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CPI DAS FITAS
Um palco para Passos
Em uma estratégia orquestrada pelos deputados governistas, Pedro é chamado para depor na comissão e sair em defesa de Joaquim Roriz. Irônico, não poupou acusações contra Geraldo Magela
Paola Lima
Da equipe do Correio
| Wanderlei Pozzembom |
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Primeiro a ser ouvido pela CPI das Fitas, Pedro Passos falou por mais de seis horas: ironia e bate-boca com deputados da oposição
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O principal responsável pela crise interna que abalou o governo Joaquim Roriz (PMDB) nas últimas semanas foi ontem à Câmara Legislativa tentar recuperar a imagem do governador. A cinco dias do segundo turno, o empresário Pedro Passos foi o primeiro a depor na CPI das Fitas, que investiga o envolvimento de governistas e políticos de oposição na grilagem de terras do Distrito Federal.
O caçula dos irmãos Passos dedicou-se, por mais de seis horas, à missão de defender Joaquim Roriz e aliados, desvinculando-os de qualquer denúncia de grilagem. ‘‘O governador nunca fez nada para beneficiar a mim ou meus irmãos’’, garantiu. Também revelou-se irônico e não poupou acusações aos deputados de oposição. No final da noite, o bate-boca entre Passos e a bancada de esquerda descambou para baixaria. E os xingamentos ganharam voz no plenário.
A proposta de ouvir o empresário — em liberdade graças a um habeas corpus que relaxou temporariamente o pedido de prisão contra ele no início de setembro — partiu dos parlamentares governistas. Em uma conturbada reunião, na manhã de ontem, os integrantes da CPI nomearam o deputado Wilson Lima (PSD) como o novo presidente da comissão e mantiveram o deputado João de Deus na relatoria. A estratégia de convidar Pedro Passos, no entanto, estava combinada antes mesmo do início da reunião. Sem que os deputados sequer tivessem votado o requerimento para sua convocação, o empresário já anunciava à imprensa que iria depor à tarde.
Claque
Passos chegou à Câmara acompanhado de 100 pessoas, com faixas e cartazes contra o candidato petista ao GDF, Geraldo Magela. O deputado eleito foi levado direto à Presidência da Câmara, onde se reuniam os governistas. Descontraído, fez um pronunciamento de cerca de 1h30. Insistiu na inocência do governador e dos parlamentares governistas, na legalidade do condomínio RK (no qual Roriz é acusado de fazer uma desapropriação irregular em benefício do empresário) e na perseguição que diz sofrer por parte da imprensa e da ‘‘ala petista do Ministério Público’’. Também reapresentou denúncias sobre o envolvimento de Magela na contratação de um ex-assessor para intermediar a regularização de condomínios. Só depois, respondeu às perguntas dos deputados.
Com o apoio da claque, que lotava a galeria do plenário, aplaudindo a cada pausa do discurso, Pedro Passos comandou o depoimento. Reclamou quando os parlamentares se prolongavam ao fazer uma pergunta, recusou-se a responder perguntas repetidas e ainda abusou de agressões quando se sentia ofendido. Tudo sob a atuação passiva do presidente Wilson Lima.
Passos não comentou as conversas gravadas pela Justiça. E seu depoimento não agradou à oposição. ‘‘Ele mentiu categoricamente’’, afirmou o deputado Paulo Tadeu (PT). Para o empresário, falar à CPI também não dará resultados. ‘‘Infelizmente essa CPI foi aberta muito próxima do processo político, com os ânimos acirrados, principalmente os do pessoal do PT. A cidade não merece que a questão fundiária seja tratada de forma politiqueira’’, avaliou Passos. Hoje, às 10h, os deputados ouvirão o advogado Orivaldo Ferrari, autor das denúncias contra Geraldo Magela.
Colaborou André Garcia
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Trechos do depoimento
Condomínio RK
‘‘Trata-se de terras incontestavelmente particulares, porque em momento algum houve compra ou desapropriação por parte do poder público. E mais, se a transição de Joaquim Marcelino para Oswaldo Ribeiro (supostos proprietários da terra) fosse falsa, isso jamais afetaria a Terracap, só afetaria os descendentes de Joaquim ou Oswaldo, que nunca reclamaram.’’
Corredor ecológico
‘‘Outra curiosidade é a afirmação dos promotores de que a área do RK funciona como um corredor ecológico, que permite a travessia de animais entre o Parque Nacional e a Reserva de Águas Emendadas. Pergunto aos senhores, alguém já viu, ou consegue imaginar alguma anta, veado, ou qualquer animal silvestre atravessando a BR-020 e a cidade de Planaltina para transitar entre as duas reservas? Creio que ninguém pode sequer ter o delírio de imaginar isso’’.
