Brasília, domingo, 18 de agosto de 2002
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ARTIGO / QUADRINHOS / DESENHOS / FOTOS DO LEITOR
Contribuições devem incluir nome e endereço completo, fotocópia de identidade e telefone para contato. E-mail:catalao@correioweb.com.br


100 anos de JK

Marco A. C. Martins

  Ganhei um belo presente do Rubem Azevedo Lima no Natal do ano passado. Ele me citou, no dia 24 de dezembro, em sua coluna no Correio. Foi a propósito do ensaio, de minha autoria, Regimes constitucionais, crescimento e estagnação na economia brasileira, apresentado na UnB dois meses antes. De lá para cá, mais de 1.300 pessoas, de todas as partes do mundo, baixaram o texto do artigo no endereço www.infosebo.com.br .

  O ensaio radiografa a economia brasileira de 1947 a 1999, a partir da divisão analítica desses 52 anos em dois períodos. O primeiro é o da Constituição de 1946. O segundo é o do regime autocrático de política econômica, que começa em 1964 e avança nos dias de hoje. A linha Dutra-Getúlio-JK projeta até o presente a economia associada à vigência da Constituição de 1946. Mostra como estaríamos hoje, sem a ruptura imposta pelo regime militar em 1964. Seria, tranqüilamente, uma economia dinâmica e pelo menos três vezes superior à atual. A linha inferior, indecisa, cambaleante e sem rumo, é a economia gerada pelo regime autocrático de política econômica. Coincide com a aplicação do receituário do FMI em nosso país.

  Peço ao leitor que compare esse gráfico com a fotografia de Juscelino publicada no quinto caderno do Correio em homenagem ao centenário do nascimento do grande presidente. Dá um nó na garganta. É simplesmente impossível se acreditar que esse homem, que nos fez sentir tão orgulhosos, tão brasileiros, que nos legou a pujante economia ali retratada, esteja caminhando triste, amargurado, cabisbaixo e humilhado, ao lado de Sobral Pinto.
Exatamente como a economia brasileira se encontra neste momento.

  Ao desenhar a linha Dutra-Getúlio-JK, não tive qualquer pretensão de homenagear Juscelino. É a história que o homenageia. Eu apenas tirei mais uma fotografia dessa história, de um outro ângulo. Ao ser citada pelo Rubem, ele e o Correio a expediram para todos os cantos do mundo. Mas a fotografia de Juscelino e Sobral na edição de ontem está muito triste. Como a tecnologia permite, sugiro que ela seja editada e republicada, desta feita exibindo-os confiantes, de cabeças erguidas, exultantes de alegria. Quiçá o mesmo pudesse ser feito com a economia brasileira.



Até quando esperar?

Alexandre César Arcanjo Silva
Brasília

  Até quando vamos ter que suportar o atual governador do DF, que se utiliza da miséria e do desespero de milhares de pessoas com o único interesse de permanecer no poder?

  Até quando vamos assistir à destruição do meio ambiente de forma impune e à destruição da qualidade de vida de toda região do DF com interesses politiqueiros do governador e o resto de seu bando.

  Que providências tem tomado o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios quanto a essa situação? E com relação ao processo na Justiça que cassou o mandato do atual governador por improbidade administrativa e que ninguém mais voltou a falar no assunto?


Que arte é essa?

Gledson de Carvalho Silva
Vila Planalto

  Faço coro com Ava Araújo a despeito deste câncer denominado Desvio de Verba que a coluna de Valéria Blanc denunciou. São também minhas as palavras de indignação de nossa artista frente a essa afronta, mas com o peso de não apenas ser artista como também produtor cultural.

  Elaborar um projeto cultural demanda tempo e recursos. Foi o que fiz com meu sócio para pleitear recursos deste ano na produção de um vídeo de caráter antropológico sobre uma ainda rústica feira do entorno do DF. A obra final sairia por R$ 7 mil. E aí eu fico sabendo que nos últimos três meses a Secretaria de Cultura(?) liberou R$ 800 mil para entidades evangélicas, e nosso projeto — mesmo constando receber o valor total em três parcelas, foi indeferido. Meu Deus, que critérios são esses?!

  Mas não poderia ser diferente. O Conselho de Cultura do DF — como de quase todas as secretarias e municípios — é subserviente ao governador mais populista entre todos os estados brasileiros. Isso deveria servir de trampolim para toda a classe artística desta cidade deixar de egocentrismo e, por meio de sindicatos, associações e até sozinho, entrar com processo na Justiça de quê?... De danos morais.

  Tenho certeza que se essa Secretaria de Assuntos Religiosos vier a existir o DF será a primeira unidade da Federação a não ter uma Secretaria de Cultura. Afinal, vocês acham mesmo que há tantos recursos para áreas de menor interesse eleitoreiro depois do último acordo com o FMI? Vai ser uma ou outra. E, pelo andar da carruagem, minha caríssima Ava, eles vão ganhar em 1º turno, e vão ficar rindo à-toa de nossas manifestações.


