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Brasília, capital cívica cotrim@correioweb.com.br ‘‘Canta com fé e orgulho a terra em que nasceste’’, exorta Bilac. ‘‘A vida é um assunto local’’, Chaplin define. ‘‘Canta tua aldeia e cantarás o mundo”, Tchekov cheio de razão. Visões minimalistas? É natural do ser humano: a casa, a rua, o bairro, a cidade, a pátria. Para Sêneca, deve-se amar a pátria não por ela ser grande, mas por ser sua. Sentimento que, disseminado, provoca formidável sinergia de vontades e aspirações. Estreitas e mesquinhas disputas fazem a guerra, a mais estúpida manifestação das gentes através dos tempos. Infelizmente temos que esperar, pois só em dia longínquo o mundo será, de fato, uma grande família, com a unânime consagração da fraternidade. Sem pieguices e impregnada na alma de cada um de nós. Isso vai acontecer quando, afinal, convivermos com seres de outros corpos celestes, os extra-terrestres que fatalmente, inexoravelmente, nos encontrarão em algum lugar do Cosmo - por que não neste cantinho do céu que nos acolhe? Uma instituição fundada em 1916 zela pela manutenção da chama. É a Liga da Defesa Nacional. Defesa nacional que nada tem a ver - como imaginará algum néscio - com a retaguarda de nossa seleção cinco vezes campeã. Abro parêntese: ela não é pencatampeã coisíssima nenhuma. Nesse caso, e pelo mesmo raciocínio, o glorioso e centenário Fluminense, 29 vezes campeão do Rio de Janeiro devia ser chamado de enabidecacampeão, não é? E, por extensão lógica, o Bangu seria bicampeão, pois foi vitorioso em 33 e 66 e o América hexacampeão, pois ganhou seis títulos, em 13, 16, 22 28, 31 e 60. Alguém já os chamou assim? O Brasil é o único país que assume essa asneira inventada pela mídia. Nunca a Alemanha se declarou tricampeã, tampouco a Itália, nem os próprios argentinos ousam arvorar-se em bicampeões por terem ganho em 78 e 86. Fecho o parêntese. Vamos ao assunto de hoje. Uma oportuna proposta da Liga sugere que se promova campanha intitulada Brasília Capital do Civismo, embrião de um rastilho que pode capilarizar-se por todos os grotões brasileiros. Um enxoval de iniciativas de duração indeterminada prevê dezenas, centenas, milhares, milhões de pensamentos, palavras e obras que enalteçam os símbolos nacionais, ícones para o alcance de uma genuína coesão de nosso povo, tão desligado do que é substantivo e distraído com o adjetivo - o hedonismo traduzido em coisas superficiais como samba, Carnaval e futebol. A bandeira tremulando em prédios públicos e particulares, o canto solene de nosso hino pelo menos uma vez por semana em todas as escolas da cidade, o engajamento do empresariado com a distribuição de farta e estimulante folheteria, a publicação de mensagens cívicas nas contas de energia, água e telefonia, incentivo à realização de palestras em sindicatos, clubes sociais e de serviço, entidades religiosas de todos os credos, uma infinidade de idéias a concretizar. Viva o Brasil com toda a força de nossos pulmões, acima dos discursos sectários da caça ao voto. Esperança de que a campanha eleitoral em curso pode gerar, daqui a poucos meses, um governo comprometido com o orgulho de ser brasileiro - e, sobretudo, de sê-lo num país próspero, justo e feliz. feito, não existisse uma roseira para plantar, uma obra para iniciar’’ (Gabriela Mistral). |
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