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Escolha sua profissão
A serviço da notícia
O jornalista vive num corre-corre. É ele quem coleta os fatos para produzir, contra o relógio, as notícias que povoam os jornais, as revistas, a televisão e a Internet
Noéli Nobre
Da equipe do Correio
| Daniel Madson |
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O gaúcho Marcelo Canellas, da Globo, começou como repórter de polícia há 15 anos
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Nesta sociedade contemporânea que os entendidos costumam chamar de ‘‘da informação’’, o papel do jornalista vale ouro. Todos precisamos estar por dentro do que acontece no mundo para passar no vestibular, conquistar um emprego, participar de uma roda de conversa...Essa atualização continuada só é feita a partir da leitura de jornais e revistas, da navegação na Internet ou do zapping (o hábito de mudar constantemente de canal) diante da televisão ou do rádio. Eis as fontes da notícia, que nada mais é do que o relato de um fato de interesse público. Por trás desse relato está o jornalista.
A vida desse profissional é um tanto corrida. E muito de longe tem aquele glamour que parece cercar os apresentadores do Jornal Nacional. Notícia não tem hora para acontecer. E repórter, desde sempre, deve saber que não terá horários, fins de semana ou feriados. O trabalho é árduo e o jornalista deve produzir (muitas vezes, sob pressão) a reportagem pensando no horário em que o telejornal vai ao ar ou que a página será impressa, para que as novidades estejam nas bancas no outro dia bem cedinho.
Nada deve escapar ao olhar crítico — apesar de imparcial — do jornalista: política, economia, educação, esporte, diferenças sociais. Em uma redação, o repórter se depara a cada dia com um assunto diferente. A rotina do profissional, costuma-se dizer, é não ter rotina. Mas o caso é que, de uma maneira ou de outra, o repórter acaba por se especializar na cobertura de determinado assunto.
Marcelo Canellas, 36 anos, repórter da Rede Globo, faz o que se costuma chamar de jornalismo social ou de conteúdo humano. Nem sempre foi assim. O gaúcho de Passo Fundo, formado pela Universidade Federal de Santa Maria há quase 15 anos, começou como repórter de polícia num jornal de Santa Maria. A experiência durou pouco, porque Canellas apenas substituiu um colega que estava de férias. O primeiro emprego mesmo veio em uma tevê daquela cidade.
Depois de Santa Maria, Canellas foi trabalhar em uma emissora de Ribeirão Preto (SP). Em 1990, foi contratado pela Rede Globo e virou repórter especial, desses que passam muito tempo preparando uma grande reportagem. E Canellas produziu, inclusive, matérias que lhe renderam prêmios. Resumidamente, os motivos: ele mostrou a realidade de meninos carvoeiros do sul do Pará e fez uma série de reportagens sobre a fome no Brasil. Jornalismo, para ele, é ‘‘aquele ofício fascinante que trata das contradições da vida. E não há nada mais contraditório do que um país tão rico como o nosso privar boa parte de sua população das riquezas geradas aqui’’.
Canellas é um exemplo do repórter de redação. Ele produz diretamente a notícia que será transmitida pelos meios de comunicação. Mas, longe das redações, também é possível existir jornalista. Ele pode estar em uma assessoria de imprensa. Nesse caso, trabalha em uma empresa ou organização e promove o contato entre a instituição e o profissional da redação. O assessor de imprensa põe o veículo de comunicação — um jornal, por exemplo — em contato com os feitos de uma empresa, para que eles cheguem ao grande público.
Dessa forma, acaba se especializando em determinado assunto muito mais que o repórter de redação. Se Marcelo Canellas faz jornalismo social, o brasiliense Jorge Fecuri, 27 anos, sabe tudo de educação ambiental e ecoturismo, dentro de um tema maior que é o meio ambiente.
Jorge é assessor de imprensa da WWF, uma organização não-governamental ambientalista. ‘‘Cuidamos da imagem da instituição. Dizemos quem somos, a que viemos, como e aonde queremos chegar. Buscamos jornalistas e apresentamos nosso trabalho. Isso normalmente acontece quando vamos divulgar uma de nossas ações, eventos, campanhas ou posicionamentos’’, explica Jorge, que também entra em contato com outros profissionais da comunicação, como publicitários, relações públicas, artistas gráficos e fotógrafos.
