

caso pedrinho
Sem chance de se entregar
Fuga complica a situação de Vilma Martins, que teve prisão decretada na segunda-feira. Ela é acusada de ter seqüestrado o rapaz em uma maternidade há 17 anos. O adolescente está em Brasília com os pais biológicos
Guilherme Goulart Enviado especial
César Henrique Arrais Da equipe do Correio
| Ronaldo de Oliveira 1.5.03 |
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Lia se emocionou ao chegar em casa ontem e encontrar o filho: ‘‘Ele me deu um abraço forte e me chamou de mãe. Chorei a noite toda’’
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Edilson Rodrigues 19.2.03 |
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Para delegado, Vilma está escondida em Goiânia: buscas continuam
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15 diligências foram feitas por equipes da polícia goiana, em casas de parentes e amigos da empresária
Goiânia e Brasília — A empresária Vilma Martins, 47 anos, vai permanecer foragida da Justiça. Foi o que garantiu o advogado dela, Max Lânio Leão, que ingressará com um pedido de habeas corpus segunda-feira, para tentar invalidar o pedido de prisão preventiva decretado no início da semana pela 10ªVara Criminal de Goiânia. Vilma é acusada pelo seqüestro e registro falso de Pedro Rosalino Braule Pinto — o Pedrinho, roubado da maternidade, em Brasília, em janeiro de 1986, e criado como Osvaldo Borges Júnior.
Pedrinho, 17, só soube da decretação da prisão preventiva da mãe de criação pela mídia, quarta-feira. A pedido dos pais biológicos, Maria Auxiliadora Braule Pinto — a Lia — e Jayro Tapajós, o jovem veio para Brasília, onde deverá permanecer até domingo.
Max Lânio diz que não manteve contato com Vilma Martins desde a última segunda. Mas assegura que ela está fora da capital goiana. ‘‘Ela não vai se apresentar de jeito nenhum e, com certeza, eu vou pedir o habeas corpus.’’ A afirmação confirma a tese do titular da Delegacia de Investigações Criminais de Goiânia (Deic), Antônio Gonçalves. ‘‘Os advogados estavam cautelosos, porque sabiam que a prisão preventiva sairia a qualquer momento a partir do carnaval.’’
Ontem, duas equipes de três agentes do Deic passaram o dia na busca por Vilma. Foram feitas 15 diligências em casas de amigos e parentes da empresária em Goiânia e região metropolitana. Gonçalves não tem dúvida de que ela ainda está escondida na capital goiana. ‘‘Vilma tem a cara muito conhecida e não pode ficar andando pela rua, senão será denunciada’’, explica.
Novos pedidos
A situação de Vilma pode ficar ainda pior. Dois outros inquéritos contra ela foram concluídos e enviados ao Ministério Público de Goiás. São as acusações de seqüestro de Aparecida Fernanda Ribeiro da Silva (criada por ela como Roberta Jamilly) em 1979 e as falsificações de procurações em nome de Pedrinho e Roberta. Novos pedidos de prisão preventiva podem ser decretados a qualquer momento.
Pedrinho chegou em Brasília na noite de quarta. De acordo com Lia, o rapaz estava muito triste com a notícia do pedido de prisão de Vilma. ‘‘Ele foi pego de sopetão. Acho que ele não acreditava que ela poderia ser presa dessa forma precipitada.’’ Mas Pedrinho já estava ciente de que isso poderia acontecer. ‘‘Ele sabia que era uma questão de tempo.’’
Lia e Jayro vivem uma situação ambígua. De um lado, o sentimento de justiça à beira de ser concretizado com a prisão preventiva. De outro, eles são obrigados a conviver com a tristeza de Pedrinho. ‘‘Isso não me causou alegria, porque a gente não quer que o filho sofra. Houve uma decepção, mas os laços afetivos entre eles não se rompem. Porém, quem colhe planta e já não era sem tempo para ela ser presa’’, diz Lia.
Refúgio
Lia está feliz mesmo é com a crescente afinidade com o filho. Na quarta-feira, depois de passar o dia em São Paulo gravando um especial do Dia das Mães do programa Mais Você, da Rede Globo, ela voltou para Brasília e teve um encontro emocionado com Pedrinho. Abatido com as notícias sobre Vilma, ele se refugiou no afeto de Lia. ‘‘Ele parecia estar precisando de proteção. Me deu um abraço forte e me chamou de mãe. Aquilo reforçou minha sensação materna. Ele não viu, mas depois passei a noite toda chorando’’, conta Lia.
O rapaz está cada vez mais ligado à família biológica. Quando foi descoberto que Vilma falsificara a assinatura dele em procurações, Jayro e Lia sugeriram que o menino viesse para Brasília. ‘‘Começamos a temer pela segurança dele’’, diz Lia. Mas ele preferiu ficar na mesma escola e com os amigos de Goiânia.
Ofereceram, então, para ele viver sozinho na capital goiana. E ele concordou. Desde domingo, mora com dois colegas num apartamento no Setor Bueno, área nobre da cidade. Lia e Jayro pagam o aluguel, assim como todas as outras despesas do garoto. ‘‘Vilma já não tem mais gastos”, contou Lia.
A mãe de Pedrinho sonha que o menino venha morar em Brasília no fim do ano, quando prestará vestibular para Direito. ‘‘Nem que seja para morar sozinho aqui também. Sabemos que é difícil para um jovem dessa idade se submeter às regras da casa dos pais.’’ Ela também espera passar seu primeiro Dia das Mães com todos os filhos. ‘‘Ele virá se quiser. Ainda que não passe o dia comigo, tenho certeza que ele estará presente’’.
Ela não vai se apresentar de jeito nenhum e, com certeza, eu vou pedir o habeas corpus  |
Max Lânio, advogado de Vilma Martins, foragida da Justiça
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O berço vazio
O drama de 16 anos de Lia e Jayro Tapajós em busca de Pedrinho virou livro. Chega às lojas nos próximos dias o romance Berço vazio: O Caso Pedrinho (Record, R$ 30), de autoria do escritor paulista Geraldo Tasso. Ex-desembargador, Tasso começou a trabalhar no projeto em 1999 e contou com a colaboração do casal, que forneceu amplo material de pesquisa. Foram dezenas de horas de entrevistas com Lia e Jayro. ‘‘O que mais me impressionou neles foi a fé, a convicção permanente de que iriam achar o filho’’, disse o autor. O romance já estava quase pronto quando Pedrinho foi encontrado. Por isso, ganhou um capítulo extra.
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