Brasília, terça-feira, 05 de novembro de 2002
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E agora, é Lula...

Edivan Batista Carvalho
Asa Sul

 ‘‘Incentivar a agricultura; promover a inclusão social; priorizar a educação; aumentar as exportações; promover a distribuição de renda; ampliar o consumo do mercado interno; aumentar a poupança nacional; atrair capital produtivo para agricultura e indústria; reduzir os investimentos externos no setor de serviços; controlar o fluxo do capital externo; discutir a regulação internacional do sistema financeiro; fortalecer o Mercosul; alongar o perfil da dívida; reduzir as taxas de juros; gastar bem; eliminar o desperdício; arrecadar muito bem; simplificar os impostos; ampliar a base tributária; cobrar mais imposto de quem ganha mais; executar o orçamento que o congresso determinar; criar a previdência pública universal; incentivar a previdência complementar’’... Está tudo no livro de Aloizio Mercadante, Coleção CIEE-42.

A ética dos petistas

Rodrigo Borges de Campos Netto
Sobradinho

 Antônio Palocci Filho — prefeito licenciado de Ribeirão Preto (aquele da licitação do molho de tomate com ervilhas, lembra?). Não cumpriu 21 das 25 promessas registradas em cartório feitas em sua campanha para prefeito em 2000. A despeito dessa farsa, é cotado para o Ministério da Fazenda. Só pode ser piada. Numa dessas promessas registradas em cartório, ele se compromete a ficar na prefeitura até o fim de seu mandato — 2004. Se o cidadão não sustenta nem aquilo que por livre e espontânea vontade registrou em cartório, qual a razão para se cogitar sua ida para um ministério do próximo governo? É essa a ética petista? Deve mesmo ser uma piada de mau gosto.


Lula e os ‘‘brasiles’’

Dayse Studart
Asa Sul

O Lula é o Brasil. Ele se identifica com o Brasil em sua forma plena, total. É o Brasil caboclo, o Brasil moreno, mestiço. É o Brasil da classe alta, da classe baixa. Lula é de todas as classes. O Brasil teve um intelectual, um homem culto no governo. O presidente Fernando Henrique projetou a nossa pátria no exterior, trouxe orgulho para o país. O povão ficou contente por ter sua cidadania reconhecida fora de nossas fronteiras.

  O presidente Fernando Henrique, em definitivas situações, livrou o Brasil de danos maiores, como os problemas que vieram da Ásia. Mas a voz do presidente não era a voz de um povo carente de justiça social, justiça em todos os sentidos, naquilo que é necessário para o povo viver. Povo carente de um pai que voltasse os olhos para dentro de suas casas, que lhes desse condições dignas de existir.

  Se os políticos deixarem, o Lula irá fazer. O importante é abrir caminhos e deixar os interesses pessoais de lado. Aí, sim, Lula irá encontrar uma saída para a fome, para a educação, saída com todo o potencial necessário. Foi só o Lula se misturar com o povo e deu no que deu. O povão acordou e foi para as ruas mostrar o seu agrado, sua esperança, e foi uma só confraternização. O Lula não estará sozinho para realizar o sonho de todos nós brasileiros. Nós iremos com ele. Nessas horas, a vontade é soberana. O Lula chega lá, vamos todos juntos nos dar as mãos e torcer. Afinal, o Brasil merece.


Desperta, gigante

Charles Vieira
Asa Norte

Que Lula e nós despertemos esse imenso e maravilhoso gigante adormecido, ‘‘deitado eternamente...’’ Viva o povo brasileiro!


Caipirinha, sem açúcar

Expedito S. Senna
Asa Norte

 Preparem-se, de novo. Ganhamos no fim de mandato do governo FHC vários presentes de Natal. Aumentaram os preços do gás de cozinha, da gasolina e do óleo diesel. No embalo, estão subindo todos os preços dos produtos nos supermercados e no comércio em geral. É a inflação de volta. A alta do dólar e os juros escorchantes fazem crescer as taxas da sacanagem e a pobreza. A única coisa boa que teremos no horizonte pós-natalino são as expectativas e as esperanças produzidas com a eleição do Lula.


Calango fashion

Reinaldo de Araujo Lima
Asa Norte

 Li a carta de Gilberto Martins Mello, publicada na seção Sr. Redator de domingo, 3 de novembro de 2002. Quero crer que, como ele, eu inclusive, os eleitores do presidente Lula aprovaram sua idéia de levar às comunidades carentes do Nordeste os ministros eleitos e, também, por sugestão de Gilberto, representantes do mercado (Fiesp, Febraban, Bolsa de Valores etc.). Maravilha!