Joaquim Roriz
‘‘Parece inútil afirmar que não confundimos a nossa amizade pessoal com Joaquim Roriz, com sua excelência o governador. Se procuram algo de errado ou irregular que o governador tenha feito, sugiro que procurem em outro lugar. Porque ele não fez absolutamente nada que pudesse me beneficiar ou, até mesmo, minimamente me ajudar.’’
Conversa com Odilon
‘‘Eu posso garantir que não me lembro de diálogo ou nada parecido com o deputado Odilon. Eu posso afirmar que trata-se um homem íntegro, homem honesto, que jamais estaria conversando comigo sobre recebimento de lotes. Se há algo nas fitas que faz alusão a isso, eu tenho certeza de que não passa de uma bravata, não passa de uma brincadeira.’’
Regularização
‘‘A solução do problema habitacional por meio dos condomínios, ocorrida pelo excelentíssimo governador Cristovam Buarque, é vista agora na gestão Roriz em algo escuso, destinado a distribuir favores clandestinamente, supostamente a mim e a meus irmãos. O governo anterior editou a lei (Lei 1.823, que transformou condomínios rurais em condomínios urbanos), prestigiando e priorizando os loteadores de terra pública em retribuição ao apoio político e financeiro que recebeu na campanha de 1994, sem que ninguém se levantasse sobre esse absurdo.’’
Grampo da Polícia
‘‘Se a gravação dessas conversas é produto de roubo de documentos sob proteção judicial, quem garante que quem roubou não teria coragem suficiente para fazer alterações nas conversa? Como não temos comprovada a autenticidade das gravações, eu não tenho o que comentar.’’
Agenda
‘‘Essas pessoas são minhas amigas. Sou respeitado e benquisto por elas. Eu não tenho relação comercial com elas.’’
Ex-secretário petista
‘‘Hermes de Paula é criador de cavalos. E comprou o cavalo Favacho Estanho por 100 mil dólares. Eu tenho a fita gravada em que o proprietário relatou que vendeu o cavalo por 100 mil dólares e recebeu em verde, verdinho.’’
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Tribunal julgará nova ação
| Ricardo Borba |
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Szervinsk é o único que está preso: pedido de habeas corpus
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O Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF) recebeu o pedido de suspensão do habeas corpus concedido a Pedro Passos e ao topógrafo Vinício Jadiscke Tasso. A ação, encaminhada pelo Ministério Público do DF, pede que a decisão do Tribunal de revogar os pedidos de prisão preventiva do empresário e do topógrafo não sejam publicadas no Diário Oficial. Os dois tiveram prisão decretada, junto com o empresário Márcio Passos e o advogado Salomão Szervinsk, sob a acusação de parcelamento ilegal de terra pública.
A medida cautelar será apreciada pelo presidente do TJDF, Natanael Caetano. Pedro Passos teve o mandato de prisão preventiva revogado no dia 10 de outubro. Já o topógrafo Vinício Tasso recebeu habeas corpus em 3 de outubro.
O empresário Márcio Passos está foragido. Desde ontem, no entanto, ele pode circular pela cidade — protegido pela Lei Eleitoral que determina que eleitores não podem ser presos, exceto em flagrante, cinco dias antes e 48 horas depois das eleições. O delegado Celso Ferro, chefe do Departamento de Atividades Especiais, acredita que Márcio Passos, ao contrário do que fez no primeiro turno, não aparecerá para votar neste domingo. O serviço de inteligência da Polícia Civil tem informações de que ele está fora do DF. Mas as buscas continuam.
Habeas corpus
Dos quatro acusados pelo MPDF, apenas Salomão Szervinsk foi preso. Até o final da tarde de ontem, Szervinsk aguardava, dentro de uma das celas da 3ªDelegacia de Polícia (Cruzeiro), que seu habeas corpus fosse julgado no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Hoje, outro pedido de relaxamento de prisão feito pelos advogados de Szervinsk será julgado na 1ªTurma do TJDF.
O desembargador-corregedor do TRE, Níveo Gonçalves, negou a liminar da Coligação Frente Trabalhista e do Partido Populista Popular Socialista (PPS) que pedia medidas contra o uso irregular de policiais militares como seguranças de Pedro Passos. ‘‘Nesta parte inicial do processo não há provas suficientes para justificar medidas como as que foram pedidas pelos advogados’’, afirma Níveo Gonçalves. O processo contra o governador Joaquim Roriz, o deputado eleito Pedro Passos e o chefe da Casa Militar, José Cézar de Araújo Caldas, continua em andamento.
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