Bregna 2500 d.c.
Brasília muda de nome em produção hollywoodiana de ficção científica a ser rodada em novembro
Renata Caldas
Da equipe do Correio
| Ronaldo de Oliveira |
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Marcelo Ferreira |
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Designer de produção Andrew Mcalpine, a diretora Karyn Kusama e o produtor Ian Bryce em visita ao minhocão da UnB, entre outras possíveis locações
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Hollywood está de olho em Brasília. A Paramount Pictures mandou cinco profissionais visitarem a cidade durante três dias, percorrendo seus principais pontos turísticos. E bateram o martelo. A capital foi escolhida pela equipe norte-americana como locação de Aeon Flux, filme baseado na personagem de mesmo nome da série da MTV (ver matéria abaixo). A idéia é que todas as cenas externas sejam rodadas em Brasília.
Com direção de Karyn Kusama (a mesma de Boa de Briga - Gilrfight), o filme acompanha a heroína Aeon Flux numa cidade fictícia chamada Bregna. Cercado por um muro gigante, o lugar se protege de uma floresta que invade todo o planeta. Trata-se de uma cidade sem água, onde estão os únicos sobreviventes da Terra no ano de 2500. Seguindo os moldes de produções inspiradas em cartoons, as locações privilegiam vistas panorâmicas, desenhos futuristas e subterrâneos. Na história para a telona, a parte externa do Congresso Nacional seria ponto estratégico de trechos importantes da ação.
Itamaraty, Museu do Índio, Catedral e a Universidade de Brasília foram outros pontos eleitos pela equipe composta por Ian Bryce (produtor), Andrew Gerrard McAlpine (designer de produção), Dorcas Gardner (vice-presidente executiva da Paramount), além da diretora Karyn Kusama. ‘‘Adorei a cidade. É ótimo estar aqui’’, diz entusiasmada a diretora, percorrendo os corredores do Instituto Central de Ciências (ICC), da UnB, mais conhecido como Minhocão. A equipe é também composta por um produtor brasileiro, Raul Guterres.
Toda a equipe se encantou com os monumentos da cidade. ‘‘É um lugar muito bonito, uma cidade muito nova’’, disse, fugindo das câmeras, Dorcas Wright Gardner. A empresária não costuma acompanhar esse tipo de viagem, mas decidiu visitar o Brasil, onde deve passar as festas de final de ano.
Os traços de Niemeyer chamaram atenção especialmente do designer de produção Andrew McAlpine, admirador do trabalho do arquiteto há 30 anos. ‘‘Niemeyer é uma das minhas inspirações. Gosto de seu espírito, de sua bravura. É revigorante estar aqui, cercado de suas obras. É realmente incrível’’, revela o designer. O produtor Ian Bryce também estampava sorriso diante da exuberância da capital: ‘‘A cidade é melhor do que esperava’’, diz o produtor.
Outro fator atrativo para a equipe é a luz da cidade, considerada parecida com a de Hollywood. ‘‘O clima aqui é ótimo, a luz é muito boa, mas as filmagens devem acontecer a partir de novembro, época de chuva’’, diz a diretora, justificando a agenda cheia. Entre um clique e outro, eles aproveitaram para conhecer um pouco mais da cultura brasileira saboreando comidas típicas e se deliciando na Festa Junina do Iate Clube.
A visita da equipe é apenas o primeiro passo dessa superprodução, aprovada pelo estúdio há cerca de duas semanas. ‘‘Quando voltarmos e virmos as fotos com cuidado examinaremos como podemos usar os espaços aqui. Ainda há muito o que fazer’’, adianta o produtor Ian Bryce.
Para viabilizar Aeon Flux, os profissionais de Hollywood irão contratar uma produtora nacional. Os nomes mais cogitados são Conspiração Filmes, Globo Filmes e O2. A escolha está nas mãos de Raul Guterres. ‘‘A Conspiração é formada por gente jovem. Ali, conheço Andrucha Waddington e pessoas que facilitariam o contato com o presidente Lula’’, adianta Raul.
