

Especial
Eles são feras!
Os jovens que conquistaram os cinco primeiros lugares no vestibular da Universidade de Brasília (UnB) contam como estudaram para conseguir esse resultado
Priscilla Borges
Da equipe do Correio
Passar no vestibular da Universidade de Brasília (UnB) é o sonho de milhares de estudantes. Alegria experimentada por poucos. No último concurso, que ocorreu entre os dias 27 e 29 de junho, 26.502 candidatos concorreram a 1.990 vagas. Disputa extremamente acirrada. Se quem viu o nome na lista de aprovados divulgada na semana passada já teve muito o que comemorar, cinco jovens, em especial, festejaram ainda mais. Além de conseguirem um banco na faculdade, eles foram os primeiros colocados do vestibular, obtiveram as melhores notas. Thiago, Antônio Gabriel, André, Paula e Franco contaram ao Correio qual a receita para tanto sucesso.
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1º lugar
Thiago Martins Prates, 18 anos - Medicina
| Izaltino Guimarães |
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Ele nasceu na cidade de São Paulo. Deixou a capital paulista há cinco anos para morar em Jataí, interior de Goiás. Sempre gostou de Biologia, mas não sabia qual curso escolher no vestibular. Procurou informações sobre a carreira de Medicina e se decidiu, já no 3º ano. Prestou vestibular no final de 2001 na Universidade Federal de Goiás (UFG) e na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Não passou. Nem arriscou fazer provas em julho de 2002, porque não se sentia preparado. No segundo semestre do ano passado, se entregou aos estudos. mas não adiantou. Não conseguiu a aprovação. Decidiu se mudar para Goiânia e começou a fazer cursinho. Assistia às aulas pela manhã, estudava sozinho à tarde e procurava os plantões à noite. Não fazia mais nada. Ir ao cinema era atividade rara. No vestibular de inverno, se inscreveu na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), na Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro (FMTM) e na UnB. O primeiro resultado (e a primeira comemoração) foi o da FMTM: aprovado e classificado em 2º lugar. Depois, a UnB. Thiago recebeu a notícia da aprovação e ficou sabendo que era o primeiro lugar geral do vestibular ao ser procurado para uma entrevista pelo Correio. Risonho e jeito simples, ele disse que não acreditava. ‘‘Achei que era trote. Eu não esperava, parecia impossível’’, brinca. Churrasco e lágrimas, além da cabeça raspada, marcaram a vitória. E ele manda um recado: ‘‘a gente não deve desistir de um sonho, mesmo que demore a alcançá-lo’’.
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2º lugar
Antônio Gabriel T, Valentim. 18 anos - Medicina
| Breno Fortes |
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Antônio Gabriel só estudou o último ano em colégio particular
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O jovem Antônio sempre estudou em escola pública, até chegar ao 2º ano do ensino médio, quando conseguiu uma bolsa de 80% de desconto em um colégio da cidade. Queria se preparar melhor para enfrentar o vestibular. Já no 3º ano, decidiu fazer cursinho para concorrer a uma das vagas do curso de Medicina. Dedicado e esforçado, passou a viver uma intensa maratona de estudos. Aulas de manhã, cursinho à tarde e muito estudo sozinho. Até trancou o inglês. Descanso e tempo com a família, só aos domingos. Mas todo o esforço não adiantou: 15 pontos o deixaram de fora da UnB. Começou tudo de novo. Conseguiu uma bolsa de estudos em um cursinho pré-universitário e partiu para mais uma rotina de livros e mais livros. ‘‘Passava o dia na escola, não fazia mais nada’’, diz. Antes de fazer as provas do vestibular, estava nervoso. No último dia dos exames, corrigiu todas as provas pelos gabaritos divulgados nos cursinhos. Ficou animado com as notas e quase não conseguia dormir, tamanha era a expectativa. Todo o sacrifício teve a sua recompensa. Na semana passada, compartilhou com os amigos, pais e irmãos a alegria de ver seu nome na lista de aprovados da UnB. Ovos, farinha e até cera de depilação fizeram parte da comemoração. Agora, está ansioso para o início das aulas. ‘‘Não vejo a hora de começar’’, garante.
