Brasília, sexta-feira, 09 de agosto de 2002
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Agressão ao brasileiro

Júlio Ferreira
Recife (PE)

Fiquei absolutamente perplexo e constrangido ao me deparar com fotografia publicada pelos mais diversos órgãos de imprensa no dia 3 de agosto p.p., na qual o candidato Ciro Gomes aparece beijando a mão do ex-senador Antonio Carlos Magalhães, durante evento político realizado na Bahia. Essa foto é uma agressão ao povo brasileiro, na medida em que caracteriza que para atingir os seus objetivos eleitoreiros o candidato é capaz de participar de qualquer tipo de
pantomima.

  São posições como essa que fazem com que o eleitorado fique cada vez mais alheio ao processo político, principalmente porque fica comprovado que não existe sinceridade de propósitos no comportamento de alguns candidatos, que tomam posições prioritariamente embalados pelos ditames do marketing político.

  Registre-se que até pouco tempo atrás o candidato que hoje se posta servilmente ante ACM afirmava publicamente que o ex-senador baiano era ‘‘mais sujo do que pau de galinheiro’’. Agora começo a entender o porquê das constantes comparações entre Ciro Gomes e Fernando Collor.


O jogo do governo

Domingos Oliveira Medeiros
Asa Sul

 Os eleitores de Lula e de Ciro Gomes estão fazendo o jogo do governo enquanto trocam ‘‘farpas’’. Na verdade, bombardeiam as duas candidaturas que, em tese, se contrapõem à do candidato oficial. O Serra está sendo preservado. Ninguém fala dele. Nem bem e nem mal.

  Grande parte da imprensa, tudo indica, o está protegendo. E algumas pesquisas caminham nessa mesma linha de ação. Seja pela via da omissão e do silêncio, seja pela via maldosa de enfatizar tudo que lhe possa ser favorável. Precisamos abrir o olho. Do contrário, nem Lula e nem Ciro. E essa história todos nós conhecemos.

  Dá para desconfiar essa situação de ‘‘pânico’’ na economia. De crescimento desmesurado do dólar. De uma crônica anunciada do caos. E a mídia, de modo geral, parece que faz corpo mole. Sempre atribui as causas do problema ao crescimento nas pesquisas dos candidatos de oposição e às fraudes ocorridas nas bolsas de valores dos Estados Unidos. Não tocam na outra variável da culpa. O próprio governo Fernando Henrique. Que, passados oito anos de mandato, parece que ainda não assumiu, de fato, o governo.

  A impressão que se tem é que cada ministro faz o que lhe dá na telha. A área econômica, principalmente, pratica a mesma política suicida de sempre. Sem consultar a opinião pública. Contrai empréstimos à revelia do Congresso Nacional. Não há limites. Não há regras claras e convincentes para a necessidade desses recursos. Queimam-se dólares toda a semana na fogueira da especulação. Engordam-se as contas dos especuladores. Ao meu ver, essas ações deveriam ser precedidas de consulta ao Congresso Nacional. Afinal de contas, no Congresso estão nossos procuradores que, em tese, foram eleitos para cuidar de nossos interesses. E a conta da dívida sempre sobra para nós mesmos.

  Depois, quando o governo terminar, todos vão embora, como se nada de mal tivessem feito. Ninguém é punido pelos erros. Alguns são até premiados. Ao deixar o governo, passam a ocupar bons empregos no exterior. Em bancos, corretoras de valores, e até em organizações internacionais como a ONU. Prestando consultoria, quem sabe, até para manter a situação de dependência externa. E nós ficamos aqui, eternamente, apertando o cinto para pagar as nossas dívidas e as que eles fizeram.: tudo em nome da soberba e da incompetência.


Cenas da cidade
Coração brasileiro

Foto do leitor Tamilson Ferreira Braz, de Taguatinga
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