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Contas no computador
É possível controlar os gastos mensais usando os modelos de orçamento à disposição na Internet
Sheila Raposo
Da equipe do Correio
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É comum se ouvir dizer que hoje em dia ninguém dá nada de graça. A verdade não é absoluta. Alguns até dão. Esperando retorno, mas dão. É necessário apenas uma passeada pela Internet para ver vários exemplos desse tipo de presente-investimento. O sujeito entra no site, adquire o que lhe é oferecido gratuitamente e, se gostar, volta e compra a versão mais completa.
É o caso dos orçamentos virtuais. Há vários sites que oferecem o serviço sem qualquer ônus para o navegador. Basta instalar. A partir de então, é só alimentar o arquivo com as contas domésticas. Os sites, lógico, aproveitam a deixa para oferecer outros produtos, mais detalhados e precisos. Para quem tem necessidade, vale a pena comprar — até porque há boa concorrência de preços. Se não é esse o caso, o ‘‘presentinho’’ é mais do que suficiente.
Obter programas de controle financeiro pela rede não é um bicho de sete cabeças. Seguindo as indicações dadas pelos próprios sites, o internauta baixa o arquivo rapidinho. Também não são complicados de usar. Para quem tem um mínimo de familiaridade com o assunto (contas a pagar, contas a receber, caixa, bancos, agendas de contatos e compromissos, déficit, e assim por diante), o orçamento virtual agiliza o trabalho e dá ao usuário o caminho das pedras para a economia doméstica.
O Hábil, da Koinonia Software, é um dos programas de controle financeiro gratuito mostrados pela Internet. Embora a intenção da empresa seja atrair usuários para as versões pagas — tática que funciona, segundo estrategistas de marketing —, mais de três milhões cópias do Hábil já foram distribuídas.
Há também o Bônu$, um freeware (ou seja, programa de uso gratuito) da Dígito que oferece planilhas de gerenciamento financeiro para usuários domésticos e de pequenas empresas. Caso o internauta não consiga fazer o download (ou baixar o arquivo), basta enviar um e-mail para a empresa explicando a dificuldade.
Outro programa é o QuickContas, lançamento da 53F Consultoria e Soluções. O site oferece uma seleção dos melhores freewares e sharewares do mercado, para atrair compradores de seus programas. O QuickContas, também um software de contabilidade gerencial, teve 3 mil downloads em duas semanas. O programa é semelhante ao Money, da Microsoft, numa versão simplificada. A 53F também oferece o Multiplus 111, apenas para uso doméstico.
É preciso observar, no entanto, que há programas exibidos como gratuitos mas que na verdade exigem a compra de algo em troca — mesmo que em valor bem inferior ao do programa pago. Por outro lado, se a idéia é ter um software que abarque tudo de que o usuário necessita, é melhor abrir a carteira e comprar um bom programa.
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Para quem não tem Internet em casa, lápis, papel e calculadora ainda são armas eficientes para manter as finanças domésticas saudáveis. Quer seja num software, quer seja num caderno, o importante é manter o orçamento equilibrado — e, se possível, no positivo. Eis a dica de como fazer sua própria planilha:
PRIMEIRA ETAPA
Reúna os comprovantes de pagamento de todas as contas dos últimos três meses ou pelo menos do último mês, incluindo as faturas dos cartões de crédito e os extratos bancários
Anote as receitas, como salário ou rendas
Relacione, na coluna de despesas, todos os gastos do último mês, dividindo-os entre fixos, semifixos e variáveis
Compare o valor total das despesas com a receita do mês e calcule o saldo (ou déficit)
Se houver sobras, aplique-as no mercado financeiro, num fundo de investimentos que na média rende 1% líquido ao mês
Se a conta estiver zerada, comece a planejar uma redução dos custos, de modo a garantir sobras para aplicação no mês seguinte
Se a conta estiver negativa, prepare-se para reduzir as despesas, começando pelos gastos variáveis
SEGUNDA ETAPA
Crie duas colunas, uma para ‘‘orçamento previsto’’ e outra para ‘‘orçamento executado’’. Na primeira, enumere todos os seus gastos no próximo mês, já considerando eventuais cortes com despesas variáveis
Terminado o mês, relacione na coluna ‘‘orçamento executado’’ todas as despesas no período para confrontá-las com as previstas
Se os ajustes feitos não forem suficientes para garantir uma sobra de caixa ou pelo menos reverter o déficit, corte novos gastos variáveis (como supérfluos) ou comece a economizar nas despesas semifixas
O QUE INCLUIR NO ORÇAMENTO
Despesas fixas: prestação do imóvel / aluguel, condomínio, planos de saúde e de previdência privada, mensalidade escolar, faxineira / empregada doméstica, cursos de idiomas, academia de ginástica
Despesas semifixas: supermercado, feira, açougue, energia elétrica, gás, telefone, combustível, prestação do carro e de outros bens e serviços, assinaturas de jornais, revistas, Internet e TV a cabo
Despesas variáveis: roupas, calçados, bares, restaurantes, teatro, cinema, shows, farmácias, viagens, livrarias, presentes, locadoras, seguros, impostos, lavanderia, salão de beleza, cafezinho, pizza, juro do cheque especial e empréstimos pessoais, tarifas bancárias, gorjetas e esmolas
RECEITAS
Salário(s)
Pró-labore
Receita de investimentos
DESPESAS
Com a casa
Condomínio
Aluguel
Prestação de financiamento
IPTU
Água/luz/gás
Telefone (fixo e celular)
Tevê por assinatura
Provedor de Internet
Supermercado/feira/padaria
Reparos/manutenção
Empregados domésticos/diarista
Com educação
Mensalidades escolares
Cursos extra-curriculares
Livros escolares
Seminários/palestras
Transporte escolar
Lanche
Com lazer
Cinema/teatro/show
Restaurantes
Viagens
Discos/livros
Jornais/revistas
Aluguéis de filmes/jogos/DVDs
Com transporte
Combustível
Manutenção/IPVA/multas
Seguro
Financiamento
Táxi/ônibus/metrô
Com saúde
Seguro
Médico particular
Exames laboratoriais
Dentista
Farmácia
Academia de ginástica
Diversas
Vestuário
Presentes
Salão de beleza
Hobbies
Doações
Seguros
Anuidade do cartão de crédito
Tarifas bancárias
Previdência
DÍVIDAS
Prestações de crédito
Juros do cartão de crédito
Juros do cheque especial
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