Rede de tudo
Felipe Campbell
felipe@correioweb.com.br
Há poucos anos, imaginava-se que a Internet seria apenas mais um recurso para ajudar e facilitar a vida das pessoas. Seria ‘‘só’’ mais uma novidade, resultado da constante inovação tecnológica que acontece em todos os dias de nossas vidas, mas, em princípio, uma realidade opcional. Afinal de contas, tem gente que vive perfeitamente sem videocassete, telefone celular, aparelho de DVD, filmadora, câmera digital, aparelho de CD no carro e por aí vai. Mas com a Internet é diferente. Não há desculpa ou atividade profissional que não necessite da rede mundial para funcionar. Em maior ou menor escala, o fato é que, desde um singelo uso do e-mail até a total substituição da metodologia de organização da produção dentro de uma companhia, tudo está ligado à Internet. Só idealistas por convicção, que se recusam a se adaptar ou desfrutar das benesses propiciadas pela Internet, ainda não estão na rede. Essas pessoas são de uma convicção admirável, sem dúvida, ainda mais quando você pensa nas oportunidades de trabalho e lazer perdidas por conta do desprezo que elas têm por não adotarem telefones celulares ou não estarem conectadas à rede. Se o pensamento for raso e simplista, dá para imaginar que, se há oito anos as pessoas viviam perfeitamente sem essa tecnologia, era uma questão de opção a adoção ou não desses recursos facilitadores da comunicação. Com o tempo, viu-se que não é assim. Por um simples motivo: ninguém trabalha ou vive sozinho no mundo. Por isso, não adianta alguém querer não estar na Internet se todos os colegas e chefes de trabalho dessa pessoa adotam como padrão a utilização do e-mail como meio comunicador. Ou pior: se o funcionário está na rua e precisa ser localizado imediatamente, alguém lá vai ser compreensivo com a desculpa de que ‘‘fulaninho não tem celular porque é contra a filosofia dele’’? Óbvio que não é em todos os casos que esse tipo de urgência ocorre. No jornalismo, isso é batata. Jornalista sem celular e, agora, sem e-mail, não existe.
BICHO SOLTO
Não é apenas na hora de fazer pesquisas relativas ao trabalho ou à faculdade que a rede mostra a sua força. Cada vez mais, programas interessantes para fazer qualquer tipo de tarefa, desde editar uma música, catalogar os CDs, agenda eletrônica, jogos simples ou complexos, trocar arquivos de vídeo e som, manipular imagens ou coisas do tipo, são facilmente encontrados. O ônus que se paga por essa liberdade é sentido diretamente nos bolsos das companhias que lucram com a propriedade intelectual. Softwares, filmes e músicas são os maiores objetos de desejo entre os internautas com conhecimento — não precisa muito — do funcionamento dos programas de compartilhamento de arquivos. A Internet rápida vem facilitando (ou dificultando, no caso das gravadoras e companhias de software) a vida de quem procura entretenimento e interação na rede. Polêmicas a parte, pelo menos por enquanto, é preciso comemorar o que de mais precioso existe na web: a ausência quase completa de censura. Já que não dá pra controlar o conteúdo nem a origem deste, o melhor é correr risco. E deixar toda a comunidade virtual criar o bicho solto. Vale a pena dar valor às coisas enquanto ainda as temos.
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