F, F

  
  Marcou a letra d? Nota mil. Você está cobra no emprego do este...aquele em estrutura fechada. A duplinha se chama assim porque só pode ter essa forma. Siga em frente.
  Inclinou-se por outra opção? Bobeou. Você está por fora. Ou no emprego dos pronomes. Ou na pontuação. Seja qual for o caso, não se desespere. O remédio é doce. E a cura garantida. Quer ver?

***

  • Paulo e João estudam na UnB. João cursa Direito, Paulo cursa Economia.

      Feia, não? O período ficou pesado. Tem muitas repetições. Paulo aparece duas vezes. João também. Cursa idem.

      Que tal ser mais econômico? Em certas horas, bancar o Tio Patinhas conquista o leitor. E garante pontinhos na prova. A língua, generosa, dá sua mãozinha.

    ***

  • Paulo e João estudam na UnB. Este cursa Direito; aquele, Economia.

      Reparou? O este substitui o nome mais próximo (João). O aquele, o mais distante (Paulo). Para não repetir o verbo, recorremos à vírgula. O sinalzinho diz que ali era lugar do cursar.

    ***

    E o ponto-e-vírgula? A dupla é chique que só. Separa as orações coordenadas. Por que ela teve vez? É simples. No período aparecem duas vírgulas. Uma substitui o verbo. A outra separa orações coordenadas. Para evitar confusões, as coordenadas ficam com a dose dupla.

    ***

      Agora você está pra lá de sabido. É capaz de explicar por que as outras frases não estão com nada. Vamos lá. Arregace as mangas.
  •   Paulo e João estudam na UnB. Este cursa Direito: aquele, Economia.

      Os dois pontos não têm vez aí. O ponto-e-vírgula pede passagem.
  • Paulo e João estudam na UnB. Este, cursa Direito; aquele, Economia.

      Cruz-credo! A vírgula depois do este separa o sujeito do verbo. É proibido.

  • Paulo e João estudam na UnB. Este cursa Direito; esse, Economia.

      A estrutura é fechada, lembra-se? O este...aquele têm exclusividade. O esse usurpou o lugar do aquele. Xô!

      
    MÃOS À OBRA

      O período que merece entrar na universidade é:

      a. Maria e Carla são bancárias. Esta trabalha no Itaú; aquela, no Bradesco.

      b. Maria e Carla são bancárias. Esta trabalha no Itaú; essa, no Bradesco.


    ***

      A resposta? Na segunda. Até lá.

    ***

      Na semana passada, você enfrentou o desafio do emprego dos demonstrativos como referência no texto. Qual das frases mereceu nota dez?

      a. Verissimo disse esta frase de efeito: ‘‘A gramática precisa apanhar todos os dias para saber quem é que manda’’.

      b. ‘‘A gramática precisa apanhar todos os dias para saber quem é que manda.’’ O autor dessa frase é Luiz Fernando Verissimo.


      Reparou? Ambos os períodos estão corretos. No primeiro, o esta indica referência futura. Anuncia a frase que será dita. Na segunda, o essa exprime referência passada. Diz que a frase já foi dita.


    Eles disseram
    ‘‘Ler nos dá a experiência para sair das saias justas que encontramos pela vida’’

    Ana Maria Machado


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