Brasília, domingo, 18 de agosto de 2002
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Por Dad Squarisi

Recado

‘‘A diferença entre o jornalismo e a literatura é que o jornalismo é ilegível e a literatura não é lida.’’


Pérolas do jornalismo

  Ricardo Noblat é diretor de Redação do Correio Braziliense. Exigente, costuma ler as matérias com lupa. Observa não só a correção gramatical. Mas a apuração, a propriedade vocabular, a elegância no dizer. ‘‘O papel’’, diz ele, ‘‘aceita qualquer coisa. O computador também. Temos de ser maduros na hora de escrever os relatos de todos os dias.’’

  A preocupação não é só dele. Os manuais de redação dos jornais gastam páginas e páginas com recomendações. No final, a súplica: ‘‘Tenham pena do leitor. Releiam os textos’’.

  Muitos profissionais não estão nem aí. Na pressa, soltam a matéria sem revisão. Resultado: os jornais estão cheiinhos
de pérolas. Os leitores, atentos,
anotam-nas. Depois, não deixam por menos. Soltam relações na Internet.
A Lilly recebeu uma. Repassou-a. Com a nota: ‘‘Divirta-se. Ou chore!’’

***


  ‘‘Depois de algum tempo, a água corrente foi instalada no cemitério para satisfação dos habitantes.’’
  (Eles deviam estar com sede, coitados...)

***


  ‘‘A nova terapia traz esperanças a todos os que morrem de câncer a
cada ano.’’
  (Viva a ressurreição!)

***


  ‘‘Apesar da meteorologia estar em greve, o tempo esfriou ontem intensamente.’’
  (Não pagaram os direitos do El Niño. Olha no que deu...)

***


  ‘‘Os sete artistas compõem um trio de talento.’’
  (Alguém tem uma calculadora?)

***


  ‘‘A vítima foi estrangulada a golpes de facão.’’
(Que horrível...)

***


  ‘‘Os nossos leitores nos desculparão por esse erro indesculpável.’’
(Em hipótese alguma!)

***


  ‘‘Há muitos redatores que, para quem veio do nada, são muito fiéis as suas origens.’’
  (Concordo plenamente.)

***

 
 ‘‘No corredor do hospital psiquiátrico, os doentes corriam como loucos.’’
  (Que coisa impressionante!)

***


  ‘‘Ela contraiu a doença na época em que ainda estava viva.’’
  (Que azar, hein?)

***


  ‘‘O aumento do desemprego foi de 0% em novembro.’’
  (Onde vamos parar desse jeito?)

***


  ‘‘As circunstâncias da morte do chefe de iluminação permanecem rigorosamente obscuras.’’
  (Lógico, se não tem mais ninguém para iluminar!)

***


  ‘‘O presidente de honra é um jovem septuagenário de 81 anos.’’
  (Acho que houve um erro de matemática.)

***


  ‘‘Parece que ela foi morta pelo seu assassino.’’
  (Como será que conseguiram desvendar o mistério?)

***


  ‘‘Ferido no joelho, ele perdeu a cabeça.’’
  (Bom, todo mundo fala que bebê tem cara de joelho.)

***


  ‘‘A polícia e a justiça são as duas mãos de um mesmo braço.’’
  (É, todo mundo já sabia que eram defeituosas...)

***


  ‘‘O acidente foi no tristemente célebre Retângulo das Bermudas.’’
(Não era Triângulo da Bermudas?)

***


  ‘‘Este ano, as festas do 4 de setembro coincidem exatamente com a data de 4 de setembro, que é a data exata, pois o 4 de setembro é um domingo.’’
(Um calendário, rápido!)

***


  ‘‘O tribunal, após breve deliberação, foi condenado a um mês de prisão.’’
  (Sem direito a fiança?)

***


  ‘‘Quatro hectares de trigo foram queimados. A princípio, trata-se de um incêndio.’’
  (Achei que fosse uma churrascada!)

***


  ‘‘O velho reformado, antes de apertar o pescoço da mulher até a morte, se suicidou.’’
  (A volta dos mortos-vivos.)

***


  ‘‘Um surdo-mudo foi morto por um mal-entendido.’’
(Hum...hum...)

***


  ‘‘À chegada da polícia, o cadáver se encontrava rigorosamente imóvel.’’
  (Ninguém assistiu a Um morto
muito louco?
)




As perguntas para esta seção devem ser enviadas para Correio Braziliense - Redação
SIG Quadra 2, Lote 340, Brasília, DF. CEP:70.610-901
dad@correioweb.com.br

 
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