Brasília, quarta-feira, 06 de agosto de 2003
CEDOC | Assinaturas | Classificados
Capa
Índice
Política
Economia
Brasil
Opinião
Mundo
Cidades
Esportes
      Cultura
      Direito & Justiça
      Gabarito
      Informática
      Lugares
      Veículos
      Fim de Semana
      Pensar
      Super!
      Revista D
      Trabalho
      TV
 360 graus
 Ari Cunha
Visto, Lido e Ouvido

 Brasília-DF
 Brasil S/A
 Coluna do Tostão
 Crônica da Cidade
 Desabafo
 Dicas de Português
 Fala Zé
 Grita Geral
 Memória do Correio
 Sr. redator
 Tome Nota


 Domingo
 Segunda
 Terça
 Quarta
 Quinta
 Sexta
 Sábado

Brasileirão 2003
Tabela da Segundona
Brasília, minha casa
4 + 3 - Sete visões de Brasília
Correio 2003

  

TERRAS PÚBLICAS
Invasores recuam

Relatório de força-tarefa aponta nomes dos policiais invasores dos becos. Siv-Solo consegue desobstruir áreas. Corporações abrem sindicância. Penas para quem participou variam da advertência à expulsão

Ana Helena Paixão, Fabíola Góis e Guilherme Goulart
Da equipe do Correio

Fotos: Wanderlei Pozzembom
Policial chegou armado na QNM 16 e ameaçou: ‘‘PM que colocar a mão no meu pai leva bala’’

Invasor desiste de resistir e é ajudado pelos colegas de corporação a fugir pelos fundos
 
O governador Joaquim Roriz recebe hoje o relatório da força-tarefa da Secretaria de Segurança Pública, criada para identificar os militares envolvidos com a onda de invasões. O documento traz os nomes de todos os invasores e permitiu que os comandos da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros intensificassem as investigações. A pressão garantiu ao Serviço de Vigilância e Uso do Solo (Siv-Solo) concluir a desobstrução dos becos em Taguatinga, ontem, com pouca resistência.

  O Comando da PM já abriu sindicância para apurar as responsabilidades da invasão. ‘‘Temos fitas de vídeo gravadas durante a resistência, onde podemos identificar alguns militares envolvidos’’, afirmou o corregedor da Polícia Militar, coronel Flávio Camargo. Ele termina hoje de ouvir os mais de 200 policiais que ocuparam becos em Taguatinga e Ceilândia.

  Apesar de não antecipar o conteúdo do documento que será entregue ao governador, o presidente da força-tarefa, coronel Sérgio Apolônio da Silva, adiantou que apenas 25% dos invasores são bombeiros. Nenhum deles foi punido ou responde a inquérito até o momento. O Comando do Corpo de Bombeiros abre hoje sindicância para apurar as responsabilidades. Mas os bombeiros invasores já foram alertados por oficiais que integram a força-tarefa sobre o rigor das punições para quem insistir em invadir área pública. ‘‘Não aprovo essas invasões dos policiais porque são eles que têm de dar garantia, segurança e, sobretudo, respeito às coisas públicas’’, disse Roriz, durante solenidade em São Sebastião.

  Além da lista levantada com as investigações do serviço de inteligência da Secretaria de Segurança, o coronel Flávio diz ter em mãos uma relação dos nomes dos policiais e bombeiros da Associação Força Policial, elaborada pelo ex-cabo da PM Ayres Costa. A previsão é de que os inquéritos sejam concluídos em 40 dias. As punições vão de simples advertências verbais até a expulsão, caso seja comprovado que os militares colocaram vidas humanas em risco.

Desocupação
Ontem, foram desocupados 55 becos e demolidos 65 muros e barracos. Ao todo, nos três dias de trabalho, houve a liberação de 118 becos e a destruição de 109 edificações nos setores QNJ, QNL e QNM de Taguatinga. O momento de maior tensão foi protagonizado por um PM invasor, que ameaçou atirar em um colega.

  O incidente ocorreu na QNM 36, conjunto G, lote 14-A, por volta das 11h20. Quando foram desferidas as primeiras marretadas contra a parede da pequena casa, os responsáveis pela invasão chegaram cantando pneus em uma caminhonete Pampa. De arma em punho, o mais jovem ameaçou atirar contra a equipe de remoção.

  ‘‘Qualquer PM que colocar a mão no meu pai vai levar bala’’, gritou o rapaz. Depois de uma tensa negociação, o policial invasor desistiu de lutar pela ocupação ilegal. Apesar da violência, o rapaz acabou sendo ajudado pelos colegas de corporação a fugir pelos fundos do lote. O pai do policial, que se identificou apenas como Sebastião, disse que o filho é do Batalhão de Operações Especiais (Bope). Nenhum dos oficiais presentes na operação assumiu o comando da ação.

