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Por Fernando Calmon fernandocalmon@usa.net
Desafio final
Qualidade dos combustíveis é um assunto que preocupa os proprietários de veículos. Infelizmente, o processo de liberação do mercado, decisão correta sem dúvida, talvez tenha sido conduzido com insuficiente respaldo jurídico. A livre competição, regime ideal para equilíbrio e até redução dos preços, deveria ter sido acompanhada por uma legislação rigorosa e clara, que não desse margem a interpretações judiciais equivocadas, de boa ou má fé.
‘‘Desafios para os combustíveis, lubrificantes e aditivos automotivos no Brasil’’ foi o tema, muito a propósito, do seminário realizado há pouco, em São Paulo, SP, por iniciativa da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva. Segundo o Sindicom (sindicatos das maiores distribuidoras), existem hoje 230 empresas neste setor, sendo que um terço delas operam respaldas por liminares da Justiça. Trata-se de uma situação insustentável pelo grande número de operações a fiscalizar quanto a fraudes tributárias e qualidade do produto.
Seria um exagero afirmar que a venda de derivados nos postos se tornou uma ameaça à vida dos motores ou ao bolso do motorista. Mesmo porque a sonegação fiscal nem sempre é acompanhada pela adulteração com solvente, rafinado, aguarrás, querosene ou coisa pior. O simples aumento do teor de álcool em cinco pontos porcentuais, já daria uma margem ilegal de 4% sobre o preço final, embolsada por distribuidoras ou donos de postos desonestos, mesmo sem danos para o motor. O Sindicom estima, ainda, que há clandestinidade em 35% do volume de álcool vendido.
A ANP (Agência Nacional de Petróleo) reconhece a gravidade do problema, mas pondera que vem conseguindo amenizá-lo por meio de um programa nacional de monitoração. ‘‘Entre setembro de 2000 e junho deste ano, amostras de gasolina fora de conformidade diminuíram de 12% para 7%’’, afirmou Antônio Bonomi, superintendente de qualidade de produtos da ANP. Também atribuiu a falhas de manutenção nos veículos certos defeitos imputados erroneamente ao combustível.
Os debates no seminário acaloraram-se sobre a gasolina aditivada, que já representou 70% da comercialização e hoje não passa de 20% . Henry Joseph, da Anfavea, confirmou que todas as montadoras recomendam enfaticamente a aditivada, embora no passado houvesse dissidências. Especialistas presentes asseguraram: a primeira geração de aditivos limpava válvulas e bicos injetores, ao mesmo tempo em que aumentava depósitos na câmara de combustão. A incongruência só foi solucionada nos últimos anos, embora ainda falte a formulação perfeita, mesmo no exterior, capaz de deixar o motor sempre limpo.
A propaganda enganosa quando do lançamento em 1994 da gasolina aditivada, atribuindo-lhe melhora inexistente em termos de desempenho, só fez levar ao descrédito, resultando na baixa aceitação. Restou agora o desafio final. Acabar a gasolina comum e vender apenas a aditivada, sem aumento de preço ou apenas uma variação residual, como ocorre em muitos países. Afinal, o custo do aditivo é de frações de centavos, em total desacordo com até 10% a mais cobrado no preço da bomba. Pode refletir a falta de rentabilidade de quem paga impostos e responde pela qualidade, mas não é razoável.
Roda Viva
Mudanças
Além da reestilização do Astra em outubro, conforme esta coluna antecipou, GMB aproveita para preencher uma grande lacuna desde o lançamento deste médio-compacto: hatch de cinco portas chega também. Versão de três portas, ao contrário do sedã, não emplacou, mas continuará em linha, aproveitando impulso que mudanças de aparência costumam assegurar, pelo menos por algum tempo.
Segredo
Apenas nove meses vão separar recém-lançado Pajero TR4 da versão Full, o até agora secreto terceiro produto da Mitsubishi, que o grupo brasileiro Souza Ramos produzirá em Catalão, GO, ao lado da picape L200. Apesar de não confirmarem, um observador atento reconhece alguns monoblocos do Pajero Full alinhados no fundo do pátio da fábrica. Há planos ainda para o quarto produto, um automóvel.
Mondeo
Segunda geração do Mondeo surpreende pelo espaço interno. Linhas ficaram atuais e agradáveis. Outro ponto forte: novo motor 2-litros de 143cv.
Transmissão manual de cinco marchas tem ré sincronizada e engates fáceis. Também há versão automática. Suspensão mostra calibração ideal para nosso piso e estabilidade impressiona. Falta faixa degradê no pára-brisa e plástico em torno do puxador da porta descascou.
Impostos
Escalada do dólar e do euro está abalando setor importador independente. Abeiva, associação de marcas sem produção no país, pede ao governo redução da alíquota de 35% do imposto de importação. Deveria ter caído para 22% há dois anos, porém Argentina com sua insana paridade cambial ao dólar deu contra. Cotação atual da moeda nos dois paises, de fato, dispensa alíquota tão elevada.
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