Brasília, quarta-feira, 21 de agosto de 2002
CEDOC - Assinaturas - Classificados
 
  
 Capa
Índice
Últimas
Opinião
Tema do Dia
Eleições 2002

Cidades
Mundo
Saúde
Economia
Brasil
Cultura
Esportes
 Guia de quarta
 Coisas da Vida
 Direito & Justiça
Gabarito
E-tudo
Lugares
Sobre Rodas
Fim de Semana
Pensar
Emprego
Correio da TV
Este é meu
 A enciclopédia
Brasília-DF
Correio do Brasiliense
Crônica da Cidade
Desabafo
Dicas de Português
Mil Coisas
Valéria Blanc
.web

 
  Lugares
lugares@correioweb.com.br

elas chegaram!
Franca, certa ou verdadeira

A espécie ganhou o nome em função de sua docilidade. E, também por causa dela, foi caçada até quase a extinção. De tão tranqüilas, as baleias deixavam os pescadores subir em seu dorso e, em nome da necessidade, cravar os arpões


 

 
As baleias vão para o sul do Brasil em busca de águas mais quentes para seus filhotes. Eles nascem sem a camada de gordura que os protege das baixas temperaturas e, por isso, passam um bom tempo por aqui, até que ganhem peso suficiente. Outros dois pontos de reprodução são a Península Valdés, na Argentina, e o Cabo da Boa Esperança, na África do Sul
 
O frio desta época do ano parece não atingir os nativos, que vivem em mangas de camisa e bermudas
 
Na carteira de identidade de uma baleia-franca está o nome Eubalaena australis. É assim que a ciência chama esse cetáceo — a família das baleias, botos e golfinhos — de quase 2,5 milhões de anos. A espécie é chamada de franca, certa ou verdadeira, por ser amistosa e fácil de matar. Os antigos pescadores da região de Imbituba costumavam subir no dorso das baleias para fincar o arpão. ‘‘A gente chegava com o barco bem pertinho dela e subia’’, conta Manoel Costa, 72 anos, que diz ter matado mais de 15 baleias entre os anos 50 e 70.

De porte avantajado, o corpo negro e roliço de uma franca adulta chega a medir 18 metros. A cabeça ocupa quase um quarto do comprimento. Nela, destaca-se a enorme boca, que abriga, pendentes, cerca de 250 pares de cerdas da áspera barbatana, que filtram o alimento.

Uma característica exclusiva das francas são as verrugas brancas na cabeça. Nenhum indivíduo da espécie tem calosidades iguais. Elas são como impressões digitais e servem para identificar os bichos, através de fotografias. Outra peculiaridade das francas é o borrifo de ar visível quando o bicho vem à tona para tomar fôlego.

Todos os tipos de baleia têm dois orifícios respiratórios. Só que nas outras espécies, como jubarte, mink, azul, cachalote e beluga, esses buracos são bem juntinhos. Por isso, o ar quente que sai dos pulmões é expelido como uma torre vertical. ‘‘Nas francas, é diferente. Os orifícios são separados. Isso faz com que o borrifo delas na superfície seja percebido em formato de ‘‘V’’’, explica a bióloga Karina Groch, especialista no cetáceo.

O habitat natural desse gigante marinho é o gélido sul do oceano Atlântico, entre o arquipélago das Malvinas e as ilhas Geórgia do Sul, perto da Antártica. Ali, as francas vivem, de janeiro a maio. Durante esse período, a espécie acasala. E quase não faz outra coisa a não ser se alimentar — sobretudo as fêmeas. Na balança, elas chegam a pesar 60 toneladas. Os machos são mais magrinhos: dificilmente passam dos 45 mil quilos.

A dieta das francas é baseada em bichinhos do zooplâncton, a minúscula fauna dos mares. No cardápio, só duas opções de prato: copépodo (espécie de crustáceo, parente distante do camarão) e krill (esse sim, um tipo de camarãozinho do tamanho de uma unha). Na fase de alimentação, quando o filhote já está sendo gerado, as mães ingerem toneladas e toneladas de comida por dia, para ganhar peso rápido e acumular energias.

Quando a camada de gordura sob a pele da fêmea chega a 40 centímetros de espessura, é hora de partir. Lá pelo mês de maio, começa a viagem rumo ao Norte, em busca de águas mais quentes, com temperatura entre 14 e 16 graus, ideais para o nascimento dos filhotes. Três pontos do hemisfério sul funcionam como maternidade das baleias-franca: a Península Valdés, na Argentina; o Cabo da Boa Esperança, na África do Sul; e o litoral de Santa Catarina.(R.H.)


Parto seguro

Essa região da costa sul brasileira é toda protegida por pequenas baías e enseadas, que oferecem segurança às fêmeas na hora do parto. Os filhotes medem em média cinco metros e pesam cerca de quatro toneladas. Alimentam-se do leite materno, riquíssimo em gordura. Eles nascem sem a camada adiposa por baixo da pele e se fizessem a viagem de volta para a Antártica, morreriam de frio.

