Brasília, quinta-feira, 18 de julho de 2002
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Justo e pecador


Por Fernando Calmon
fernandocalmon@usa.net

Um dos maiores embaraços ao nosso trânsito é a proliferação dos quebra-molas, também conhecidos por lombadas. Dizem que se trata de uma iniciativa brasileira, introduzida no começo dos anos 80 em Curitiba, PR. Sua origem, de fato, é inglesa e raramente utilizada por seus criadores. Lá e em alguns outros países existe uma espécie de plataforma de poucos centímetros de altura e largura superior ao comprimento de um veículo para travessia de pedestres. Na Inglaterra também se usa o quebra-mola inflável, ligado a um prévio sensor de velocidade bem sinalizado. Nos EUA, pequenas ondulações quase imperceptíveis alertam, em poucos locais, sobre áreas de alto risco para pedestres.

  No Brasil estes calombos artificiais foram proibidos pelo novo Código de Trânsito Brasileiro, desde 1997. Entretanto, uma resolução posterior do Contran decidiu regulamentar com rigor o seu uso, tratando-os como exceção. Não se poderia construí-los em vias de tráfego rápido ou de grande volume de circulação ou mesmo onde circulam ônibus. Além disso, estabeleceu claramente suas dimensões, digamos, civilizadas, além da sinalização prévia e sobre o próprio obstáculo. Teria de ser reformado ou demolido tudo que estivesse em desacordo.

  Claro, trata-se de mais uma lei que não pegou. Para tudo se inventam quebra-molas. Relatos em jornais são comuns. Em certos loteamentos de beira de estrada eles estão lá para obrigar o motorista a diminuir a velocidade e olhar as placas de publicidade. Em São Paulo, SP uma moradora convenceu os vizinhos depois do atropelamento de seu cachorro. O resultado desta loucura coletiva é que há mais de 20.000 quebra-molas clandestinos na maior cidade brasileira, fora os 4.000 pedidos de novas instalações. Em recente teste pelas ruas de Florianópolis, os jornalistas enfrentaram 90 quebra-molas em um roteiro de menos de 50 quilômetros.

  Há muitos argumentos contrários. Inúmeros acidentes já foram causados por obstáculos, à noite ou mesmo de dia, pela sinalização inexistente ou desgastada. Ambulâncias e veículos de combate a incêndio perdem preciosos minutos em emergências. O prejuízo com a diminuição da vida útil de freios, pneus e componentes de suspensão é incalculável. Os automóveis precisam ser mais altos, advindo diminuição da estabilidade, aumento no consumo de combustível e mais poluição pois a reaceleração piora as emissões. Sem contar perdas aerodinâmicas e de estéticas com as partes baixas visíveis.

  O exagero desmedido está minando o objetivo de segurança viária. Os meios servem de justificativas para os fins. Nada contra os quebra-molas ‘‘eletrônicos’’, por exemplo. Por serem caros e exigir manutenção só seriam construídos onde realmente fossem necessários. Muitas vezes há ausência de sinalização ou de passarela. Mas o administrador público por falta de diálogo, verba ou competência prefere jogar cimento ou asfalto sobre a via e ‘‘resolver’’ o problema da comunidade.

  Ainda bem que há exemplos de civilidade. Em cidades de porte grande (Rio de Janeiro), médio (Jacareí, na Grande São Paulo) e pequeno, (Pomerode, SC), só para citar algumas, não existe o problema. Nestas e várias outras, o justo não paga pelo pecador.


Roda Viva

Queda nas vendas

Primeiro semestre apontou queda de 18% nas vendas internas, em relação a 2001. Estoque total subiu de 41 para 46 dias, de maio para junho deste ano. Ainda assim, Anfavea prefere esperar até agosto para revisar sua previsão de 3% de crescimento em 2002. Exportações agora poderão aumentar pelo novo acordo com o México e simplificação fiscal (PIS/Cofins substituto) recém-implementada.

Investimentos

Mais uma pequena fábrica de veículos leves. Grupo português Tricos investirá US$ 14 milhões em Palmas, TO para três produtos da nova marca Fabral: utilitário Land Rover, de geração anterior, feito na Espanha pela Santana Motor (aqui se chamará Jalapão); picape média da indiana Tata e chassi de microônibus de fabricante coreano. Mesmo em nichos de mercado, país ainda atrai interessados.

Desmentido

Principal novo executivo mundial da Fiat, Giancarlo Boschetti, fez viagem-relâmpago ao Brasil para confirmar investimentos. ‘‘Especulações nos prejudicam’’, queixou-se, em relação ao noticiário internacional sobre venda da marca à GM antes de 2004. Por coincidência, série de 20 meses consecutivos de liderança Fiat no atacado de automóveis e comerciais leves foi interrompida no mês passado pela Volkswagen (mesmo sem Audi e Seat).

Lançamento

Celta de cinco portas pode ajudar a preencher capacidade da fábrica de Gravataí, RS em dois turnos, se vendas do modelo subirem 20%, como estima a GMB. Agora, as duas versões do compacto utilizam o mesmo motor do novo Corsa com 70cv (perdeu 1cv por diferenças geométricas). Desempenho ficou bem melhor porque conjunto é mais leve em até 180kg.


 
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