Brasília, segunda-feira, 01 de julho de 2002
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Dinheiro - Dicas de investimento




SEU BOLSO
Cuidado redobrado

Fraudes nos balanços de empresas como a Xerox, WorldCom e Enron aumentam a desconfiança dos investidores no mercado de ações. Só deve investir na Bolsa quem está disposto a correr riscos

Da Redação
Com Agência Estado

Somente no primeiro semestre do ano, as perdas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) somaram 18%. No lado norte das Américas, corporações como a Xerox, a WorldCom e a Enron provocaram tremores e prejuízos milionários no mercado de ações por causa de fraudes bilionárias em seus balanços. Entre os investidores, a desconfiança é cada vez maior. Principalmente porque, durante muito tempo, o controle sobre os balanços contábeis das empresas americanas foram tidos como modelo para todo o mundo.

  ‘‘Tínhamos o balanço americano como espelho. Depois dos casos da WorldCom, da Enron e da Xerox, as pessoas ficaram desconfiadas. Isso é preocupante’’, analisa Alexandre Guimarães, presidente da Associação Brasileira dos Analistas do Mercado de Capitais (Abamec) no Centro-Oeste.

  No Brasil, destaca Guimarães, uma tentativa de dar mais segurança ao investidor foi a criação, em dezembro de 2000, do Novo Mercado. O sistema faz parte da Bovespa, mas negocia apenas ações com direito a voto, o que proporciona ao investidor uma participação mais ativa. Além disso, para a empresa poder oferecer suas ações no Novo Mercado é preciso que ela siga uma série de regras rígidas sobre transparência na administração. ‘‘Ainda seremos espelho para os americanos’’, brinca o dirigente da Abamec.

  Na verdade, o Novo Mercado é apenas uma variação do que já acontece em outros lugares do mundo como Alemanha, Inglaterra, França e Itália. A proposta é oferecer mais garantias aos investidores e, com isso, baratear o preço da captação de recursos. É como se o investidor estivesse comprando um produto diferenciado, com mais segurança. As regras do Novo Mercado são tão rígidas para os atuais padrões brasileiros que somente duas empresas participam dele até agora.

  Por isso, não é à toa que os investidores estão cada vez mais desconfiados. Com baixa de 14,37%, a Bolsa de São Paulo deve encerrar junho com o pior desempenho entre as opções de investimento do mês. No entanto, muito maior do que a desconfiança nas empresas é a incerteza sobre a solidez dos indicadores da economia brasileira e os desdobramentos da disputa eleitoral.

  ‘‘Com a proximidade das eleições presidenciais, os investidores
ficam inseguros em relação aos meios a serem usados pelo próximo governo para administrar a dívida do país’’, diz Noriko Yokota, diretora de renda variável da Citigroup Asset Management. ‘‘Esse cenário estimula a alta das taxas de juros e da taxa de risco-país, fatores que prejudicam o desempenho da bolsa.’’

  O temor se justifica. Em 3 de junho, por exemplo, a taxa de risco-país fechou em 1.006 pontos, segundo a agência classificadora JP Morgan. Na última sexta-feira, o risco Brasil atingiu 1.635 pontos. Isso significa que, no início do mês, o governo brasileiro pagava 10.06 pontos percentuais acima dos juros americanos. No último dia útil de junho essa diferença era de 16,35 pontos percentuais.

  A taxa de risco mede a confiança dos investidores em relação à capacidade de um governo pagar a dívida do país. É calculada pela diferença entre os juros pagos pelo governo americano e os juros dos títulos brasileiros. ‘‘Ao avaliar o valor do papel de uma companhia, a taxa de risco-país é levada em conta’’, explica Yokota. ‘‘Isso porque, mesmo que ela tenha uma boa gestão e condições favoráveis de crescimento, o risco-país influencia a taxa de juros que essa empresa terá de pagar na captação de recursos. O que significa influenciar os custos dessa empresa.’’

  Portanto, quem escolhe a bolsa para aplicar parte de sua poupança precisa estar preparado para períodos de oscilação e possíveis perdas. Em geral, a principal recomendação dos analistas é que apenas a parte dos recursos que não tem um prazo definido para resgate seja direcionada para o investimento em ações. Se o aplicador tomar esse cuidado, mesmo que o preço dos papéis recue, ele poderá aguardar um momento melhor para vendê-los (leia quadro acima).


BÊ-A-BÁ

O QUE É UMA AÇÃO?
  • Um título representativo de um empréstimo que o investidor fez para uma empresa e que representa a propriedade da menor parcela do capital de uma empresa.
      
    COMO PODEM SER CLASSIFICADOS OS INVESTIMENTOS EM AÇÕES?
  • Renda variável, sempre com altos riscos de perdas e ganhos. Não há garantias de retorno nos investimentos.
      
    EXISTE ALGUM PRAZO MÍNIMO PARA O INVESTIMENTO EM AÇÕES?
  • Não. Mas os especialistas recomendam que seja um investimento para longo prazo, de 10 ou 20 anos. A pressa em vender as ações pode acarretar em altas perdas.
      
    EXISTEM QUANTOS TIPOS DIFERENTES DE AÇÕES NEGOCIADAS NO MERCADO?
  • Dois. Ações ordinárias e ações preferenciais. As ordinárias dão direito a voto nas assembléias gerais de acionistas. As preferenciais têm prioridade no recebimento dos dividendos.

    QUEM DEVE INVESTIR
  • Especialistas recomendam o investimento para pessoas que não tenham dívidas

  • O investidor deve ter o equivalente a seis vezes o valor das despesas mensais aplicado em fundos de renda fixa
      
    COMO INVESTIR
  • Procure uma corretora credenciada da Bovespa no site www.bovespa.com.br

  • Pesquise as taxas cobradas. Elas variam até 0,5% do valor do investimento, mas podem ser negociadas e reduzidas à medida que a pessoa se torna cliente assíduo

  • Acompanhe os balanços das empresas divulgados no site da Comissão de Valores Mobiliários (www.cvm.gov.br)

  • Dê preferência para aplicações feitas pela Internet. As taxas cobradas geralmente são mais baratas

  • Diversifique o investimento. Aplique um pouco de dinheiro no setor elétrico, no de serviços, telecomunicações, etc

  • Não aplique muito dinheiro de uma vez. Procure comprar pouco, mas com freqüência. Se você tem R$ 100 mil, por exemplo, aplique R$ 5 mil por mês

  • Tenha sempre uma reserva de dinheiro, pois há momentos ruins para vender ações na bolsa

  • Dê preferência para empresas ou fundos que trabalhem apenas com governança corporativa

  • Acompanhe quanto estão valendo as ações no site da Bovespa ou em sites especializados

    Serviço
    Sites especializados em aplicações na bolsa
    www.bb.com.br
    www.investshop.com.br
    www.investa.com.br
    www.maxblue.com.br
    www.patagon.com.br
    www.bradesco.com.br
    www.dynamo.com.br


    Fonte: Mauro Halfeld, consultor de finanças pessoais
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