Brasília, sexta-feira, 11 de julho de 2003
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Correio 2003

  

José edmar

Até que enfim José Edmar vai prestar contas à Justiça. Sempre esteve claro que o deputado é peça-chave, um dos principais beneficiários, do caos urbano em que o DF se transformou. Resta saber se ele vai esclarecer o papel de outras figuras na questão.
Luiz Pérez Lima, Asa Norte


Vergonha

Moro em Brasília há 20 anos e amo esta cidade. Tenho saudades da Brasília tranqüila de quando a polícia estava nas ruas e o governador, indicado pelo presidente, controlava a corporação. Tenho saudades da Brasília limpa, com jardins floridos, trânsito de Primeiro Mundo... Hoje sinto vergonha de morar aqui. Me faz ter vergonha a Câmara Legislativa, cujos parlamentares são presos pela Polícia Federal e acusados de desviar recursos do FAT e desfalcar associação de deficientes físicos. Vergonha de ver tantos PMs bem remunerados envolvidos no crime. De não ter segurança e não ver policiamento nas ruas. De ter que pagar taxa de bombeiro, de varanda, enquanto a sonegação no comércio corre solta. Vergonha do estado dos hospitais e escolas públicas, do estímulo à ociosidade por meio da distribuição de cartões.
João Carlos Silva Castro, SQS 303


Mídia

É deveras frustrante ler, ouvir ou ver jornais e assemelhados, pois as notícias são de aumentos e mais aumentos — de impostos, taxas e contribuições ou tarifas de serviços que deveriam ser públicos. A contrapartida da arrecadação de 44,7% do PIB aos cofres da União, estados e municípios inexiste. Nem ao menos é tocada pela mídia. Onde anda o social? E nos intervalos comerciais temos chamados à consciência da população para colaborar com o Fome Zero, Teleton, Criança Esperança, Amigos da Escola e outras formas de angariar fundos para suprir a deficiência governamental. Melhor ser desinformado!
Orywa Campos, SQN 206


Assassinato

Fiquei chocado quando soube do assassinato de Nivaldo Carvalho da Silva, sábado, no Parque da cidade. Costumávamos caminhar, mas nesse dia não pude ir. Ele dizia que era um lugar onde se sentia seguro e gostava de estudar e ver as pessoas passando. Sempre falava da família, de como era tratado pelo irmão e sobrinhos. Descrevia-os com detalhes. Não foi difícil reconhecê-los. Difícil para todos foi saber que foi assassinado em plena luz do dia e com requintes de crueldade e covardia, ao lado de um posto policial. Queremos justiça! Uma barbaridade como essa não pode ficar impune. Poderia ter sido qualquer um de nós.
Armando Felipe Nogueira de Carvalho, SCLRN 702


Privilégio

O serviço público é uma loteria. Em algumas categorias, como a dos magistrados, é possível tirar 60 dias de férias por ano. Em outras, garante-se aposentadoria de até R$ 17 mil, mesmo com apenas cinco anos de trabalho. Além disso, ninguém pode ser demitido; só se roubar, e olhe lá. Na iniciativa privada, a vantagem é o FGTS e uma aposentadoria que chegará a R$ 2.400 depois de 30 anos de contribuição. Portanto, são uns felizardos os servidores públicos. Mesmo perdendo a aposentadoria integral, não tendo FGTS, só o fato de saber que o emprego está lá, todos os dias, já é um privilégio na atual conjuntura deste país.
Maria Eva Silva Costa, Belo Horizonte (MG)


Reformas

Como a ordem dos fatores não altera o produto, por que os dirigentes do PT, no poder, não concluem primeiro a reforma tributária, consolidando sua implantação, para então, num novo cenário de receita (isento ou restrito de sonegação e elisão fiscal), iniciar a necessária reforma previdenciária? Por que começar punindo o funcionário que trabalha no próprio governo?
Carlos Oscar C. Ferreira, SQSW 302


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