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Mentiras que os homens contam

Lembra daquela história do aspartame? E do pacto da Xuxa com as trevas? Também tem aquela do cara que pegou Aids na cadeira do cinema. São todos mitos urbanos, lendas passadas pelo boca-a-boca e, agora, pela Internet

Paloma Oliveto
Da equipe do Correio

Esse mês vai ter muita lata de Pepsi encalhando nos refrigeradores. A previsão não tem nada a ver com economia — nem com o gosto duvidoso do refrigerante cola. É que justamente (e ‘‘coincidentemente’’) agora, quando a tragédia do World Trade Center completa um ano, está circulando nos computadores norte-americanos uma assustadora história envolvendo a bebida. ‘‘Não tome Pepsi em setembro.’’ Essa seria a mensagem deixada numa loja de Nova York por um árabe a uma vendedora que, comovida com a situação financeira do cliente, o liberou de pagar os US$ 0,75 que faltavam para inteirar sua conta.
 
Até agora não se tem notícia da presença de Atraz no refrigerante. E nem que homens-bombas em miniatura estejam pululando dentro das latinhas. Muito provavelmente, essa é mais uma lenda urbana — aquelas mentiras que algumas pessoas contam. E nas quais outras tantas pessoas acreditam.
  
Histórias que, por exemplo, fizeram com que muitas crianças dissecassem seus Fofões na década de 80. Na época, o boneco do personagem da Turma do Balão Mágico — um bicho horrendo, de classificação indefinida — foi ‘‘acusado’’ de esconder, sob o macacãozinho jeans, amuletos demoníacos. Dez anos antes, outro mito estimulou a garotada a lamber figurinha de chiclete na esperança de ficar doidona. Diziam que as inocentes estampas da guloseima — vendida por dez centavos, se muito — estavam impregnadas com LSD.
  
Mas até parece que só as criancinhas caem feito pato nas lendas urbanas. Pelo contrário, os principais alvos são os marmanjos mesmo. Ninguém pode explicar quem começa a tecer a rede de mentiras, mas o certo é que muita gente se embola no emaranhado. Mesmos os mais céticos às vezes são capazes de acreditar que há algo de podre no reino do Mc Donald’s ou que a Xuxa fez pacto com diabo.
  
Folclore moderno, as lendas urbanas passam de boca em boca. E, mais do que nunca, por e-mail. Como circulam por uma grande quantidade de pessoas, se transformam em verdades absolutas. E sempre haverá alguém que vai jurar de pés juntos que o vizinho de fulano conhece sicrano que comeu sanduíche com minhoca e nuggets de frango alienígena na lanchonete.
  
Fazendo o papel de grande difusora das lendas, a Internet também é berço para sites que relatam histórias mirabolantes. Alguns desenterram mitos antigos, como o do difamado boneco Fofão. Ou da música Não se reprima dos Menudos que, tocada de trás para frente, traria mensagens dos infernos. Quem fez o teste garante: o máximo que se consegue é arranhar o disco todo. (O que, convenhamos, não é nenhum estrago).
  
Assim como qualquer lenda, as mentiras que os homens contam podem ganhar mais de uma versão. Às vezes, ganham dezenas, principalmente quando o mesmo ‘‘causo’’ aparece em diferentes países. Quando descambam para o terror, por exemplo, são capazes de espalhar espíritos por tudo quanto é canto. Como o da loura caroneira, que já andou assombrando motoristas na W3, em Belo Horizonte, no Rio, em São Paulo... Onipresente, o fantasma da gostosona também já foi visto em outros países da América.


Conheça alguns dos mitos urbanos mais comuns e, de repente, descubra que aquela história que lhe contaram não passava de mera invenção

Hambúrger de coisa
‘‘Duas minhocas, alface, queijo, molho especial, cebola, picles e pão com gergelim!’’ Para muita gente, esse deveria ser o jingle do Big Mac, o sanduíche número 1 da rede McDonald’s. Elas juram que, no lugar de carne de vaca, a lanchonete usa minhocas nos seus pratos. Mas, perto da coisa, os anelídeos são uma verdadeira ‘‘dilícia’’. E o que é a coisa? Um bicho sem olho, sem pata, com cabeça do tamanho de uma bola de tênis, que vomita aquilo que você pensa ser um hambúrguer. Animais modificados geneticamente pelo McDonald’s, alimentados por tubos ligados a seus estômagos. Ah, sim. A longo prazo, a carne produzida pelos monstrinhos provoca doenças como o Mal de Alzheimer. Sem falar na obesidade, claro.