O orçamento não foi revelado, mas deve ultrapassar US$ 70 milhões por se tratar de uma produção entre médio e grande porte. Os nomes cotados para o papel-título também estão em sigilo para não atrapalhar as negociações. Os produtores garantem que são estrelas de peso, com perfil atlético e boa interpretação. ‘‘Queremos utilizar Brasília ao máximo. Para isso, precisamos do apoio de todos’’, diz Raul Guterres, que morou em Brasília por seis anos.
Diante da oportunidade de projetar a capital para as telas do mundo, as secretarias de Cultura e Turismo manifestaram total apoio à produção. Segundo o secretário de Cultura Pedro Borio, a vinda da produtora é sinônimo de emprego e aprendizado. ‘‘É importante para difundir a imagem da cidade e gerar empregos. Queremos simplificar a vida dos produtores, facilitando autorizações para ocupar ruas ou prédios públicos’’. Aos que sonham com glamour, Hollywood fica aqui bem perto. É esperar para ver.
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PERFIL // AEON FLUX
Radical e sexy
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Não era essa a intenção, mas Aeon Flux enganaria bem como uma versão punk da Mulher Maravilha. Sexy, violenta, ousada, cínica, radical — são alguns dos adjetivos que vestem como luva a protagonista de um dos seriados de animação mais cultuados dos anos 90, que durou curtas três temporadas (1991, 92 e 95). Politicamente incorreto e violento até a medula, o programa da MTV apresentava uma visão dark do futuro e uma personagem que matava os desafetos sem rastro de peso na consciência. Aeon, apesar da aparência mecânica e anoréxica, não chegava a ser insensível. O maior pecado da heroína era estar apaixonada pelo adversário, Trevor Goodchild. Na primeira temporada, a mulher-de-fibra deixava sua nação (chamada de Monica) com a missão de matar Trevor, ditador da nação Bregna. Um cenário futurista que pode lembrar Blade Runner ou Matrix Reloaded. Com uma diferença: fartas cenas de violência e sexo. E a curiosidade de que Aeon morria no final das duas primeiras temporadas, quase totalmente silenciosas. Boa parte do sucesso do seriado — exibido no Brasil pela MTV durante o fim dos anos 90 — pode ser creditado ao tom de histórias em quadrinhos para adultos, cortesia do dono da idéia Peter Chung. Na época da exibição da série, espalhou que colocaria em xeque os próprios clichês de animações de ficção-científica. ‘‘Eu queria ver como eu conseguiria contar uma história complexa sem precisar de muitos diálogos, e sim principalmente de imagens’’, explicou à época no site do programa. A pretensão deu em um fã-clube que dura até hoje. Admirado pelos irmãos Larry e Andy Wachowski (de Matrix), Chung foi chamado para dirigir O robô sensível da série Animatrix. A incógnita é se a carga pesada e sem concessões de Aeon Flux será preservada pelos executivos da Paramount. (Tiago Faria)
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Quem esteve aqui...
e prometeu voltar
Karyn Kusama
Diretora de Boa de Briga (Girlfight - 2000), vencedor do prêmio de Júri para Drama e o prêmio de Melhor Diretor no Sundance Film Festival. Aeon Flux será seu segundo filme.
Ian Bryce
Produtor de filmes como Homem-Aranha (2002), Quase Famosos (2000), Resgate do Soldado Ryan (1998), Twister (1996) e Velocidade Máxima (1994).
Andrew McAlpine
Designer de produção de A Praia (2000), O Piano (1993) e Flubber - uma invenção desmiolada (1997).
Dorcas Gardner
Vice-presidente executiva da Paramount Pictures.
Raul Guterres
Coordenador de pós-produção de Escorpião Rei (2002) e coordenador de locação de K-Pax (2001).
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