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ESPECIAL
Infância real
Globo exibe a partir de terça-feira a série Cidade dos Homens, primeira parceria assumida entre a emissora e uma produtora independente, a O2 Filmes
Carlos Marcelo
Da equipe do Correio
Renata Petrocelli
TV Press
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Douglas Silva e Darlan Cunha foram dirigidos por regina casé no episódio uólace e joão victor
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Laranjinha e Acerola não têm o perfil de ídolos infantis. Longe do sucesso das apresentadoras e cantores que costumam arrastar multidões, convivem com o tráfico de drogas e a falta de dinheiro para concretizar seus mínimos desejos. Mas os dois garotos de 13 anos, moradores de um morro do Rio de Janeiro, são as grandes estrelas de uma das atrações que a Globo preparou para comemorar o dia da criança. Suas histórias estarão em Cidade dos Homens, microssérie que a emissora exibe entre terça e sexta-feira desta semana, às 23h. Embora não se possa dizer que a atração, produzida pela O2 filmes, de Fernando Meirelles, seja voltada para o público infantil, o diretor de núcleo Guel Arraes destaca a relação com a data de veiculação. ‘‘A Globo queria uma ligação com o jornalismo, que vai apresentar matérias sobre a realidade das crianças brasileiras na mesma semana’’, explica.
Outra novidade em Cidade dos Homens é a formalização da parceria da Globo com produtoras independentes. Embora a emissora viesse fazendo experiências — como o quadro que Regina Casé apresentou no Fantástico, produzido pela Pindorama —, esta é a primeira vez que o nome da produtora aparece nos créditos. ‘‘A iniciativa da Globo é exclusivamente como exibidora’’, destaca Guel Arraes. Autor do projeto, Fernando Meirelles, diretor do longa-metragem Cidade de Deus, comemora a oportunidade de investir em produtos inovadores. ‘‘São episódios estranhos dentro da tevê. Pelo contexto das histórias, pelos atores... Esta abertura é muito saudável’’, avalia o diretor.
As relações entre a microssérie e o filme, que ultrapassa a marca de 1,5 milhão de espectadores, não se resumem ao diretor. Laranjinha e Acerola são personagens do livro Cidade de Deus, de Paulo Lins, que deu origem ao filme. E seus intérpretes são Darlan Cunha e Douglas Silva, que vivem Filé com Fritas e Dadinho no longa. Estarão lá também a co-diretora Kátia Lund e o ambiente dos morros do Rio de Janeiro — as cenas foram rodadas nas comunidades da Rocinha e Dona Marta, ambas na Zona Sul carioca. As novidades ficam por conta de Regina Casé, Jorge Furtado, Paulo Lins, César Charlone e Guel Arraes, que atuam também como roteiristas e diretores.
Fernando Meirelles define Cidade dos Homens como uma ‘‘comédia estranha’’. ‘‘São situações engraçadas num contexto muito dramático. Imagine um camarada numa corda bamba sobre um desfiladeiro de 2.000 metros de altura, contando as melhores piadas’’, compara.
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Jogo rápido com Fernando Meirelles
O filme e a série
‘‘Cidade de Deus é sobre o tráfico e vemos a vida da comunidade em segundo plano. Cidade dos Homens é sobre a comunidade mas vemos o tráfico em segundo plano. Os episódios apresentam diferentes aspectos da vida diária numa comunidade. São mergulhos dentro daquele universo. O longa é mais dramático embora tenha humor. Este é um humorístico com algum drama. Os projetos são complementares, mas estão longe de esgotar o assunto.’’
Sem restrições
‘‘Ficamos muito bem impressionados com a ousadia e respeito da Globo ao aceitar o projeto. Ninguém fez nem uma única ressalva, embora devam tê-las. A série entra no ar exatamente da maneira como seus autores e diretores conceberam. Sem drogas, mas com alguns palavrões.’’
Regina Casé
‘‘Há muito tempo a Regina vem me convidando para adaptar a história que dirigimos: Uólace e João Vitor, baseado num livro infantil de Rosa Amanda Strauss. Esta nos pareceu a oportunidade de realizar o velho projeto, embora seja menor do que a Regina havia imaginado a princípio. A parceria com ela foi uma experiência deliciosa.’’
Os episódios
‘‘A Coroa do Imperador fala um pouco da geografia do morro e do estado de guerra permanente. Já O Cunhado do Cara é sobre a corrupção do poder, não importa de onde emane este poder. Correio, por sua vez, é um divertido episódio sobre um dos problemas diários da comunidades que é o dos moradores não terem correio e sequer endereço. Uólace e João Vitor sai fora da favela, e faz uma reflexão do que se pode esperar do futuro de nosso país. Fala de racismo, preconceito e esperança. Este episódio é meio tevê iraniana, sem muita trama. É uma comédia triste.’’
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Obra feita a muitas mãos
Cada um dos quatro episódios tem história independente e marca a estréia de alguns profissionais na direção, como a atriz Regina Casé e o escritor Paulo Lins. Regina divide com Fernando Meirelles o episódio Uólace e João Vítor. A história, retirada do livro homônimo de Rosa Amanda Strausz, foi guardada durante anos pela atriz, que esperava fazer dela um filme ou minissérie. Mas a idéia de Fernando a conquistou, e Uólace acabou ganhando o apelido de Laranjinha. ‘‘Nosso único trabalho é revelar os atores’’, diz Regina, destacando que o fato de viverem realidade próxima da que interpretam não diminui o talento dos garotos.
Paulo Lins, que dirige com Kátia Lund os episódios O Cunhado do Cara e Correio, não pretende repetir a experiência do ‘‘estágio de direção’’. ‘‘Diretor rala como um condenado. Prefiro ficar em casa, escrevendo livros para dar base a isso tudo’’, diverte-se.
Idealizador da microssérie, Fernando Meirelles revela que não dirigiu todos os episódios porque as gravações coincidiram com a maratona de lançamento do filme Cidade de Deus. ‘‘Também queria dar o espaço ao Cesar Charlone, fotógrafo do filme, que assina assim sua primeira (e brilhante) direção de ficção, e para a Katia Lund e o Paulo Lins, que assinam juntos dois episódios. O episódio que eu dirigi, dividi com a Regina Casé’’, conta o cineasta paulista.
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Ordem de exibição
Terça-feira
A Coroa do Imperador
Quarta-feira
O Cunhado do Cara
Quinta-feira
Correio
Sexta-feira
Uólace e João Victor
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