Brasília, quarta-feira, 11 de setembro de 2002
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Questão de honra

Brasileiras enfrentam a China, no Mundial de vôlei feminino, em clima de revanche e revoltadas pelas armações da adversária

Da Agência Folha

Eckehard Schulz/AP
Sassá e Valeskinha bloqueiam a chinesa Yanan Liu, na derrota brasileira por 3 x 1, na primeira fase
 
Stuttgart (Alemanha) — A Seleção feminina de vôlei volta às quadras hoje, às 15h30 (horário de Brasília), em Stuttgart, na Alemanha, para enfrentar a China em clima de vingança. A TV Globo anuncia a transmissão ao vivo. Depois das marmeladas chinesas nas derrotas para Grécia e Coréia, que facilitaram o caminho na equipe no Mundial da Alemanha, as brasileiras transformaram a vitória em questão de honra.

  ‘‘Vamos entrar comendo a bola. A vitória será nossa melhor resposta’’, afirmou o técnico Marco Aurélio Motta, que, sobre a classificação, foi reticente. ‘‘Não estou preocupado com isso (a vaga), e sim com a evolução do padrão de jogo. Já estou satisfeito. O time está cada vez melhor, as jogadoras estão jogando com alegria, é isso que importa’’.

  Se vencer, a Seleção brasileira o feito obtido no Japão em 1998, quando Ana Moser, Fernanda Venturini e companhia, ficaram em quarto lugar.

  Não foi apenas pela pala armação de resultados que a equipe Chinesa surpreendeu. Contrariando as características do vôlei asiático — rapidez nas jogadas para compensar a baixa estatura das atletas —, a renovada Seleção chinesa cresceu nos últimos anos, acompanhando a tendência do esporte no Ocidente. O time titular tem média de altura de 1,84m.

  Japão e Coréia, outras duas tradicionais representantes do vôlei asiático, levaram ao Mundial times com médias de 1,78m.

  Na contramão da tendência mundial, o Brasil levou para o Mundial da Alemanha a equipe mais baixa dos últimos 12 anos, média de 1,81m. O time foi definido às pressas após a debandada de cinco titulares em junho.

  A China terá hoje a atleta mais alta da partida — Ruirui Zhao, com 1,96m. A brasileira mais alta é Luciana, com 1,89m.

  Além de se preocupar com a rapidez das jogadas asiáticas, o técnico Marco Aurélio tem dado atenção especial em suas orientações ao aproveitamento dos contra-ataques, que podem ser propiciados pelo alto bloqueio chinês.

  No primeiro confronto entre as equipes no Mundial, a China, que venceu por 3 x 1, marcou 16 pontos no fundamento contra apenas seis das brasileiras. ‘‘O time ainda não sabe se comportar quando o jogo adquire um ritmo com muitas trocas de bola. Se perde muito no contra-ataque. Isso ainda é resultado da inexperiência’’, declarou Marco Aurélio.

  Para diminuir a velocidade do ataque rival, o Brasil aposta no saque, que tem sido um dos principais fundamentos da Seleção. ‘‘Estamos sacando muito bem. E não é só colocar a bola no chão. Quando sacamos taticamente, estamos conseguindo atrasar as jogadas, e isso facilita o trabalho da defesa’’, disse o treinador.

  ‘‘Vamos jogar com as favoritas aos título e não tenho dúvida que a pressão vai ser grande no nosso time. Mesmo assim, estou muito confiante. Sempre fizemos jogos difíceis conta elas e não vai ser diferente dessa vez’’, disse a levantadoras Marcelle. ‘‘Vamos entrar de igual para igual, mas estamos em uma fase em que qualquer uma das oito equipes pode avançar’’, afirmou.

  O Brasil deve jogar com Marcelle, Luciana, Paula Pequeno, Sassá, Karin, Valeskinha e a líbero Fabi.

  Nos outros duelos das quartas-de-final, os EUA enfrentam Cuba, a Rússia pega a Bulgária, e a Coréia joga com a Itália.

QUARTAS-DE-FINAL
Hoje
Rússia x Bulgária
Coréia x Itália
China x Brasil
EUA x Cuba

 

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