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Censura, não
Roberto S. Lemos
Brasília
Oportuna a discussão, mas o meu medo é que baixe a censura. O álcool, o dinheiro, o consumo, a religião, o trabalho quando exagerados são prejudiciais em qualquer área. As pessoas precisam se educar. E os desequilibrados não podem ditar as regras. Acho hipócrita a sociedade que tolera álcool e reprime drogas mais leves como ‘‘portas de entrada’’ para vícios maiores. Mas creio que a sociedade precisa segurar a onda da angústia com o ‘‘alívio’’ de drogas leves, como uma geladinha no fim do expediente, para agüentar a barra de frustração na vida, e, principalmente, no trabalho e na política.
Agora, uma caixa de geladinhas, todo dia, já começa a patologia. Logo a pessoa pula para um efeito mais forte e aí a angústia vai aumentar. Mas tem gente que convive bem com doses certas na hora certa, tipo ‘‘aprecie com moderação’’. Censurar é horrível. Mas horários especiais pode dar certo. Afinal, a criançada — sexualmente precoce desde a invenção da Xuxa e seus shortinhos e requebros — começa a achar normal que para namorar uma gata daquela vai ter que tomar umas geladas. Quem dera. Se fosse verdade eu seria o cara mais realizado do mundo. Tomo todas, mas nunca me apareceu nenhuma! Mas não é por isso que vou tomar mais, ou outras.
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Vício e banalização
Lafaiete Luiz do Nascimento
Guará
Deveria haver advertência ou controle na propaganda de bebidas alcóolicas? A palavra álcool origina-se do árabe ‘al-kuhul’, líquido; cerveja vem do latim ’cervesìa’ ou ’cerevisìa’, cerveja, bebida fermentada, palavra de origem gaulesa, que já aparece em Plínio (27-79 d.C.).
O consumo de cerveja pelos jovens era comum na Antiguidade: muitos contos, lendas e canções de amor relatam os seus poderes afrodisíacos. Segundo o Escritório das Nações Unidas para o Controle de Drogas e Prevenção ao Crime (UNDCP) ‘‘o seu uso social e festivo era bem tolerado, embora, já no Egito, moralistas populares se levantassem contra o seu abuso ‘por desviar os jovens dos estudos’. A embriaguez, no entanto, era tolerada apenas quando decorrente de celebrações religiosas, onde era considerada normal ou mesmo estimulada’’.
O problema do avanço do consumo de cerveja no Brasil é semelhante ao da maconha: a banalização do vício. A tolerância com o álcool e o cigarro produziu o fenômeno ‘‘cigarrinho’’ e ‘‘cervejinha’’, e já há quem use a expressão ‘‘baseadinho’’ para referir-se à maconha como fumo; consome-se mais álcool per capita do que leite. A TV vende cerveja como se chiclete fosse. Os pentacampeões mundiais desfilaram pelas avenidas de Brasília e São Paulo em carros que ostentavam publicidade chamativa de conhecida cervejaria. Crianças e adolescentes, hipnotizados pelo feito dos heróis nos gramados, vão, inconscientemente, introjetando a idéia do consumo com a de êxito e bem-estar.
A propaganda de cerveja é fascinante, mostra jovens rindo, contando piadas, namorando na praia, jogando truco em botecos agradabilíssimos, e usa pessoas bem-sucedidas e rostos bonitos, quando, na vida real, personalidades públicas têm ou tiveram problemas com drogas e álcool.
O álcool causa mais males à sociedade que todas as drogas somadas. O Ministério da Saúde sabe disso. O governo não coíbe a massiva propaganda na TV porque os tributos arrecadados a partir do fato da produção e do comércio da ‘‘geladinha’’ entupirem o caixa do Fisco; não lhe interessa, por óbvio, coibir o exagerado consumo entre os jovens. Deixa, portanto, penosa tarefa para a já sofrida família brasileira: lutar contra o fascínio da publicidade da cerveja. Mostra-se bem-vindo, pois, o alerta do presidente da Secretaria Nacional Antidrogas, general Paulo Roberto Uchôa, e da senadora Heloísa Helena contra o charme sedutor da propaganda de bebidas alcóolicas veiculadas em qualquer horário, associando acintosamente seus símbolos aos chamados ‘‘heróis do Penta’’.
É preciso dar à publicidade da cerveja o mesmo tratamento dado às bebidas destiladas, cuja propaganda só pode ir ao ar altas horas da noite, quando, em tese, crianças já dormem.
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Estou limpa!