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3º lugar
André Santos Guimarães, 23 anos — Física
| Breno Fortes |
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André Santos: ‘‘quando o candidato vai bem em Matemática e Física, ele sai na frente dos outros”
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Comemorar boas classificações e aprovação no vestibular não é uma novidade para André. Em 1999, ele passou para Medicina e ficou em 2º lugar na classificação geral. Na época, estudou bastante para passar. Assistia aulas pela manhã e estudava a tarde toda até à noite. Nos fins de semana, fazia simulados. Cursou Medicina durante um ano e meio, enquanto trabalhava como monitor de Física no colégio Galois. Foi se apaixonando pelas salas de aula e desanimando dos ensinamentos médicos. Decidiu, então, trocar de opção. Sem nenhuma ponta de arrependimento, conta que pediu transferência para o curso de Licenciatura em Física. Adorou. Virou professor das 2ªe 3ªséries do ensino médio na escola e se envolveu cada vez mais com as aulas. Apesar da pouca idade, ele garante que consegue o respeito dos alunos. O curso acabou prejudicado com a quantidade de aulas da escola. Não conseguiu transferir para a noite e teve que passar por um novo vestibular. Tranqüilo, ele já esperava a aprovação. No entanto, confessa que ficou surpreso com a colocação. ‘‘Não tinha essa expectativa, mas gostei. Faz bem para o ego’’, brinca. Para André, além de estudar bastante, o vestibulando deve ter estratégias na hora de realizar as provas. ‘‘Quando o candidato vai muito bem em algumas matérias, como Matemática e Física, ele sai à frente dos outros, porque elas rendem muitos pontos. Acho que é importante pensar nisso também’’, analisa.
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4º lugar
Paula Pires do Nascimento, 19 anos - Medicina
| Breno Fortes |
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Paula Pires não pára de comemorar
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Paula foi a única menina entre os cinco primeiros colocados do vestibular. Sorriso largo, ela não pára de comemorar. Foi uma vitória suada. Só no 3º ano do ensino médio é que resolveu encarar os estudos para o vestibular e o PAS. Ela queria muito ser aprovada na terceira etapa do programa. Em vez de Medicina, seu grande sonho, marcou Odontologia na ficha de inscrição. Passou. Mas não desistiu de se preparar para o vestibular. Ia para as aulas na UnB e freqüentava o cursinho do colégio Galois. Nas aulas de Anatomia, estudava Matemática, seu ponto fraco. Desistiu das aulas de Odontologia em um mês. Durante um ano e meio, continuou no preparatório e tentando uma vaga na UnB. Estudava todos os dias, inclusive nos finais de semana. Mas esse semestre, desistiu de passar horas sobre os cálculos matemáticos. No primeiro dia de provas do último vestibular, Paula saiu aos prantos. Por conta do barulho dos vendedores de água e caneta no pátio da escola onde fez os exames, não conseguia se concentrar direito. No dia seguinte, o namorado, Leonardo Abdala (20), passou quatro horas embaixo da sala dela pedindo silêncio a quem fazia barulho. Foi ele também que enfrentou as ovadas para pegar a lista de aprovados para Paula. A festa foi regada a champanhe. ‘‘Me arrependo de não ter estudado mais durante os três anos do ensino médio. Acho que teria sido mais fácil’’, afirma. Para quem quer conseguir o seu lugar na universidade, Paula dá a dica: ‘‘o importante é levar a sério todas as etapas do estudo, desde o exercício até o simulado, e se esforçar muito’’.
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5º lugar
Franco Benjamim Coelho, 19 anos - Medicina
| Paulo de Araújo |
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Franco Benjamim estudou quatro horas diárias
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Assim que terminou o ensino médio, Franco fez vestibular para Biologia no interior da Bahia. Desistiu no 1º semestre. Resolveu fazer Engenharia de Redes na UnB. Ficou em primeiro lugar no curso. Mas não se sentia feliz e realizado. Começou a levantar a hipótese de fazer um novo vestibular para Medicina. Franco acha a profissão bonita, por cuidar dos outros. E também não vê perigo em ficar desempregado na área. Começou a estudar para o vestibular. Para ele, quatro horas por dia ‘‘bem aproveitadas’’ eram mais que suficientes. Ele diz que sempre teve facilidade para aprender. Gosta de estudar sozinho, quando fica mais concentrado, e não é muito de ficar prestando atenção às aulas. Estudar no fim de semana? Nem pensar! ‘‘Sábado e domingo são sagrados. Dia de namorar, descansar, sair com os amigos’’, fala, sorridente e bem humorado. Prestou vestibular para Medicina na Universidade Estadual de Feira de Santana e já estava há uma semana no curso, quando soube do resultado da UnB. Só descobriu a colocação quando a reportagem do Correio o procurou. ‘‘Vou espalhar essa notícia. Gostei disso’’, brinca. O segredo do sucesso, para Franco, é a tranqüilidade. ‘‘Resolver uma grande quantidade de exercícios é essencial, só ler não basta. Mas, acima de tudo, é importante ter calma na hora das provas’’, aconselha.
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