Mais uma invasão

Fernando Laurindo Barbosa
Sobradinho

  Em recente passagem pela entrada do Paranoá, pude constatar a instalação de mais uma invasão no Distrito Federal. A invasão estende-se desde a frente da garagem da empresa Rápido Brasília, e adentra o cerrado, com muitos barracos de madeirite, cobertura de lonas, algumas casas já sendo levantadas com tijolos, pessoas atravessando a pista indeferentes ao trânsito, e aquela desorganização habitual nessas situações. Parece chamar-se Itapoã, nome bonito, que não condiz com o que apresenta.

  Daí se constata que está se criando uma nova Estrutural, que daqui a algum tempo, pela própria inércia das autoridades (governo federal, GDF, Ministério Público, etc.) acabará criando uma situação da qual não terá outra solução, que não a regularização. Regularização que confronta aqueles cidadãos que já estão inscritos no Idhab e que agora se vêem preteridos, mais uma vez, por invasores. Além disso, cria-se mais um problema social, onde falta de infraestrutura (colégios, postos de saúde, policiamento, transporte etc.) virão a agravar ainda mais a já difícil situação existente no DF.

  O governador Roriz já acena com a instalação definitiva daquele pessoal no local, local este que é de preservação ambiental, pertencente a importante bacia hidrográfica do DF.

  Não sou contra a que essas pessoas tenham direito a sua própria moradia, mas acho que as autoridades, ao fazerem vistas grossas a esse tipo de atitude — invasões — acabam fomentando ainda mais a sua perpetuação. Achincalham-se as leis, os direitos adquiridos, os poderes constituídos, tudo em nome do populismo eleitoreiro. Algum dia, isso terá de acabar. Por hora, viva a favelização de Brasília!



Trânsito racional

José Demes Filho
Asa Sul

 Vamos racionalizar mais ainda o trânsito nas vias W4 e W5 Sul, instalando semáforos, que regularizarão melhor o fluxo.

Mancada do BC

Archimedes Amora Leite
Brasília

 Algum Cacciola ou tamborete apelidado de banco ganhou com a ruína dos fundos de renda fixa. É mais uma mancada do Banco Central escondida na fracassada ‘‘marcação de mercado’’. Os fundos de pensão perderam centenas de milhões. Somente quem teve informação privilegiada lucrou com a medida insensata do final do mês de maio. O mau já foi feito e o recuo do Bacen não vai indenizar o prejuízo de ninguém.


Eleições no mar

Jamir de Sousa Lima
Guará

  Tubarão, querendo pôr ordem no ‘‘pedaço’’ (os problemas eram muita ‘‘areia’’ para o caminhãozinho-tanque da ‘‘anágua’’), atuando como governante interino do mar, emitiu medida provisória convocando os habitantes para uma eleição antecipada, tendo em vista a enorme turbulência das ondas, marolas e ressacas, causando mortandade de várias espécies e a poluição gritante com a invasão das algas.

  Também conspirava a existência de ‘‘iscas’’ corruptas, povoando ‘‘mares nunca dantes navegados’’. O instituto de pesquisas comandado pelos golfinhos se dispusera a dar suporte, avaliando a intenção de votos das populações majoritárias.

  De início, estariam excluídos peixe-boi, leão-marinho, foca e baleia, por constituírem população flutuante, de pouca influência e de rara atuação política. De fora, também, caranguejo (partido nenhum o aceita, por gostar de viver na lama), ostra (muito casca-grossa), camarão (só gosta de periferia) e enguia (muito escorregadia, não tem perfil adequado).

  Poderiam ser incluídos peixes de escamas ou de couro, inclusive do interior (rios) — caipiras, embora as representações distritais estivessem pendentes de aprovação no congresso piscoso. Teriam permissão para inscrever-se, desde que alterassem os nomes ‘‘estranhos’’: tucunaré, pacu, piaba, pirarucu, curimatã, tambaqui e assemelhados. Estariam em condições de candidatar, sem necessidade de alteração: dourado, carpa, lambari, pintado e tilápia.

  Apareceram, de imediato, como candidatos a presidente: salmão, vermelho, sardinha, peixe-serra, peixe-espada e tainha. Para representações distritais, foram inscritos robalo, badejo, peixe-pedra, e mais uma centena de peixes menores, de partidos nanicos, inclusive o cavalinho.

  Os peixes, por unanimidade, entraram com uma liminar, pedindo para que a eleição não fosse realizada nem na piracema (quando estariam em época de reprodução e remando contra a maré), nem na época das chuvas (estariam sob forte pressão do tempo, procurando proteção ‘‘cambial’’ aqui e ali); se saíssem do ‘‘esconderijo’’, arriscariam a nunca mais voltar.
Época da pescaria? Nem pensar (poderiam ser fisgados e o voto não seria computado). Os golfinhos estão fazendo pesquisa de campo, irão entregar os resultados nos próximos dias, mas já alertaram que não adianta o polvo votar.


 
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