Brasília, sexta-feira, 01 de agosto de 2003
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Correio 2003

  

instrumental
Suingue do pai

Marcell e Phillippe esbanjam talento em show no Clube do Choro. Músicos encantam platéia de admiradores de Baden Powell

Irlam Rocha Lima
Da equipe do Correio

Fotos: Carlos Vieira
Marcell e Phillippe encerram temporada hoje em Brasília: muitas canções de Baden Powell


O pianista amador Márcio Dytz (último à direita) leva os amigos para ver os filhos do mestre
Extasiado, o engenheiro Pedro Soares lembrou do amigo Baden Powell
 
O engenheiro Pedro Soares era da turma de Baden Powell, em Ipanema (Rio), na década de 60. Depois dos shows em casas noturnas, o músico e compositor se juntava a outros amigos no apartamento da família de Pedro, em rodas de violão madrugada adentro.

  Morador em Brasília há algum tempo, o engenheiro comandou mesa de oito pessoas na noite de quarta-feira, no Clube do Choro. Foi assistir ao show de Marcell Powell & Philippe Baden, atrações do projeto Tributo a Garoto.

  Atento ao show, matou saudades de Baden Powell (morto em 2000), curtindo alguns dos clássicos que ele deixou como legado à MPB. Elogiou o desempenho dos herdeiros — em especial do violonista Philippe — a quem ainda não ouvira tocar. ‘‘Nunca imaginei que fossem tão bons. Baden pode descansar em paz.’’

  Para o presidente do Clube do Choro, Henrique Filho, o Reco do Bandolim, a participação de Marcell e Philippe em Tributo a Garoto, de certa forma, minimiza a frustração de não ter contado com Baden no projeto que homenageou Chiquinha Gonzaga, em 2000.

  ‘‘Estava tudo acertado para Baden tocar aqui. O show dele tinha sido anunciado. Mas uma semana antes ele morreu’’. Depois de ouvir os filhos de Baden, emocionado, comentou: ‘‘Desfiz um nó que ficou preso na garganta desde 2000. Esse meninos são músicos excepcionais.’’

  No fundo da sala, o médico Rodolfo Pantoja estava pela primeira vez no Clube do Choro. ‘‘Nem sou muito apreciador de choro. Vim pelo sobrenome dos músicos que vão fazer o show. Ouvi muito Baden Powell nas reuniões com amigos, no meu tempo de universitário. Aqueles sambas que ele fez com Vinicius de Moraes, escuto com prazer até hoje’’.

  Dividido em dois sets, o show, que fica em cartaz até hoje, não teve intervalo. Quem primeiro subiu ao palco foi Marcell. Abriu o recital tocando Manhã de carnaval (Luis Bonfá). Do pai executou Diminuto, Choro para metrômono, Samba novo e Samba triste (parceria com Billy Blanco). ‘‘O Philippe assimilou bem a técnica violonística do Baden. A mão direita é forte e impressiona pelo suingue. Mas adicionou um molho próprio. Outra coisa: ele preenche os espaços com harmonias bem elaboradas’’, elogiou Henrique Neto, violonista do grupo de choro Sorrindo à toa.

  Na segunda parte, Marcell dividiu a cena com o Philippe, em Cai dentro, de Baden, e na homenagem a Garoto. Antes, o pianista contou que, embora ambos tocasse na Rádio Nacional, os dois violonistas não se conheciam. ‘‘Mas gostava muito das músicas do Garoto, e também de chorinho,que chamava de jazz brasileiro.’’

  Na maior parte do tempo, porém, Philippe comandou sessão de puro jazz, acompanhado pelo contrabaixista José Santa Rosa e o baterista Rafael Barata. Mesmo quando recriou Tom Jobim e outros compositores brasileiros. Conhecedor da obra de Baden Powell, o estudante de medicina e pianista amador Márcio Dytz foi assistir ao show dos ‘‘filhos do mestre’’, acompanhado pelo irmão Marcos e amigos, inclusive o casal formado pelos norte-americanos Ernesto Suarez (descendente de boliviano) e Alice Garrison. Ao final, deu seu veredicto: ‘‘São músicos excelentes. Com certeza herdaram o talento do pai’’. Quanto aos amigos americanos, Márcio entregou: ‘‘Eles curtiram o som, mas gostaram mais da caipirinha.’’


MARCELL POWELL & PHILIPPE BADEN
  Show do violonista e pianista. Hoje, às 21h30, no Clube do Choro (Eixo Monumental, ao lado do Centro de Convenções, 327-0494). Ingressos: R$ 10,00 e R$ 5,00 (meia).



 





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