Brasília, terça-feira, 05 de novembro de 2002
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Hepatite B


Tive hepatite B há cerca de cinco meses, mas já levo uma vida normal. Portanto, surgiu uma dúvida relacionada ao contágio por via sexual. Sou casado. Se eu tiver relações sexuais com minha mulher sem usar camisinha, posso passar o vírus para ela? Ou não existe essa possibilidade porque não estou mais doente? Queremos ter filhos e estou preocupado com isso. O que devemos fazer?
Márcio Telles, por e-mail
  
  A hepatite B pode ser transmitida através de relações sexuais sem o uso de preservativo (camisinha), por meio do sangue contaminado ou da mãe para o filho, durante a gravidez, o parto ou a amamentação. A maioria das pessoas que pega o vírus da hepatite B cura sozinha (nove em cada dez) e não precisa de tratamento específico.

  As pessoas que não conseguem curar-se se tornam portadoras crônicas do vírus, que permanece em seu corpo por muito tempo. Os portadores crônicos, mesmo que não estejam doentes e não sintam nada, podem transmitir o vírus da hepatite B para outras pessoas. As pessoas que estão na fase aguda da doença, ou seja, pegaram o vírus e ainda não curaram, também podem transmiti-la. Para saber se alguém tem ou teve hepatite B é preciso fazer exames de sangue próprios.

  Quanto uma pessoa tem hepatite B, ela deve fazer acompanhamento médico até ser possível definir se o vírus foi eliminado ou não. Devido ao risco de transmissão, o doente de hepatite deve usar preservativo nas relações sexuais, não compartilhar seringas e agulhas, aparelho de barba e escova-de-dentes. As pessoas que moram na mesma casa que ele devem ser vacinadas contra hepatite B. Estas recomendações valem para também para os portadores crônicos, que não conseguiram eliminar o vírus da hepatite B.

  Quando é comprovada a cura, por meio do acompanhamento médico e de exames de sangue, não existe mais risco de transmissão, não sendo mais necessárias as medidas preventivas.

  No caso em questão, a primeira coisa a ser feita é confirmar se o paciente se curou ou não da hepatite B. Mesmo sem sentir nada, ele pode ser portador crônico da doença. Caso tenha mantido relações sexuais sem preservativo com sua parceira durante a fase aguda da doença, ela também deve procurar o serviço médico para realizar exames e saber se houve infecção ou não.

  Caso o paciente tenha se tornado portador crônico do vírus, é necessário que sua parceira seja vacinada imediatamente. Caso ela não esteja infectada ou tenha tomado as três doses da vacina, pode engravidar, pois não há risco de transmissão do vírus da hepatite B para o bebê se a mãe não tiver o vírus. O acompanhamento médico é muito importante para definir esta situação.

  É importante lembrar que é muito mais fácil pegar hepatite B pelo sangue contaminado ou por relações sexuais, do que pegar Aids ou hepatite C. Deve-se evitar situações de risco, usando sempre camisinha e não compartilhando agulhas e seringas. A prevenção é sempre a melhor opção.
  


Formas de transmissão da doença

  • relação sexual
  • exposição a agulhas e instrumentos cortantes contaminados (por exemplo, tatuagens, perfuração da orelha, piercing etc)
  • transfusão de sangue e derivados
  • drogas endovenosas
  • procedimento odontológico
  • hemodiálise
      
    Antonio Carlos de Castro Toledo Jr.
    Coordenador do Programa Nacional de Hepatites Virais — Ministério da Saúde



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