Sheila Carvalho Alves
Jardim Ingá — Luziânia (GO)
Ainda não tinha visto, em horário nobre de televisão, repercussão tão grande quanto a de um problema que infecta, há tempo, nossa sociedade — a droga. Glória Perez merecia os louvores de quem se arriscou a levantar uma questão até então pouco divulgada, salvo entre aqueles que vivem a situação. Numa entrevista, o secretário-geral da Senad — Paulo Uchoa, admitiu que, devido à repercussão da droga na novela, se via obrigado a tomar providências. Ironicamente elas já começaram: dia 19/6 teve a IV Semana Nacional Antidrogas. Com cerimônias, presidente da República, encontro da mídia, desfile com atores, corrida pela vida (como se algum usuário de droga tivesse condições de correr, salvo se for da polícia ou atrás de mais drogas!), exposições, apresentações de música, teatro etc...
A Justiça Terapêutica na novela funcionou tão bem! Seria um bom começo para amenizar os ‘‘estragos’’ das drogas em nossas famílias; mas aqui fora ela funciona? Existe pessoal preparado para lidar com crianças, adolescentes e adultos já com histórico de dependência desta ou aquela droga? Se uma escritora, para escrever sua novela conseguiu saber tanto, por que o titular da Secretaria Antidrogas também não faz o mesmo para pelo menos tentar? Sabe, depois de tudo isso dá até vontade de ir no bar ali da esquina e tomar todas (faria isso se não fosse uma dependente química em recuperação). Sou coordenadora do grupo de ajuda mútua ‘‘Despertar’’, funcionária pública, formada em Economia Política, pós-graduação em Administração de Recursos Humanos, e mais...). Graças a Deus, só por hoje, estou limpa.
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Droga de violência
Edilson Ricardo
Taguatinga
Manhã de sábado, dia ensolarado. Na QSD, próximo à Casa Thomas Jefferson e o Colégio Objetivo, a garotada chegava para mais uma aula rotineira. Na rua, crianças brincavam normalmente. Tudo parecia que seria mais um dia normal. Entretanto, a tranqüilidade foi quebrada com a correria de duas pessoas que vinham da esquina, próximo a Global Veículos, em frente ao Taguatinga Shopping. Logo atrás, vinham várias pessoas correndo e gritando ‘‘ladrão !’’ ‘‘pega ladrão!’’
O marginal que estava na frente saca de uma pistola imensa e reluzente, atira três vezes, um dos tiros passando de raspão na cabeça de uma senhora que estava sentada debaixo de uma árvore. Eles correm pela rua com a arma em punho, levando os moradores ao desespero, isso porque a perseguição era implacável e perigosa. Os bandidos que fugiam, após correr várias quadras conseguem interceptar uma pessoa que estava com uma pick-up, roubam o carro e fogem. Você deve estar se perguntando: e a polícia? A polícia apareceu uma hora depois para multar dois carros que estavam estacionados em local proibido.
Resumo da ópera: a polícia, a gente só vê de dia e mesmo assim para multar um cristão (alguém). A PM deveria se unificar com o Detran, pois assim teria mais sentido a função de ambos.
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Homenagem a Cascon
Pedro Couto
Brasília
Há poucos dias morreu o jornalista Afonso Cascon, um perseguido da ditadura de 64, que estava na direção do Correio da Manhã quando de sua última edição na noite de 7 de junho de 74. O jornal vinha mal, mas a presença de Cascon, um editor-chefe pouco lembrado, foi corajosa e brilhante. Apesar do veto da censura, ele publicou em 73 a matéria sobre o brutal assassinato da menina Ana Lídia, em Brasília. O principal acusado, Alfredo Buzaid Júnior, era filho do ministro da Justiça do governo Médici.
A censura, obscurantista e sempre infame, tentava proteger um acusado de crime hediondo. Meses depois, Cascon enfrentaria novamente a Polícia Federal da época, publicando a escolha nos bastidores militares do general Ernesto Geisel para substituir Médici no Planalto. Foi embora deixando como herança a dignidade e a coragem.
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Resposta da Semana — O que você tem a dizer sobre isso?
Controle na propaganda de bebidas alcóolicas
Você penta que cerveja é água? Pois é, 65% das correspondências não a compararam ao tabaco. A maioria, nesse grupo, fez questão de lembrar a desfeita ao ‘‘herói de todo dia’’, o Corpo de Bombeiros. Na defesa tipo ‘‘escancara geral’’, que é lícito ‘‘se drogar socialmente para agüentar a barra’’, uma carta, reproduzida abaixo, extraída de um grupo de 5% das correspondências. Mesmo nesse grupo, da liberação total, a maioria não acha ser necessário um controle sobre o conteúdo, mas é unânime em apontar que a propaganda deve ficar restrita a certos horários (e não banida, como ocorreu com o cigarro). O restante demonstra indiferença pelo ‘‘risco de virar moralista’’ (leitor Ademar Monteiro, do Guará). Amanhã tem nova pergunta com resposta na terça, 23 julho. Por favor, sempre, escrevam no máximo em 25 linhas. A maioria não é publicada pelos longos textos enviados. Gratos. (TT)
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