|
|
|||
|
|||
|
O caminho das águas cotrim@correioweb.com.br Não sou técnico no assunto, não vou meter o bedelho onde não fui chamado nem dar uma de fogueteiro. Mas, ora bolas, sou brasileiro e me preocupo com o presente sobretudo com o futuro do país e de meus cinco netos. São essas razões cívicas e domésticas que me trazem hoje a você para tratar de um assunto que já devia, há muito tempo, ter chamado a atenção de nossos pífios governantes e que, neste momento pré-eleitoral, tinha que estar na pauta dos candidatos mas do qual, incrivelmente, nem se ouve falar. Falemos, pois, de coisa positiva, índole constante desta coluna. Pelo menos, da perspectiva de algo bem positivo: o uso de nossos rios como hidrovias. O Brasil possui a maior malha hidroviária do planeta. Nenhuma outra nação tem tantos rios, tão grandes e navegáveis. Abra um mapa físico do país e você ficará perplexo e orgulhoso com a quantidade de rios que correm por todos os cantos de nosso território, estradas líquidas que fluem de Norte a Sul, muitas ainda virgens! Jamais se pensou com seriedade nessa óbvia alternativa viária. Nem o grande Juscelino deu-lhe a devida importância, embora tenha levado o progresso a lugares jamais pisados pelo homem. Washington Luís adotou como lema o mote ‘‘Governar é abrir estradas’’, esquecido de que os rios brasileiros já são estradas abertas, gigantesca fonte de receita e sem trauma ecológico, dádivas de nossa exuberante natureza. Caso típico de vontade política. Como se sabe, o transporte fluvial é muitíssimo mais barato que o rodoviário e até o ferroviário, e muito mais seguro. De contrapeso, fantástico potencial turístico a explorar com o advento de uma nova e lucrativa rede ribeirinha de hotéis, sem falar num possível e formidável impulso na indústria da pesca. Mais ainda: forte estímulo ao resgate do otimismo nacional — que hoje se contenta com um caneco de futebol. Quantas atrações à disposição de patrícios e forasteiros, novos roteiros de viagens deliciosas — que tal descer o Paraíba do Sul conhecendo, em suas margens, encantadoras cidades atualmente desmotivadas como Porto Novo do Cunha, Valença, Barra Mansa e Lorena? Quem já viajou pelo Reno e se deslumbrou com a paisagem sabe do que estou falando. E o Reno, um dos mais belos rios do mundo, não deixa de ser uma hidrovia. Se para o turismo ela é uma mina, imagine o que vai significar, para a economia do país, a formulação e implantação de uma estimulante política hidroviária. Opção que facilitará e barateará o transporte de minérios, grãos, manufaturados e de gente feliz pagando preço baixo para ir daqui para ali, de lá para acolá. Fica a sugestão aos concorrentes na caça ao voto. Não custa refletir sobre ela, até porque sua execução é relativamente rápida e barata e, cá entre nós, poderosa alavanca para atrair investimentos nacionais e internacionais nos campos da hotelaria, lazer e geração de emprego. Tanto benefício para um povo sofrido e desiludido como o nosso, senhores candidatos! Por todos os motivos, vale a pena percorrer o caminho das águas. |
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
|
|||||||||||||