|
|
|
Por Dad Squarisi
Explicadinho da silva - 1
Os mistérios da vírgula vão ficando pra lá. A antepenúltima coluna tratou dos termos coordenados. A penúltima, das orações coordenadas. Aí, pronto. A primeira regra — a da coordenação — ficou pra trás. Entramos, então, na segunda. A última coluna desvendou os segredos dos termos explicativos. Mostrou, tintim por tintim, a razão por que alguns nomes vêm separados por vírgula e outros não. Os explicativos pedem o sinalzinho. Os restritivos querem distância dele.
Hoje é vez das orações adjetivas. Elas também podem ser explicativas e restritivas. No primeiro caso, são separadas por vírgula. No segundo, nem pensar. Você sabe a diferença entre uma e outra?
Antes de responder, faça o teste. Se a afirmação estiver certinha, escreva V, de verdadeiro. Se não, assinale-a com F, de falso:
Meus quatro irmãos que chegaram de São Paulo estudam na USP.
A frase diz:
( ) Eu só tenho quatro irmãos
( ) Meus quatro irmãos que estudam na USP moram na cidade de São Paulo
( ) Eu tenho mais de quatro irmãos
( ) Quatro irmãos meus estudam na USP
a. F, F, V, V
b. V, V, F, V
c. F, V, F, V
d. V, F, F, V
Optou pela letra a? Pra lá de certo. As orações adjetivas não têm mistério pra você. Ficou tentado por outra letra? Bobeou. Mas não se desespere. Nem tudo está perdido. O diabo não é tão feio quanto o pintam. Uma estudadinha porá seus conhecimentos nos trilhos.
Outro jeito
A língua detesta monotonia. Flexível, oferece vários jeitos de dizer a mesma coisa. Por isso se diz que a danadinha é um conjunto de possibilidades.
Vale o exemplo. Uma hora digo casa. Outra, residência. Adiante, lar. Mais tarde, domicílio. Puxa! Que fartura!
|
Restringir e explicar
Há mais de um jeito de restringir ou explicar o nome. Veja:
O aluno estudioso tira boas notas.
O aluno que estuda tira boas notas.
As frases dizem que há alunos e alunos. Não é qualquer um que tira boas notas. Só chega lá quem se debruça sobre os livros. Numa, o termo restritivo é adjetivo (estudioso). Noutra, oração adjetiva (que estuda). O tratamento mantém-se. Nada de vírgula.
|
Com as explicativas ocorre o mesmo:
O homem, mortal, tem alma imortal.
O homem, que é mortal, tem alma imortal.
Ora, todo homem morre. Mais cedo ou mais tarde, vai pro céu. Por isso, mortal é termo explicativo. Vai entre vírgulas. A oração correspondente — que é mortal — segue a regra.
|
Teste
Reparou? O teste inicial cobrou a distinção entre oração restritiva e explicativa. O vestibular é useiro e vezeiro em questões como a proposta:
Meus quatro irmãos que chegaram de São Paulo estudam na USP.
A oração ‘‘que chegaram de São Paulo’’ é restritiva. Significa que tenho mais que quatro irmãos. Se fossem só quatro, a oração seria explicativa. Estaria entre vírgulas.
A frase não diz que meus quatro irmãos que estudam na USP moram na cidade de São Paulo. Diz que moram em São Paulo. Pode ser em Ribeirão Preto, Campinas, Santo André.
Que casca de banana, hein?
|
Mãos à obra
Minha irmã, que estuda na UnB, passou no concurso do tribunal.
Segundo a frase:
a. Só tenho uma irmã.
b. Não é possível saber quantas irmãs eu tenho.
A resposta? Na segunda. Até lá.
Eis o desafio da semana passada:
Merece nota dez a pontuação do período:
a. Na minha cidade natal Porto Alegre faz muito frio.
b. Na minha cidade natal, Porto Alegre, faz muito frio.
Marcou a letra b? Viva! Eu só tenho uma cidade natal. Porto Alegre é termo explicativo. Vem presinho entre vírgulas.
|
Eles disseram
‘‘Minha pátria é minha língua.’’
Caetano Veloso
|
As perguntas para esta seção devem ser enviadas para Correio Braziliense - Redação SIG Quadra 2, Lote 340, Brasília, DF. CEP:70.610-901 dad@correioweb.com.br
|
|
|