  Seria de bom tom, entretanto, que cada um dos representantes levasse seu próprio farnel de lagostas, camarões, caviar, bebidas finas e umas garrafas de água mineral, de preferência Perrier. Há o perigo de lhes serem oferecidos churrasquinhos de preá e calango, acompanhados de farofa de tanajura e, como sobremesa, docinhos de mandacaru. Para matar a sede, água barrenta do açude quase seco, disputado por bois, cabras e outros animais e pássaros. Isso, naturalmente, se tiver sobrado algum desses acepipes, após o longo período de seca que vem assolando a região. Talvez o único que não estranhe o cardápio seja o presidente, acostumado que era a essas iguarias quando menino lá de riba. Quanto a viajarem, por segurança, em aviões separados eu também concordo. Se um deles for só dos representantes do mercado, não faz mal. Se cair...


Brasília: ame-a ou deixe-a

Odélio de Melo Horta
Asa Norte

Há muitos anos, deram-nos o mesmo conselho que o sr. Jairo Lopes nos transmitiu nesta coluna em 0l de novembro. Se o tivéssemos seguido à risca, não teríamos de volta a democracia no Brasil e estaríamos novamente beirando a pré-história. Talvez porque realmente amássemos o Brasil é que desprezamos aquela tentadora proposta. Qualquer pessoa de bem quer, do fundo de sua alma, que todos os seres humanos tenham moradia, alimento, saúde, saber, segurança, lazer, trabalho, tudo com a maior dignidade. A vergonha que porventura esteja aflorando em grande parte da nossa sociedade nasceu das manchetes que há algum tempo são estampadas nos jornais do Brasil e do mundo inteiro sobre a política de Brasília. Em algum momento o senhor se envergonhou, sr. Jairo?

  Se as pessoas que hoje ‘‘têm nojo de morar em Brasília’’ resolverem deixar a cidade, não usarão apenas avião, mas também ônibus, carros, caminhões, motos, bicicletas e, pode crer, até carroças. O espaço aéreo e as estradas ficarão totalmente congestionados. E, se isso acontecer, em quatro anos diversas escolas deixarão de existir, por falta de professores; órgãos públicos federais serão transferidos para outros lugares, por falta de funcionários; órgãos do GDF serão prejudicados pela ausência de muitos funcionários competentes; o comércio ficará enfraquecido pela perda de muitos empresários que aqui investem sem esperar favores pessoais e especiais.

  Em compensação, haverá proliferação de condomínios (ir)regulares, as antigas invasões já serão cidades e as novas rapidamente regularizadas. Haverá enormes filas de pessoas vindas de todo o Brasil para receber lote, pão, leite, bujão de gás, cheque de R$ 100. Milhares de jovens já terão curtido seu primeiro computador. E o mais importante, sr. Jairo, é que o senhor deverá estar muito feliz, orgulhoso de termos seguido seu conselho.


Encurralado

Jorge Santana
Lago Norte

 Sinto-me um boi aprisionado num curral. Ladeado por alguns milhares de eleitores indignados como eu e, pelo outro dado, por outros tantos que sequer sabem que são prisioneiros.


Estado paralelo

Júlio Ferreira
Recife (PE)

 O filme Cidade de Deus, que merecidamente atingiu recordes de bilheteria em todas as praças onde foi exibido, e foi escolhido como representante brasileiro ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2003, é a prova maior de como uma obra cinematográfica, sem qualquer prejuízo para seus anseios comerciais, pode ser vista concomitantemente como entretenimento, como difusor de cultura e, principalmente, como instrumento de expansão da cidadania, através da capacidade de gerar interesse e discussão sobre temas sociais.

  No caso específico do filme em questão, fui imediatamente levado a analisar os fatos narrados no filme sob a ótica da teoria de formação do Estado moderno, estruturado pelo sociólogo Max Weber, concluindo que no território que serve de pano de fundo para os fatos inexiste o controle do Estado, pois o governo, seja por negligência, incapacidade administrativa, insensibilidade social, corrupção ou mesmo por opção política, foi paulatinamente deixando de atender as necessidades mínimas da comunidade, permitindo então que quadrilhas, com razoável nível de organização, passassem a atuar em ‘‘benefício’’ dessa área.

  Com a continuidade dessa situação, o local é transformado paulatinamente em um Estado paralelo, inclusive porque o chefe do tráfico passa a prover a população de funções sociais e de segurança, chegando ao ponto de tomar para si o ‘‘direito’’ de uso do monopólio da violência, absorvendo o privilégio de prender, julgar, condenar e executar.


Charge - Manga

 



 
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