Brasília, quinta-feira, 08 de maio de 2003
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Tema do Dia - Cidadania no asfalto
Vítimas indefesas nas ruas

Apesar da campanha de conscientização desenvolvida no Distrito Federal, motoristas desrespeitam a faixa de pedestres. Dezessete pessoas morreram atropeladas nos primeiros dois meses deste ano

Marcelo Rocha
Da equipe do Correio

Foto: Album de Familia
Thaís com os pais Evaristo e Janete: atropelada na faixa de pedestres, ela se recupera de traumatismo craniano
 
A auxiliar de enfermagem Janete Miranda de Souza, 36 anos, acha que o governo precisa investir urgentemente em políticas de educação no trânsito. Moradora do Gama, ela é mãe de Thaís, 9 anos, e Thainá, 7. As duas meninas foram vítimas de um atropelamento no caminho para a escola, no Setor Sul do Gama. As duas meninas foram atingidas por um ônibus quando atravessavam a pista em uma faixa de pedestre no dia 24 de abril. ‘‘Acidentes assim não aconteceriam se os motoristas estivessem atentos para as leis de trânsito e respeitassem a velocidade das pistas’’, diz Janete.

  Ela tem razão. O Distrito Federal é um exemplo de que campanhas de educação para o trânsito dão resultado. Em 1997, a sociedade civil se organizou e levou às ruas a Paz no Trânsito. A campanha pregava o respeito às leis e, principalmente, a faixa de pedestre. O resultado foi animador. O número de faixas de segurança aumentou de 300 para 3.400. E de 1997 até abril deste ano houve uma redução de 26% dos atropelamentos com mortes. Mesmo assim, em janeiro e fevereiro deste ano, 17 pessoas morreram atropeladas em Brasília.

  Apesar da queda nos índices de atropelamentos, Janete, Thainá e Thaís enfrentaram, no mês passado, uma tragédia provocada pela falta de educação no trânsito.

  A faixa de segurança onde as duas meninas foram atropeladas é bem sinalizada. Fica distante cerca de cem metros depois de uma lombada e, mesmo assim, o ônibus não parou. Segundo Thainá, a irmã sinalizou para os motoristas e os carros pararam, mas o ônibus não. A menina disse que só deu tempo de uma abraçar a outra. Thaís foi arremessada contra o meio-fio.

  Thainá fraturou o braço esquerdo e foi atendida e liberada no mesmo dia do Hospital Regional do Gama. A pequena Thaís sofreu um traumatismo craniano e foi levada, em estado grave, para o Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), onde se recupera dos ferimentos. Deve ter alta no fim de semana. Por enquanto, ela passa a maior parte do dia dormindo e ainda não recuperou a fala. Os médicos dizem que ainda é cedo para saber se Thaís carregará seqüelas do acidente para o resto da vida. ‘‘Foi uma covardia o que fizeram com a minha filha’’, afirma Janete, que visitou a filha ontem acompanhada do marido Evaristo Pereira de Souza.


Mais mortes em Brasília

  O número de acidentes de trânsito com morte aumentou no Distrito federal. De 1º de janeiro a 28 de fevereiro de 2003, o índice cresceu 14% em comparação ao mesmo período do ano anterior — foram 57 ocorrências contra 50. Segundo balanço divulgado ontem pelo Detran-DF, 62 pessoas morreram nos primeiros sessenta dias deste ano, 10,7% a mais que em 2002 (56).

  A estatística mostrou ainda que as vias urbanas e rodovias ficaram mais violentas para ciclistas e motociclistas. Os acidentes fatais que envolveram dobraram. O número passou de três para seis casos. Os desastres com motos aumentam 30%. Foram 10 casos em 2002 e 13 neste ano.

  O chefe de Fiscalização do Detran-DF, Silvaim Fonseca, atribuiu o aumento das mortes no trânsito a uma dificuldade enfrentada pelo departamento em manter o patrulhamento normal das pistas no período. ‘‘Aconteceram vários eventos em janeiro e fevereiro no Distrito Federal, o que nos obrigou a destacar muitos agentes para controlar o tráfego em ocasiões específicas. Isso causou um sério prejuízo para a fiscalização rotineira’’, justificou.



 
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