  Houve tensão também no conjunto J da QNM 36. Na tentativa de evitar a remoção, um bombeiro ameaçou explodir o beco que ocupava, caso houvesse demolições no local. Espalhou pneus na frente da casa e no quintal, enchendo-os de combustível. Galões de gasolina foram colocados sobre o muro da casa. O bombeiro, que não se identificou, espalhou ainda fios de alta tensão pelo quintal da casa.

  Oficiais que estavam presentes na operação negociaram a liberação da área durante vinte minutos. Deram um prazo para que o bombeiro, por iniciativa própria, deixasse o local. No fim da tarde, quando as equipes passaram novamente pela quadra, o beco já estava vazio. Essa foi a última casa a ser demolida em beco de Taguatinga. ‘‘A operação foi um sucesso. É verdade que ela foi planejada para ocorrer em dois dias. Mas, com a resistência de sexta-feira, não conseguimos entrar na QNM. Recuperamos hoje (ontem) e limpamos Taguatinga’’, comemorou o major Esmeraldo Oliveira, do Siv-Solo.


118 becos
foram desocupados nas QNM, QNL e QNJ de Taguatinga

109 edificações
acabaram demolidas na cidade

450 homens
da Polícia Militar e do Serviço Integrado de Vigilância do Solo participaram da operação

3 dias
foram necessários para retirar os invasores dos becos de Taguatinga


Tensão nos preparativos para desocupar Ceilândia

Com a desocupação de todos os becos de Taguatinga, os esforços do governo estão agora direcionados para Ceilândia. A força-tarefa criada para identificar os invasores finalizou ontem o mapeamento na cidade. De acordo com os cálculos do Siv-Solo, existem 110 becos ocupados irregularmente por bombeiros e policiais militares. Na segunda-feira, começa a operação de retirada dos ocupantes ilegais, mas a própria Secretaria de Segurança Pública reconhece que a resistência em Ceilândia deverá ser maior.

  ‘‘Lá, os militares que ocuparam os becos foram nascidos e criados na vizinhança. Contamos com o apoio irrestrito da comunidade’’, garante o ex-PM Aires Costa, um dos líderes do movimento de ocupação. ‘‘Quem lutou em Taguatinga, apoiará a resistência em Ceilândia.’’

  Muitos invasores garantem que o trabalho em Taguatinga também não acabou. Ameaçam voltar, tão logo as equipes da PM e do Siv-Solo deixem as ruas. ‘‘Eu não vou mais brigar por isto. Mas falei com várias amigas, que garantiram que voltarão a ocupar. Não no mesmo lugar, mas em qualquer beco desocupado’’, conta a dona-de-casa Ana Luísa Saldanha, 24 anos, mulher de um PM.

  Vizinhos das áreas anteriormente ocupadas e militares ‘‘solidários’’ estão doando material de construção à coordenação do movimento de resistência. Só no final de semana foram recebidos 4.500 tijolos e 50 sacos de cimento, além de quatro caminhões de areia. A maior parte do material é armazenada em casas de Ceilândia, que passaram a abrigar sobras das construções de alguns barracos derrubados em Taguatinga.

Negociação
Tudo será usado na reconstrução das invasões. ‘‘Vamos reconstruir tudo. Contamos com o apoio da comunidade para ocupar os becos’’, afirma Aires Costa. No fim da tarde de ontem, o ex-PM e um grupo de policiais e bombeiros estiveram com a presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa, deputada Érica Kokay (PT-DF). Foram pedir apoio para que as remoções em Ceilândia não sejam marcadas pela violência.

  ‘‘É preciso abrir um processo de negociação entre GDF, policiais e bombeiros para que a situação não se transforme em faroeste’’, declarou a deputada. Depois do encontro com os militares, Kokay pediu que o secretário Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, Nilmário Miranda, intermediasse este diálogo. A assessoria de imprensa do ministro confirmou que ele avalia a situação e tentará reabrir o canal de negociações entre as duas partes.(A.H.P e G.G)



 
Editor: Carlos Alexandre // carlos.alexandre@correioweb.com.br
Subeditores: André Garcia, Sibele Negromonte e Valéria Velasco
fax: 342-1185 e-mail: cidades@correioweb.com.br
Tels. 342-1180 • 342-1181

Warning: main(config.inc) [function.main]: failed to open stream: No such file or directory in /web/sites/correiobraziliense/www/cw/EDICAO_20030806/ultimas.htm on line 2

Fatal error: main() [function.require]: Failed opening required 'config.inc' (include_path='.:/usr/web/inc') in /web/sites/correiobraziliense/www/cw/EDICAO_20030806/ultimas.htm on line 2