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Por Dad Squarisi
Recado
‘‘A diferença entre o jornalismo e a literatura é que o jornalismo é ilegível e a literatura não é lida.’’
Pérolas do jornalismo
Ricardo Noblat é diretor de Redação do Correio Braziliense. Exigente, costuma ler as matérias com lupa. Observa não só a correção gramatical. Mas a apuração, a propriedade vocabular, a elegância no dizer. ‘‘O papel’’, diz ele, ‘‘aceita qualquer coisa. O computador também. Temos de ser maduros na hora de escrever os relatos de todos os dias.’’
A preocupação não é só dele. Os manuais de redação dos jornais gastam páginas e páginas com recomendações. No final, a súplica: ‘‘Tenham pena do leitor. Releiam os textos’’.
Muitos profissionais não estão nem aí. Na pressa, soltam a matéria sem revisão. Resultado: os jornais estão cheiinhos
de pérolas. Os leitores, atentos,
anotam-nas. Depois, não deixam por menos. Soltam relações na Internet.
A Lilly recebeu uma. Repassou-a. Com a nota: ‘‘Divirta-se. Ou chore!’’
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‘‘Depois de algum tempo, a água corrente foi instalada no cemitério para satisfação dos habitantes.’’
(Eles deviam estar com sede, coitados...)
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‘‘A nova terapia traz esperanças a todos os que morrem de câncer a
cada ano.’’
(Viva a ressurreição!)
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‘‘Apesar da meteorologia estar em greve, o tempo esfriou ontem intensamente.’’
(Não pagaram os direitos do El Niño. Olha no que deu...)
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‘‘Os sete artistas compõem um trio de talento.’’
(Alguém tem uma calculadora?)
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‘‘A vítima foi estrangulada a golpes de facão.’’
(Que horrível...)
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‘‘Os nossos leitores nos desculparão por esse erro indesculpável.’’
(Em hipótese alguma!)
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‘‘Há muitos redatores que, para quem veio do nada, são muito fiéis as suas origens.’’
(Concordo plenamente.)
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‘‘No corredor do hospital psiquiátrico, os doentes corriam como loucos.’’
(Que coisa impressionante!)
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‘‘Ela contraiu a doença na época em que ainda estava viva.’’
(Que azar, hein?)
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‘‘O aumento do desemprego foi de 0% em novembro.’’
(Onde vamos parar desse jeito?)
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‘‘As circunstâncias da morte do chefe de iluminação permanecem rigorosamente obscuras.’’
(Lógico, se não tem mais ninguém para iluminar!)
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‘‘O presidente de honra é um jovem septuagenário de 81 anos.’’
(Acho que houve um erro de matemática.)
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‘‘Parece que ela foi morta pelo seu assassino.’’
(Como será que conseguiram desvendar o mistério?)
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‘‘Ferido no joelho, ele perdeu a cabeça.’’
(Bom, todo mundo fala que bebê tem cara de joelho.)
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‘‘A polícia e a justiça são as duas mãos de um mesmo braço.’’
(É, todo mundo já sabia que eram defeituosas...)
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‘‘O acidente foi no tristemente célebre Retângulo das Bermudas.’’
(Não era Triângulo da Bermudas?)
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‘‘Este ano, as festas do 4 de setembro coincidem exatamente com a data de 4 de setembro, que é a data exata, pois o 4 de setembro é um domingo.’’
(Um calendário, rápido!)
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‘‘O tribunal, após breve deliberação, foi condenado a um mês de prisão.’’
(Sem direito a fiança?)
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‘‘Quatro hectares de trigo foram queimados. A princípio, trata-se de um incêndio.’’
(Achei que fosse uma churrascada!)
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‘‘O velho reformado, antes de apertar o pescoço da mulher até a morte, se suicidou.’’
(A volta dos mortos-vivos.)
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‘‘Um surdo-mudo foi morto por um mal-entendido.’’
(Hum...hum...)
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‘‘À chegada da polícia, o cadáver se encontrava rigorosamente imóvel.’’
(Ninguém assistiu a Um morto
muito louco?)
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As perguntas para esta seção devem ser enviadas para Correio Braziliense - Redação SIG Quadra 2, Lote 340, Brasília, DF. CEP:70.610-901 dad@correioweb.com.br
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