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O diploma e o curso
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Juíza paulista suspendeu a necessidade do diploma de Jornalismo para exercer a profissão. Representantes da categoria entraram na Justiça para suspender a liminar
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A confusão surgiu no ano passado, quando a juíza Carla Abrantkoski Rister, da 16ª Vara Federal de São Paulo, suspendeu a obrigatoriedade do diploma de graduação em Comunicação Social para a obtenção do registro profissional. Significa dizer que qualquer pessoa pode se registrar como jornalista no Ministério do Trabalho e Emprego, caso queira. A juíza argumentou que qualquer pessoa tem o direito de liberdade de expressão, independentemente da profissão.
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e sindicatos da categoria em todo o país, porém, entraram com recurso perante o Tribunal Regional Federal de São Paulo, pedindo a suspensão da liminar. O processo ainda está em tramitação. Enquanto nada é resolvido, o Ministério do Trabalho pode conceder o que se chama de registro precário a quem desejar. A Fenaj, no entanto, não reconhece tais registros precários e não emite, portanto, carteira de jornalista a quem não apresentar o diploma de graduação.
No site da Fenaj (www.fenaj.org.br), os representantes da categoria defendem: ‘‘Depois de 60 anos de regulamentação profissional e 80 de luta pela formação superior em Jornalismo, há agora a clara ameaça do fim de quaisquer exigências para o exercício da profissão’’. Segundo os jornalistas, a desregulamentação elimina a vinculação do jornalismo ao interesse público. Quanto à liberdade de expressão, ela é garantida a qualquer pessoa.
A universidade
Especialistas defendem que a formação superior é, sim, necessária ao exercício da profissão. ‘‘A graduação ajuda o jornalista em seu trabalho. Isso porque o risco de errar, ao produzir a notícia, é muito grande. O tempo é curto e o repórter tem de correr’’, avalia Dione Moura, chefe do departamento de Jornalismo da Universidade de Brasília (UnB).
O curso da UnB, por sinal, foi reformado. Um dos motivos da mudança foi a confusão causada pela liminar da juíza de São Paulo. A partir do primeiro semestre de 2003, o novo currículo da federal de Brasília entra oficialmente em vigor. ‘‘O aluno terá mais liberdade. Haverá menos disciplinas obrigatórias. Dessa forma, o estudante poderá fazer matérias de outros cursos. Disciplinas teóricas e práticas serão alternadas’’, explica Dione. Além disso, o aluno fará um estágio supervisionado. (Noéli Nobre)
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Onde estudar no Distrito Federal
Universidade de Brasília (UnB)
Vagas: 66 (para o curso de Comunicação Social — Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Audiovisual)
Mensalidade: Não há
Informações: 307-2460
Universidade Católica de Brasília (UCB)
Vagas: 150 (para o Curso de Comunicação Social — Jornalismo e Publicidade e Propaganda)
Mensalidade: R$ 669
Informações: 356-9000
Centro Universitário de Brasília (Uniceub)
Vagas: 100
Mensalidade: R$ 655
Informações: 340-1600
Faculdade de Ciências Tecnológicas e Sociais (Facitec)
Vagas: 40
Mensalidade: R$ 549
Informações: 356-8150
Faculdade Compacto de Comunicação Social (Icesp)
Vagas: 100 (para Comunicação Social — Jornalismo e Rádio e TV)
Mensalidade: R$ 585
Informações: 381-5357
Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb)
Vagas: 76
Mensalidade: R$ 609
Informações: 448-9800
Salário médio inicial
R$ 1.000
Para ser um bom jornalista, é preciso...
dominar o português
escrever com clareza
ser exato
ter disciplina
ler bastante e de tudo
ser curioso
saber investigar
ter senso crítico
agir com ética
abrir mão, muitas vezes, de feriados, fins de semana e horários certinhos
saber se comunicar
perder preconceitos
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