Por isso demoram em Santa Catarina para formar a capa de gordura. Só quando a camada atingir 10 centímetros de espessura, o filhote estará pronto para voltar ao habitat natural, em sua última viagem sob a tutela da mãe. Mas enquanto os animais não voltam para casa, é possível avistá-los de vários pontos do litoral sul catarinense.

A melhor maneira, claro, é de barco. Partindo do cais do porto, pescadores nativos oferecem passeios em suas embarcações. As saídas custam de R$ 50,00 a R$ 60,00, em dias de semana — por pessoa. Aos sábados e domingos, o preço individual fica mais salgado que a água do mar: salta para R$ 100,00! O trajeto margeia a costa, de Imbituba à vizinha Garopaba, e dura entre três e quatro horas.

Saímos do porto na manhã do último dia 10. O sol prateava as marolas. Estava quente, mas não o bastante para aquecer o vento gelado que vinha do alto-mar. Aliás, sobre as águas, o frio é tanto que você sente como se a pele fosse rasgada por uma rajada de navalhas. Mesmo com o sacrifício de ter o queixo tremendo sem parar, não havia garantia de que a baleia seria vista.

Mas o passeio é interessante. No caminho, enquanto as francas não dão o ar da graça, é possível se divertir com outras espécies da fauna marinha, como focas, leões marinhos e pingüins. Pelo trajeto, dá para bater um papo com os barqueiros e ouvir suas incríveis histórias de pescador. ‘‘Uma vez, a baleia passou por baixo do nosso barco’’, contou o pequeno Bruno Soares, 12 anos, pescador igual ao pai.

Um incômodo: mesmo com mar calmo, o barco não pára de sacolejar. Joga você para frente, para trás, para os lados. Quem está acostumado, sente, no máximo, vontade de dormir. Já os marinheiros de primeira viagem precisam ficar atentos. Em vez de baleias, correm o risco de ver apenas água — é a única coisa que se pode enxergar quando se está enjoado e se tem a cabeça pendurada para fora do barco, vomitando até a alma.

Mãe e filhote
Na paradisíaca praia do Rosa, pontilhada por surfistas na areia, eis que surgiu uma baleia. Uma não, duas — mãe e filhote. Nessas ocasiões, os barcos são obrigados a manter uma distância de 100 metros até o animal, calculados no olhômetro. As embarcações motorizadas devem desligar as máquinas, para não ferir ou afugentar o bicho. Assim fizemos, para não perdê-las de vista.

Boa menina, de comportamento previsível, as francas obedeceram à previsão da bióloga Karina, nossa guia: ‘‘Elas são curiosas, vão se aproximar’’, arriscou. Pimba! Lá vem mamãe baleia com seu filhote a tiracolo, nadando sempre ao lado da genitora. Lentamente, os dois se aproximam do barco. Chegam a mínimos cinco metros de distância. As nadadeiras quase tocam o casco do atuneiro.

A sensação de quem está a bordo é um misto de medo e êxtase. Ao lado de um bicho do tamanho de um prédio de cinco andares, nos sentimos um nada. Ficamos meio anestesiados com a superioridade do animal, mesmo sem vê-lo por completo fora d‘água. Avista-se ou cauda, ou corpo, ou cabeça. Como um quebra-cabeça que se exibe aos poucos e a gente vai tentando montar na mente. De qualquer forma, a imagem é inesquecível. (R.H.)


Serviço
Serviço
Hospedagem
www.imbituba.com.br
www.praiadorosa.com.br
www.garopaba.com.br
www.silvestrepraiahotel.com.br
Projeto Baleia Franca
www.baleiafranca.com.br




Como chegar

De carro
De Brasília a Florianópolis são 1.643km. Saída pela BR-040. Da capital catarinense até Imbituba, são mais 96km. Siga pela BR-101 rumo ao sul do estado. Dirija com cuidado, pois a estrada é estreita, cheia de curvas, e com intenso tráfego de caminhões pesados. O risco de acidentes é alto

De ônibus
Duas empresas ligam Brasília a Florianópolis — Itapemerim (361-4505) e Real (361-4504). Há saídas diárias, partindo da Rodoferroviária. A passagem custa, em média, R$ 150,00, e o tempo de viagem é de 28 horas. Do terminal de passageiros de Floripa até Garopaba ou Imbituba, há várias opções de transporte, como ônibus e vans

De avião
As principais companhias aéreas nacionais oferecem vôos diários de Brasília para Florianópolis. O preço da tarifa para um trecho de ida e volta varia de R$ 662,00 a R$ 857,00, fora o valor da taxa de embarque (R$ 16,35). Esses valores valem para o período de 14 a 21 de setembro. Telefones: Gol: 0300 789-2121 / TAM: 0300 123-1000 / Varig: 0300 788-7000 / Vasp: 0300 789-1010

 
 Domingo
Segunda
Terça
Quarta
Quinta
Sexta
Sábado
 Brasileirão
 Guia do brasileirão 2002
100 anos de JK
 Ele e nós
 Juscelino e o poder
 Nunca fomos tão felizes
 De Nonô a Juscelino
 Os últimos dias
         
  Política de Privacidade Fale com a gente Publicidade
© Copyright - Todos os direitos reservados ao Correio Braziliense e CorreioWeb.
Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast ou redistribuído sem prévia autorização.