

áreas públicas
Polícia reage com pacote de punição a invasores
Comando da PM ameaça expulsar os militares que ocuparam becos. Operação de derrubada reúne hoje 450 agentes em Taguatinga
Ana Helena Paixão
Da equipe do Correio
| Ronaldo de Oliveira |
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Familiares dos militares recolheram três mil pneus para serem queimados na reação contra a derrubada
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Quando o relógio marcar 8h30, as quadras QNM, QNL e QNJ de Taguatinga Norte devem se transformar em cenário de guerra. Um contingente de 450 agentes do Serviço de Vigilância do Uso do Solo (Siv-Solo) e policiais militares terá a missão de desobstruir os becos ocupados irregularmente por PMs, bombeiros e suas famílias, derrubando todas as construções que encontrarem pela frente. ‘‘Não podemos divulgar antecipadamente o roteiro e os detalhes da operação. Mas garanto que vou chegar e vou fazer. A ordem é desocupar todas as áreas públicas’’, afirma o gerente de operações do Siv-Solo, major Esmeraldo de Oliveira.
O trabalho de remoção, porém, não deve ser fácil. Enquanto o Comando da PM ameaça punir os militares envolvidos na ocupação irregular com um pacote de medidas (leia abaixo), os invasores realizaram assembléia ontem à noite para organizar a resistência. Prometem reagir de forma ainda mais intensa do que na última sexta-feira, quando queimaram pneus, interrompendo o trânsito na Avenida Hélio Prates por onze horas. Durante o fim de semana, um grupo de invasores percorreu oficinas mecânicas e casas de conhecidos coletando os pneus que serão queimados nesta manhã.
‘‘Na sexta, queimamos 500 pneus. Já temos mais de três mil para queimar amanhã (hoje)’’, comemorava o ex-PM Aires Costa, um dos coordenadores do movimento de ocupação. ‘‘Faremos barricadas nas vias de acesso de todos os becos’’.
Um grupo percorreu igrejas na tentativa de convencer padres e pastores a acompanhar a operação. ‘‘Resistiremos de forma pacífica. Mas o governo está disposto a um massacre. Não queremos outra Novacap aqui. Por isto, pedimos a presença dos religiosos’’, explicou Costa, referindo-se ao confronto entre servidores públicos e PMs, em 1999 na sede da Novacap, que resultou na morte de um trabalhador.
Na dúvida de o esquema funcionar de fato, a cabeleireira Abadia Monteiro montou sua própria estratégia para evitar a derrubada da modesta casa que ergueu há um mês em um beco do setor M.Norte. Hoje, ela, o marido bombeiro e os três filhos não saem de casa. ‘‘Para derrubar o meu teto, terão que passar por cima de mim e dos meus filhos’’, adverte.
Na noite de ontem, o deputado federal Alberto Fraga (PMDB-DF) fazia um último esforço para evitar o enfrentamento. ‘‘Vou pedir ao governador mais um dia para tentar convencer
os militares a deixar o local voluntariamente’’, afirmou.
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Inquérito vai apurar participação de militar
Enquanto policiais e bombeiros invasores preparavam a resistência, seus superiores decidiam as sanções que lhes serão aplicadas. O assunto foi discutido ontem, em reunião extraordinária dos comandos gerais do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar.
De acordo com a nota, os militares que trabalham próximo às áreas invadidas serão transferidos a partir de hoje , para que não prejudiquem as operações de desobstrução dos becos.
Serão instaurados inquéritos para apuração dos possíveis crimes de motim e de resistência à ação policial de desocupação das áreas públicas. Também haverá processo administrativo contra todos os invasores, que serão afastados do trabalho e, posteriormente, expulsos. Quem estiver cedido para outro órgão público será convocado imediatamente por sua corporação.
O Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente será acionado para apurar o envolvimento de menores de idade nas ações de resistência. Os superiores encerram a nota, pedindo aos subordinados que continuem aguardando ordeiramente uma solução para o problema habitacional. (AHP)
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Jogo duro
‘‘Vou chegar e vou fazer. A ordem é desocupar todas as áreas públicas invadidas.’’
Major Esmeraldo de Oliveira — gerente de operações do Siv-Solo
‘‘O governo está disposto a promover um massacre. Não queremos outra Novacap.’’
Aires Costa — ex-policial, líder do movimento de ocupação dos becos
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