Brasília, terça-feira, 24 de setembro de 2002
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futebol de botão
O campo no tabuleiro

O que era brincadeira virou coisa séria: Brasília sedia a federação oficial e até abriga um campeão

Everton Venâncio
Da equipe do Correio

Carlos Vieira
A história de amor entre o médico Paulo César e o futebol de botão completou 19 anos. E já lhe rendeu três títulos nacionais
 
No país do futebol, até uma mesa de madeira vira campo. Os jogadores se transformam em botões de acrílico e a bola não passa de um pequeno pedaço de feltro. Com todas essas peças na mão, um punhado de regrinhas em mente e um adversário que também queira jogar, você está pronto para bater uma bolinha no futebol de mesa, ou de botão, como preferir chamar. Gente de qualquer idade pode tentar. Uma prática que nasceu na década de 30, quando, segundo a história do esporte, os botões usados eram de calças, bermudas e até de cuecas, numa tradicional brincadeira de criança. Hoje, porém, a prática cresceu, virou esporte sério e é disputada por pessoas de todas as idades, de várias classes sociais e em diversos pontos do país.

  Em Brasília, já existe federação oficial do esporte, dezenas de praticantes e até um campeão brasileiro da modalidade: o médico otorrino Paulo César Marinho Faria, 52 anos, casado e pai de quatro filhos. Paulo é um típico exemplo dessa trupe que reserva noites e fins de semana inteiros para jogar futebol de mesa com os amigos. Como ele mesmo faz questão de enfatizar, a paixão começou em 1983, quando foi levar dois de seus filhos, na época ainda crianças, para um campeonato de futebol de botão que acontecia na cidade. ‘‘Ao chegar no local só encontrei adultos jogando e por coincidência havia um conhecido que me incentivou bastante para que eu disputasse uma partida’’, conta o médico e butonista. ‘‘Daí em diante, o futebol de mesa se transformou num hobby para mim. Uma espécie de terapia, pois passei a jogá-lo semanalmente’’.

  A história de amor entre Paulo César e o futebol de mesa acaba de completar 19 anos, e em todo esse tempo já lhe rendeu três títulos brasileiros, o último deles conquistado esse mês, em Teresópolis, no estado do Rio de Janeiro. Sua categoria é o Master (para praticantes com idade acima dos 40 anos), mas o médico também já foi campeão nacional da modalidade no título dado para equipes. De tão envolvido que ficou, chegou a ser até presidente da Federação de Futebol de Mesa de Brasília.

  Entre uma competição e outra, várias viagens e trocas de experiências com jogadores de Recife, Manaus, Juiz de Fora, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, enfim. ‘‘Só não disputei competições internacionais porque não tenho conhecimento de sua existência’’, conta empolgado. Tudo para bater uma bolinha. Ops! Quer dizer, um botãozinho.

  ‘‘O problema é que mesmo com todo esse tempo de estrada, nós não temos sequer um local para treinarmos’’, reclama. ‘‘Temos um lugar cedido gentilmente pela AABB, mas o clube só é aberto aos sócios. Nossa idéia é divulgar o futebol de mesa por todo o Distrito Federal e conseguir do governo local uma sede para dar cursos e oferecer o esporte gratuitamente aos interessados’’, diz.

Regras
Existem três regras hoje adotadas no Brasil para a prática do futebol de botão. A primeira e a mais técnica, segundo os praticantes, é a regra carioca, em que o jogador tem direito a três toques na bola, antes de passar a vez ao adversário. Nesse método, os jogadores têm dois tempos de 20 minutos para disputar a partida. Uma outra regra é a paulista, em que o jogador dá 12 passes na bola antes de passar a vez de jogar ao adversário. Nesse método de jogo, a duração do jogo é menor: dois tempos de 10 minutos. E, finalmente, a regra baiana, com direito a apenas um toque de bola.

  Em todas as regras, o objetivo do jogo é ser o mais parecido possível com o futebol de verdade. ‘‘Aqui também existem impedimento, expulsão de jogadores, faltas, pênaltis, substituição, enfim. É igualzinho ao futebol de campo propriamente dito’’, ensina Paulo César. ‘‘E como qualquer esporte, o futebol de mesa também valoriza a socialização do indivíduo, ensinando-o a competir, perder, ganhar e respeitar o adversário’’.

  Cada equipe também recebe um nome e toda uma escalação de seus jogadores. ‘‘Cada um tem seu nome e número da camisa’’, enfatiza César. ‘‘E o botão (jogador) que fizer mais gols também recebe a marca de artilheiro da competição’’, completa. Entre os times mais conhecidos em Brasília estão: Tricolor; Mengola; Raça-Fla; Amigos, entre outros.

  Uma outra curiosidade desse esporte é que até a mesa segue as mesmas medidas, em proporção, que o campo oficial de futebol. Enquanto a FIFA estabelece 105x68 metros para o tamanho do campo, a mesa de futebol de botão tem 2,1x1,36 metros. Se dividirmos o comprimento pela largura em ambos os casos, vc verá um mesmo número — 1,5441.

  Em Brasília, os interessados em conhecer o futebol de mesa competitivo podem visitar a Associação Atlética Banco do Brasil (AABB) todas as terças, a partir das 19h, ou os sábados, das 10h30 às 18h.


Características de cada modalidade

REGRA BAIANA

Tempo de jogo: 2 tempos de 25 minutos, cada.
Número de toques: 1 toque coletivo — dois toques na saída do jogo
Botões: Acrílico/Paladom
Goleiro: 6cm X 3,8cm — com 2cm de espessura
Bola: Disco de polietileno convexo com 1cm de diâmetro e 2mm de altura
Campo: 2m X 1,40m
Onde é praticada: Norte, Nordeste, Espírio Santo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul
Características principais: É o jogo dos arremates mais difíceis. Os placares são sempre tímidos: 1x0, 1x1, 2x1.

REGRA CARIOCA

Tempo de jogo: 2 tempos de 25 minutos, cada.
Número de toques: 3 toques coletivos — chute só após passe.
Botões: Acrílico/Paladom
Goleiro: 7cm X 3,5cm — com 1,5cm de espessura
Bola: Esfera de feltro com 1cm de diâmetro
Campo: 1,80m X 1,30m
Onde é praticada: Norte, Nordeste, Rio de Janeiro e Espírito Santo
Características principais: Os placares não costumam ser elásticos. Normalmente são os placares mais parecidos com o futebol tradicional de campo. A tática consiste em fazer com que o adversário não consiga chutar a gol, bloqueando-o. É o jogo mais tático dentre os demais.

REGRA PAULISTA

Tempo de jogo: 2 tempos de 10 minutos, cada.
Número de toques: 12 toques coletivos — 3 com cada botão.
Botões: Acrílico
Goleiro: 8cm X 3,5cm — com 1,5cm de espessura
Bola: Esfera de feltro com 1cm de diâmetro
Campo: 1,70m X 1,10m
Onde é praticada: SP, PR, SC, PE, AM, MG, RS E RJ.
Características principais: Os placares são elásticos. A regra favorece mais o bom toque de bola e o chute a gol, mais do que a tática.


Fonte: www.futeboldemesa.com.br
 
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