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Por Dad Squarisi Um ao lado do outro ‘‘A vírgula não foi feita pra humilhar ninguém’’, disse José Cândido de Carvalho. Com razão. O sinalzinho existe para indicar pausa rápida, menor que o ponto. Onde usá-lo? Palpites não faltam. Uns dizem que é questão de gosto. A gente põe a danadinha onde tem vontade. Outros afirmam que é problema de respiração. Parou pra tomar um arzinho? Pronto. Taca-lhe a vírgula. Aí surge um problema. Como os gagos e os asmáticos vão se virar? Na verdade, o emprego da vírgula obedece a três regras principais. A mocinha separa termos coordenados, explicativos e deslocados. Hoje, vamos desvendar os mistérios do primeiro caso. Você os conhece? Faça o teste para certificar-se. Se a frase estiver certinha da silva, escreva V, de verdadeiro. Se não, assinale-a com F, de falso: ( ) Paulo, Luís, e Maria passaram no vestibular. ( ) Na feira, comprei maçã, uva e banana. ( ) Gosto de cinema, teatro, e música. ( ) Fui ao teatro e, ao cinema. a. F, V, F, F b. F, V, V, F c. V, F, V, F d. V, V, F, V Escolheu a letra a? Pra lá de certo. Você conhece os segredos dos termos coordenados. Preferiu outra opção? Sinal vermelho! Você atropela o assunto. Mas não se preocupe. Uma lidinha na lição lhe abrirá o caminho. *** Coordenado significa ordenado ao lado do outro. Imagine que você esteja no cinema. Há vários espectadores. Um é independente do outro. Cada um tem cabeça, pernas, olhos. Eles escolhem um lugar e sentam-se. Para não ficarem embolados, o descanso da poltrona os separa. Os cinéfilos ficam coordenados. *** Na frase, também aparecem termos independentes. A única relação entre eles é estarem postos um ao lado do outro. Sempre que na oração aparecer mais de um sujeito, mais de um objeto, mais de um objeto, haverá termos coordenados. Como os espectadores do cinema, eles precisam ser separados. Como? Há dois jeitos. Um: recorrer à vírgula. O outro: pedir ajuda à conjunção. *** Veja: Paulo, Luís e Maria (sujeito composto) passaram no vestibular. Na feira, comprei uma, maçã e banana (objeto direto). Gosto de cinema, teatro e música (Objeto indireto). Fui ao teatro, ao circo e ao cinema (objeto indireto). Moleza, não? Só erra quem vive nas nuvens. Não é o seu caso. Ou é? *** Na separação dos termos compostos, o e ora aparece, ora some: a. No shopping, comprei sapatos, bolsas, blusas e saias. b. No shopping, comprei sapatos, bolsas, blusas, saias. Capricho? Não. A presença do e diz: comprei só os quatro objetos citados. Nenhum mais. A ausência da preposição significa que comprei outros objetos além dos referidos. Vale pelo etc. *** Mãos à obra *Brasília é uma cidade planejada, limpa e segura. A frase diz que: a. Brasília tem só as características citadas (planejada, limpa, segura). b. Brasília tem outras características além das citadas. *** A resposta? Na segunda. Até lá. *** Na semana passada, o desafio tratou do emprego do isto e isso. Entre dois períodos, você teve de escolher o certinho da silva: a. Depois disso tudo que você disse, não tenho mais nada a declarar. b. Depois disso tudo que você disse, não tenho mais nada a declarar. Optou pela letra a? Pra lá de certo. A oração ‘que você disse’’ indica que houve referência anterior. Daí a vez do isso. Eles disseram ‘‘O educador é um fundador de mundos, mediador de esperanças, pastor de projetos.’’ Rubem Alves As perguntas para esta seção devem ser enviadas para Correio Braziliense - Redação SIG Quadra 2, Lote 340, Brasília, DF. CEP:70.610-901 dad@correioweb.com.br |
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