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CAMPANHA
Sampaio sai do comando da PM

Chefe da corporação entregou o cargo ao governador Roriz, que cedeu às pressões de Alberto Fraga. Coronéis da PM condenaram ‘‘megalomania’’ do deputado eleito

Renato Alves e Sheila Messerschmidt
Da equipe do Correio

Antonio Paulo Siqueira
Ruy Sampaio foi nomeado por roriz em 1999: comandante não resistiu à pressão de Alberto Fraga
 
O deputado federal eleito Alberto Fraga (PMDB) mostrou que tem força na Polícia Militar e no Corpo de Bombeiros do Distrito Federal. Tenente-coronel reformado da PM, ele derrubou os comandantes gerais das corporações. A sua arma foi a ameaça de não apoiar o governador Joaquim Roriz, colega de partido, no segundo turno. O Diário Oficial do Distrito Federal traz amanhã a exoneração dos oficiais.

  A pressão de Fraga começou na segunda-feira, logo depois que teve confirmada a sua eleição com 28 mil votos. Em disputa para o segundo turno, Roriz cedeu à pressão em menos de uma semana. O governador abriu mão de um dos seus mais fiéis colaboradores — o comandante da PM, coronel Ruy Sampaio, no cargo desde o primeiro ano do atual governo.

  Na noite de sexta-feira, Sampaio foi à casa de Roriz para colocar o cargo à disposição. Emocionado, o coronel disse que queria deixar o governador à vontade para decidir sobre o futuro da PM. O comandante dos Bombeiros, Oscar Soares, está viajando, mas também já sabe de sua saída do cargo. Sampaio não quis comentar a sua saída ao Correio.

  Alberto Fraga comemorava ontem a decisão de Roriz. ‘‘Estou lhe assegurando que a exoneração está mantida. Por mim, o assunto está encerrado’’, disse ao Correio. Ele garantiu que, a partir de agora, se dedicará a campanha de reeleição de Roriz.
  
Nota de repúdio
Fraga é inimigo declarado de Sampaio. O deputado federal recém-eleito queria indicar quem comandaria a PM, em junho de 2000, quando o coronel Ribeiro, então comandante, foi exonerado depois do massacre da Novacap, em que um trabalhador foi morto e outros ficaram feridos, em uma ação da polícia. Roriz acatou sugestão do deputado distrital João de Deus (PPB) e escolheu Sampaio.

  Fraga, suplente de deputado federal, com 23 mil votos em 1998, não se conformou com a escolha. Sampaio assumiu o cargo por indicação do deputado distrital e também policial militar João de Deus, aliado de Roriz. Porém, o distrital teve pouco mais de sete mil votos no último domingo e não se reelegeu.

  Os outros oito coronéis da ativa — são nove, com Sampaio — e mais dois coronéis da reserva repudiaram a atitude de Fraga por meio de nota enviada ao Correio ontem. Acusaram o deputado de ‘‘megalomania pessoal’’. Os oficiais pretendiam sensibilizar Roriz a não atender às exigência de Fraga. ‘‘Sabemos que o governador não se submete a nenhuma chantagem’’, diz a carta.

  Com a exoneração, a expectativa dos coronéis é de que Fraga fique pelo menos de fora da escolha do novo comandante. ‘‘Esse deputado está achando que seus votos vão eleger um governador. Não é assim. Se o governador se deixar vender por um deputado, ele estará cometendo um grande erro’’, avaliou o corregedor da PM, coronel Lôbo Rodrigues.

  O governador deu brecha para instalação de uma crise na Secretaria de Segurança Pública ao anunciar, e depois voltar atrás, a demissão dos comandantes. Roriz havia anunciado a exoneração dos dois, na quarta-feira, à tarde. O secretário de Segurança Pública do DF, general Athos Costa de Faria, chamou Sampaio e Soares em seu gabinete para comunicar a decisão do governador. Mas, na noite do mesmo dia, o governador voltou atrás e suspendeu a mudança.

  Irritado com o recuo do governador, Fraga afirmou, em entrevista ao Correio, que, além de romper com Roriz, faria campanha para Geraldo Magela. A pressão funcionou.

  • Colaborou: Fabíola Góis

  • Coronel enérgico

    O coronel Ruy Sampaio é considerado um oficial de resultados na Polícia Militar. Após presidir o Inquérito Policial Militar que apurou a ação da PM no episódio da Novacap, em dezembro de 1999, Ruy Sampaio conseguiu chegar ao posto de comandante-geral. Fontes da PM garantem que a vontade do Roriz de exonerar Sampaio do cargo surgiu há três semanas. O ex-comandante da PM foi visto em um comício do Lula, na Esplanada dos Ministérios.
     
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