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Justiça eleitoral
Cabral repele ataque à liberdade de imprensa
Durante seis minutos e 35 segundos, o presidente dos Grupo Associados e do Correio Braziliense exerceu o direito de resposta, concedido pelo TRE,no programa da Frente Brasília Cidadã
Da Redação
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Cabral :‘‘O Correio e seus jornalistas não se renderão diante de ameaças e fanfarronices’’
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Paulo Cabral de Araújo, presidente dos Grupo Associados e do Correio Braziliense, ocupou parte do programa da Frente Brasília Cidadã no horário eleitoral gratuito da noite de ontem. Era o direito de resposta concedido ao Correio pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) diante dos ataques dirigidos pela coligação que apóia o governador Joaquim Roriz (PMDB) contra o jornal e contra Paulo Cabral e os jornalistas Ricardo Noblat, chefe de redação do Correio, e Rebeca Scatrut, mulher de Noblat.
‘‘Fomos todos alvos de graves ofensas à nossa honra. Pior do que isso. Vimos ressurgir em plena capital da República uma velha prática autoritária que pensávamos enterrada. Refiro-me à tentativa de cercear a liberdade de imprensa garantida pela Constituição’’, disse Paulo Cabral, no pronunciamento de seis minutos e 35 segundos. ‘‘Mas o Correio e seus jornalistas não se renderão diante de ameaças e fanfarronices. Ao contrário, serão ainda mais estimulados a buscar a verdade e a publicá-la.’’
O direito de resposta foi concedido pelo juiz eleitoral substituto Jair Oliveira Soares no domingo. No entender do magistrado, a coligação ocupou espaço destinado à apresentação das propostas de seus candidatos com ataques contra a honra de pessoas que sequer estão envolvidas no processo eleitoral. Os repetidos ataques da Frente Brasília Solidária foram ao ar terça, quarta e quinta-feira da semana passada.
Leia a seguir a íntegra do pronunciamento de Paulo Cabral de Araújo no horário eleitoral.
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ÍNTEGRA DO PRONUNCIAMENTO DE PAULO CABRAL
‘‘O Correio não é amigo nem inimigo de quem quer que seja. Ele é indiferente ao poderoso de plantão’’
Boa noite.
Na semana passada, a Coligação Frente Brasília Cidadã, que apóia o governador Joaquim Roriz, atacou de forma violenta e ilegal o Correio Braziliense. Com falsas acusações, a Coligação também investiu contra mim, presidente do jornal e do Grupo Associados; contra o diretor de redação, Ricardo Noblat; e contra sua mulher, a jornalista Rebeca Scatrut.
Fomos todos alvos de graves ofensas à nossa honra. Pior do que isso. Vimos ressurgir em plena capital da República uma velha prática autoritária que pensávamos enterrada. Refiro-me à tentativa de cercear a liberdade de imprensa garantida pela Constituição.
Contra as injúrias, a calúnia e a difamação, recorreremos à Justiça com ações criminais e cíveis. Em defesa da liberdade de imprensa, ocupo este espaço para repudiar e denunciar essa tentativa inaceitável de volta ao passado. À frente dela estão os que nunca souberam e jamais saberão se comportar em um regime democrático. Para essa gente a liberdade é um estorvo.
O Correio Braziliense não é amigo nem inimigo de quem quer que seja. Ele é indiferente ao poderoso de plantão. E por isso às vezes é agredido.
Com mais de 60 anos de trabalho, dos quais 28 anos vividos em Brasília, permito-me lembrar a todos: nem o Correio, nem Brasília são quintais dos palácios que hospedam temporariamente os governantes. Tampouco o Distrito Federal é uma fazenda que deva ser comandada por gente mais afeita à força bruta do que às leis e à Constituição.
Ninguém aqui tem o direito de se comportar como se fosse dono da cidade. Nem de tratar cidadãos e instituições republicanas como seus serviçais. Esse é o jeito antigo de fazer política: impedir a emancipação dos pobres para se apresentar como seu salvador. Oprimir para posar como defensor dos oprimidos. Humilhar com distribuição de esmolas para os humilhados.
Políticos assim, quando apanhados em flagrante delito, reagem a denúncias e críticas com a velha tática de desqualificar quem os flagrou. Agem como de costume: falseiam a verdade e espalham lama para desviar a atenção das acusações graves de que são alvo.
Não é a primeira vez que o Correio Braziliense e seus jornalistas são atacados por cumprir o seu dever. E nem será a última. Mas o Correio e seus jornalistas não se renderão diante de ameaças e fanfarronices. Ao contrário, serão ainda mais estimulados a buscar a verdade e a publicá-la.
A trajetória do Correio se confunde com a própria história de Brasília. Nasceu e cresceu com ela. Participa de todas as suas lutas, tristezas e alegrias. É um jornal que respeita seus leitores, sua cidade e o país. Que se dá ao respeito e exige ser respeitado.
O Correio também é uma referência para toda a organização da qual faz parte — o Grupo Associados, o sexto maior grupo de comunicação do Brasil, com doze jornais, doze emissoras de rádio e sete de televisão.
Tenho oitenta anos de idade. E presido esse Grupo. Trabalhei sob ditaduras e governos democráticos. Não cheguei aqui para ser desrespeitado, intimidado ou calado por qualquer um.
Nós, no Correio Braziliense, seguimos à risca a definição precisa e universal sobre o papel da imprensa na sociedade. A imprensa existe para ‘satisfazer os aflitos e afligir os satisfeitos’. É o que continuaremos a fazer. Muito obrigado.
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