Brasília, quinta-feira, 15 de agosto de 2002
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  Alta Roda

Por Fernando Calmon
fernandocalmon@usa.net

Todos ganham

A novela terminou. Finalmente saiu a alíquota intermediária do Imposto de Produtos Industrializados (IPI) para automóveis de média cilindrada, entre 1.000cm3 e 2.000cm3. Conforme esta coluna sempre defendeu, inclusive antecipando a informação de que a decisão seria tomada no segundo semestre, os compradores tiveram restabelecido seu poder de escolha. A alíquota de 16% ainda não é o ideal, mas foi um passo na direção correta.

  Embora tenha sido uma medida estrutural, com efeitos limitados em curto prazo, chega em boa hora. Qualquer diminuição de preço anima um mercado apático e inseguro com o momento político. Do ponto de vista estritamente matemático, deveria significar redução em torno de 8% (0,9% em motores 1.000, até 31 de outubro). Desta vez o governo não compensou os estoques de forma integral, como de outras vezes, o que poderia ter atrasado o repasse imediato aos preços.

  As fábricas foram sensatas e não esperaram o fim do estoque atual. Com exceção da GMB, que titubeou para diminuir os preços dos modelos de baixa cilindrada e ainda ‘‘deve’’ 1,5% nos médios, as demais bancaram o prejuízo de imediato. Os primeiros dias foram um pouco confusos porque muitos automóveis estavam em promoção. A Ford foi a mais transparente ao divulgar os preços sugeridos anteriormente, o promocional e o novo. A Volkswagen fez o repasse integral, mas não atentou que o Polo, agora também na versão com motor de 1 litro de cilindrada, ficou quase com o mesmo preço do 1,6-litro.

  Os motores a álcool não foram esquecidos, mas o governo cometeu um erro. Há mais de 20 anos havia uma diferença de 5 pontos porcentuais a favor do combustível alternativo, em parte para cobrir custos adicionais. Infelizmente, nem a redução proporcional foi contemplada. As alíquotas ficaram em 14% e 9% (até 1.000cm3), mas deveriam ser de 12,8% e 8%. Acertou, porém, em estender o desconto no IPI aos chamados motores duocombustível ou gasalc que podem utilizar qualquer proporção, de 0% a 100%, entre gasolina e álcool.

  Quem ganha e quem perde neste novo jogo? Em princípio, Volkswagen e GMB por terem maior número de opções na faixa 1.000/2.000. A Fiat possui uma unidade moderna de apenas 1.250cm3 e a Ford pára no 1.600. Os italianos podem voltar com o antigo 1.500 nos Palios ou apressar, além do novo Stilo, a adaptação dos motores de origem GMB. Propulsores importados, no atual nível do dólar, tornaram-se quase proibitivos e até a Citroën deve lançar um 1.600 no Picasso. Renault e Peugeot estão bem servidas. O Honda Fit, em abril de 2003, ficará mais competitivo pois só terá motor 1.400.

 Versões 1.000 com 16 válvulas, compressor ou turbocompressor perderão grande parte da atratividade do preço e tendem a ofertas de nicho. Os motores pequenos ficarão nas convencionais 8-válvulas e, de médio a longo prazo, devem responder por 40% das vendas totais (70%, hoje). Motores gasalc chegarão logo, já no final do ano com modelos da Volkswagen, subindo rapidamente a proporção de combustível alternativo (4,5% do total, em julho). Exportações também se beneficiarão com aumento da escala de produção. No final, parece ser mesmo um jogo de ganha-ganha, até na arrecadação final de impostos do governo.


Roda viva

Benefícios
Alguns modelos importados ganharam competitividade com novo IPI. Audi A4, Mercedes Classe C, Citroën C5, Mondeo e Passat são exemplos. BMW terá que alterar sua oferta nesta faixa. Disparada do dólar, entretanto, restringirá vantagem imediata. Carros nacionais mais caros, como A3 e Classe A, também serão beneficiados. Motor de 2,2 litros do Vectra pode recuar para 2 litros. Santana recebeu um sopro de competitividade.

Acelerando
Polo tornou-se o mais rápido dos compactos de 1 litro com motor de aspiração natural. Inéditos 79cv significam pique bom para acelerar. Graças também à transmissão bem curta que implica nível de ruído maior em velocidades mais elevadas (120km/h, conta-giros a 4.500 rpm). Motor mais suave que o 1.600 ameniza este incômodo, aliás pouco sentido em uso urbano. Preço precisa de urgente revisão: R$ 83,00 de diferença em relação ao Polo 1.600.


 
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