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E agora, doutor?
Com a Terapia da Reposição Hormonal questionada por estudos científicos, começa a busca de alternativas para evitar problemas de saúde depois da menopausa
Maria Vitória
Da equipe do Correio
| Nehil Hamilton |
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Alimentação equilibrada e uma vida profissional ativa, além de exercícios físicos, garantem o bem-estar de Nóris, 51 anos, que nunca fez o tratamento à base de hormônios
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Os ginecologistas e endocrinologistas ouvem essa pergunta várias vezes ao dia de pacientes acima dos 42 anos, assustadas com recentes estudos que colocam a Terapia de Reposição Hormonal (TRH) na berlinda. Elas querem saber o que fazer para aliviar sintomas como as ondas de calor (fogachos), insônia, crises de depressão, ressecamento vaginal e evitar o surgimento de doenças como osteoporose e mal de Alzheimer, que surgem com mais freqüência em mulheres na pós-menopausa, depois dos 50 anos.
O uso de hormônios sintéticos, para repor os níveis do estrogênio e progesterona, é indicado desde a década de 70 como a melhor opção para tratar os sintomas da menopausa. Desde então, já se suspeitava da relação entre a terapia e o aparecimento de tumores na mama. Mas acreditava-se que os benefícios compensavam o risco — além de retardar o envelhecimento, o tratamento prometia proteger a mulher contra osteoporose e doenças cardíacas.
Pesquisa da Women Health Initiative, patrocinada pelo governo norte-americano, analisou os efeitos do uso combinado de Premarim (estrogênio sintetizado da urina de éguas grávidas) e da progesterona artificial em 16 mil mulheres saudáveis, com idades entre 50 e 79 anos. Os resultados demonstraram que a combinação dos medicamentos aumentou os riscos de derrame em 41%, de câncer de mama em 26% e de doenças cardiovasculares em 22%. Preocupados, os especialistas interromperam a investigação antes do prazo e aconselharam as mulheres a pararem o tratamento — apesar do mesmo trabalho ter mostrado que a TRH protege contra a osteoporose e não oferece riscos de câncer de cólon. Outro estudo, do Instituto Nacional de Câncer dos Estados Unidos, associa o uso de estrógeno — sem estar combinado com a progesterona — a maior risco da incidência de câncer de ovário.
Os resultados, divulgados em julho, surpreenderam os médicos, que saíram em busca de dados técnicos, em publicações científicas. Reconhecem a importância e a seriedade dos estudos, mas estão tranqüilos: para eles, a Terapia de Reposição Hormonal ainda é a melhor fórmula para evitar doenças como a osteoporose ou problemas de demência, como o mal de Alzheimer. Valéria Guimarães, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, regional do Distrito Federal, afirma que o melhor remédio é uma conversa franca com o médico responsável pelo tratamento.
‘‘Expliquei às minhas pacientes os prós e os contras desse tratamento e nenhuma delas interrompeu a medicação’’, garante a médica, enfatizando que cada paciente é um caso diferente. ‘‘Só o médico pode definir a necessidade e o tipo de tratamento mais adequado para a mulher’’, diz Valéria, que é radical em um ponto: mulheres com ossos frágeis, com predisposição à osteoporose não podem abrir mão da terapia hormonal.
Já as mulheres que chegaram à menopausa e possuem taxas normais de colesterol e triglicerídeos no sangue, boa estrutura óssea, pressão arterial normal, enfim, boa saúde, podem abrir mão da TRH se assim desejarem e tiverem o aval do seu médico. Alguns cuidados no dia-a-dia ajudam a aliviar e a combater os indesejáveis sintomas (leia quadro nesta página).
Vida saudável
A empresária Nóris Lima, dona de uma agência de comunicação, é uma mulher de bem com a vida nos seus 51 anos. Casada e mãe de uma rapaz, ela parece uma formiguinha: não pára um minuto sequer. Trabalha arduamente na firma, em sociedade com o marido, faz aulas de danças de salão e flamenca. Nos raros momentos de folga, veleja no Lago Paranoá. ‘‘Não estou nem aí para os tais calores e maus humores da menopausa. Não tenho tempo para isso’’, diz Nóris, que nunca fez tratamento à base de hormônios por recomendação do seu mastologista depois que retirou um nódulo benigno no seio esquerdo.
