Brasília, terça-feira, 05 de novembro de 2002
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Sobre spams...

Felipe Campbell
felipe@correioweb.com.br

  Nunca o assunto spams esteve tão em pauta, seja nas páginas do suplemento de informática desse e de outros jornais, seja em revistas especializadas em tecnologia. Para quem não sabe, spams são aquelas mensagens não-solicitadas que entopem nossas caixas de e-mails com freqüência cada vez mais incontrolável. O assunto não é novo, mas a preocupação agora tem de ser muito maior. Há uns dois anos, os spams chegavam a ser até engraçados e tratados com bom humor. O preço que se paga pela liberdade de expressão e pelo anonimato existentes na Internet, no entanto, está começando a ser bem caro. Se nada for feito, você sempre vai receber mais e mais mensagens indesejadas em suas caixas postais. As soluções paliativas, como preenchimento de formulário de descadastramento e não-divulgação do endereço em sites que pedem um registro, são inócuas perto do poder de fogo que os spammers têm desenvolvido. O spam é, no momento, algo mais grave do que se imagina. Não apenas porque congestiona a rede mundial. Mas o fato de não haver perspectiva sobre a existência eficaz que alguma metodologia que freie essa prática nefasta deve estar dando calafrios nos idealizadores da Internet, que inventaram o correio eletrônico imaginando-o como uma maneira fácil e ágil de estabelecer a comunicação entre duas pessoas. O incômodo é tanto que não é raro alguém se ver obrigado a trocar de e-mail, o que hoje em dia é um transtorno sem tamanho. O mais irritante é que ainda tem gente argumentando que o spam não é crime, que se você não quiser ler essa mensagem deve somente apagá-la e por aí vai. Falta um desconfiômetro, né? O correio tradicional também trazia às nossas caixas postais ‘‘reais’’ correspondências com propagandas bobas e inúteis, mas isso não causava um décimo do transtorno e aborrecimento provocado pelos spams. É claro que o princípio da Internet é a liberdade para criar e desenvolver qualquer tipo de idéia, sem nenhuma censura. Mas como, infelizmente, há muitos militantes do PSN (Partido dos Sem-Noção) no mundo virtual também, é preciso estabelecer meios de coibi-los e puni-los sem restringir a liberdade dos outros internautas. Felizmente, há uma pequena luz no fundo do túnel: as empresas de renome na área de segurança estão desenvolvendo tecnologias que tentam barrar as mensagens indesejadas. Ainda não é algo 100% eficaz, mas pelo menos é uma esperança de que tudo volte ao normal. O que dá tristeza é ver uma fonte quase inesgotável de conhecimento, pesquisa, entretenimento, comunicação e informação ser usada de forma tão inescrupulosa. Não trate o spam como uma coisa divertida e despretensiosa. Não é. Está longe disso. Se ainda desse resultados compensadores em termos de vendas e construção da imagem de alguma companhia, dava para entender. Mas o tiro, ao que tudo indica, sempre sai pela culatra.

 
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