Frangos transgênicos
Essa é a versão sabor galinha da ‘‘coisa’’. Tem cara de frango, tem gosto de frango, mas não é frango. Aquela penosa frita que você comeu quando foi a Disney é, na verdade, um galináceo modificado geneticamente (com as mesmas características da ‘‘coisa’’) pela rede Kentucky Fried Chicken. Os bichos não têm bico, penas nem pernas. Eca!!!

Bill demo Gates
Para muitos usuários do Windows, Bill Gates pode ser mesmo o coisa ruim. Só que para muitas pessoas o dono da Microsoft é REALMENTE o anticristo. Alguém se deu ao trabalho de calcular em código ASCII a soma das letras que formam o nome do poderoso empresário. O resultado? 666, o número da besta. Só esqueceram que Bill é apelido. O nome dele é William Henry Gates III. Vão ter de refazer as contas.

Cuidado com os rins
Essa é clássica e aparece em vários países americanos e europeus. O sujeito está dançando na boate, conhece uma garota, toma umas e outras e vai parar na casa da bonitona. No dia seguinte, acorda dentro de uma banheira cheia de gelo. Ao lado, um bilhete: ‘‘Ligue para o Pronto Socorro neste número, ou morrerá’’. Chegando no hospital, ele descobre que foi vítima da máfia dos rins, que vende seus órgãos no mercado negro por US$ 20 mil. Então, da próxima vez que for à boate, deixe no guarda-volumes a carteira, a bolsa e os rins.

Rainha das trevas
Antes mesmo de a rainha dos baixinhos espalhar
para todo mundo que vê gnomos, já andaram associando a loura a práticas sobrenaturais. Xuxa seria freqüentadora assídua de um terreno de macumba em Niterói (RJ). Seu pacto com as trevas estaria explícito em algumas músicas como Ilariê que, tocada ao contrário, manda mensagens assustadoras... Ai, que medo!

Éter no supermercado
Dois homens atraem uma mulher que sai do supermercado. Dizem que representam uma nova marca de perfume e oferecem o frasco para ela cheirar. Mas a fragrância, na verdade, é éter! Doidona, a vítima cai no chão, e os espertalhões fazem a limpa na sua bolsa. Versão matutina do ‘‘Boa-noite Cinderela’’.

Latinha assassina
Da próxima vez que abrir uma lata de refrigerante e colocar a boca na botija, lembre-se do caso da menininha morta por pegar leptospirose. Culpa de um rato, que urinou na lata e transmitiu a bactéria. Essa história aparece em lugares tão longínquos quanto Vitória da Conquista (BA) e Madrid, na Espanha.

Bem que ele disse!
Mais uma sobre o World Trade Center. Na época da queda das torres, alguns ‘‘estudiosos’’ da obra de Nostradamus trataram de amedrontar ainda mais as pessoas, divulgando uma profecia que ele teria feito: ‘‘Na Cidade de Deus, haverá um grande trovão. Dois irmãos cairão e o grande líder sucumbirá. A terceira grande guerra irá começar enquanto a grande cidade estiver em chamas’’. Detalhe: o texto teria sido escrito em 1654. Quase 100 anos depois da morte de Nostradamus...

Pó fatal
Caiu de cama e não sabe o motivo? Culpa do aspartame. Foi o que garantiu um sujeito que se dizia cientista num enorme e detalhista e-mail em que culpava o adoçante em pó por várias doenças. Substâncias químicas de origem duvidosa seriam a causa dos males. A Food & Drug Administration (FDA) tratou de desmentir a história, mas até hoje tem gente que faz sinal da cruz quando passa perto de aspartame.

Aids na cadeira
O amigo do amigo do amigo do seu melhor amigo já deve ter sido vítima desse caso. Sentou numa cadeira de cinema e sentiu uma agulhada. No assento, um bilhete: ‘‘Bem vindo ao mundo real, agora você também faz parte do mundo do soro-positivo’’. Portanto, não esqueça a camisinha. Nem no cinema.

Jacarés de estimação
Nos esgotos de Nova York há muitas latinhas, pacotes
de potatos’ chips, guimbas de cigarro e... jacarés.
Eles vivem em colônias nos subterrâneos da cidade e podem
ser vistos à noite com uma lanterna. A lenda surgiu na década de 20, o que nos faz crer que o primeiro crocodilo cosmopolita já deve ser bisavô.


Serviço
As melhores lendas urbanas podem ser encontradas nos sites:
www.contosurbanos.hpg.ig.com.br
http://urbanlegends.about.com (em inglês)
www.odem.hpg.ig.com.br/sociedade/30/index_pri_1.html

 
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