Para manter o peso, Nóris tem uma alimentação equilibrada, pobre em gorduras e doces, e corre cinco quilômetros diariamente. Para manter a pele macia, usa ácido retinóico. E uma vida social ativa para manter o seu bom humor. ‘‘A vida a dois, o relacionamento sexual, a convivência com o seu parceiro também são fundamentais’’, diz.
Apesar de estar longe de ser consenso entre os médicos, a terapia com fito-hormônios (plantas com princípio ativo semelhante aos hormônios femininos) é a que parece resolver de maneira mais eficaz o problema. Pesquisa feita por especialistas do Departamento de Ginecologia Experimental da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) mostrou que a isoflavona, uma substância derivada da soja, diminui em até 40% os fogachos, sintoma que mais afeta as mulheres na menopausa. Dois hormônios fitoterápicos, o Climadil e o Soy 50, são usados para alívio dos sinais da menopausa, como as ondas de calores.
O ginecologista César Fernandes, presidente da Sociedade Brasileira de Climatério, alerta: ‘‘Estudos científicos feitos até agora comprovam que o uso hormônios naturais apenas alivia os sintomas, mas não trata problemas como sinais de demência ou fragilidade dos ossos. Para esses casos, a indicação é a TRH’’. No entanto, Fernandes diz que a iniciativa de fazer ou não o tratamento compete à mulher. ‘‘O médico é apenas o seu consultor, que vai indicar o melhor caminho.’’
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Como combater os sintomas da menopausa sem reposição hormonal
O estrogênio, um dos hormônios femininos, é uma espécie de guarda-chuva que trata vários sintomas. Quando ele não é reposto pela TRH, deve-se fazer diferentes tratamentos para cada sintoma
Ondas de calor
Mude o seu estilo de vida. Use roupas frescas e durma em quarto arejado. Evite bebidas alcóolicas quentes, sopas fumegantes e comidas condimentadas
Reduza o estresse. Se você sentir uma onda de calor chegando, tente manter a calma, respire fundo e a onda será amenizada ou mesmo desaparecerá
Converse com seu médico e fale da possibilidade do uso de fitohormônios ou de alimentos que contenham soja, que podem aliviar os sintomas. Mas atenção: mulheres com disfunção na tireóide não podem usar esses produtos
Se mesmo assim não adiantar, alguns medicamentos antidepressivos podem funcionar. Neste caso,
é indispensável um acompanhamento médico rigoroso
Insônia
Com a eliminação das ondas de calor, a qualidade do sono melhorará sensivelmente
Ressecamento vaginal
Use lubrificantes vaginais e pomadas. Eles podem resolver o problema e facilitar a relação sexual. Outra opção é o uso local de estrogênio em forma de cremes ou tabletes, específicos para ressecamento vaginal. Como não são absorvidos pela circulação, não há riscos de efeitos colaterais
Osteoporose
Procure o seu médico e faça um exame de densiometria óssea para avaliação da sua estrutura óssea
Se você tem risco de desenvolver a doença, o seu médico irá estabelecer uma terapia com cálcio e vitamina D, além de medicamentos específicos
Faça exercícios que tenham impacto com o solo, como caminhada e corrida. A musculação também ajuda no fortalecimento dos ossos
Doenças Cardíacas
Adote uma alimentação saudável, sem gordura e rica em verduras e legumes. Reduza também o consumo
de doces
Controle periodicamente a sua pressão arterial
Faça periodicamente testes de avaliação cardíaca e exames para medir os níveis de colesterol e triglicerídeos
no sangue
Conselhos gerais
Não fume
Coma alimentos saudáveis
Mantenha um peso saudável
Faça exercícios físicos adequados
Reduza o estresse
Fonte: Sociedade Norte-Americana de Menopausa
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