Brasília, quinta-feira, 14 de agosto de 2003
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Correio 2003

  

jogos pan-americanos
Invasão asiática no tênis de mesa

Thiago Monteiro perde na final individual masculina para chinês naturalizado dominicano que ainda nem fala espanhol. Importação preocupa confederações

Da Redação

Divulgação
Thiago Monteiro foi sincero ao admitir a superioridade do adversário: ‘‘A bola dele vinha muito pesada e tive dificuldade para rebatê-la’’
 
O brasileiro Thiago Monteiro perdeu para o chinês naturalizado dominicano Lin Ju na final individual do tênis de mesa e conquistou a medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo. Algoz do também brasileiro Hugo Hoyama nas semifinais, o mesa-tenista sino-dominicano superou Monteiro pelo placar de 4 sets a 2, com parciais de 12/10, 14/12, 5/11, 11/6, 8/11 e 11/9. O mesa-tenista cearense disse que o dominicano usou um backhand com muito efeito. ‘‘A bola vinha muito pesada, e senti dificuldades para rebatê-la. Acho que os dois primeiros sets fizeram a diferença.’’

  Monteiro, que fora derrotado pelo rival no Mundial de Paris, na França, neste ano, afirmou que Lin Ju jogou melhor. ‘‘Reconheço que ele jogou melhor. Estou satisfeito com a medalha de prata’’, disse. O mesmo fair play não teve Hoyama, derrotado por Lin Ju nas semifinais por por 4 sets a 2, com parciais de 11/6, 11/7, 10/12, 11/7, 7/11. Recordista brasileiro de medalhas de ouro em Jogos Pan-Americanos (oito), Hoyama reclamou da arbitragem. ‘‘Perder faz parte do esporte, mas meu rival sacou o tempo todo de forma irregular. Dei pelo menos três ou quatro pontos de graça em cada set porque ele escondia a bola na hora do saque’’, desabafou.

  Thiago Monteiro avançou à final ao derrotar o argentino Liu Song por 4 sets a 1, com parciais de 12/10, 12/10, 11/5, 4/11 e 11/5. Ao lado de Hoyama, Monteiro foi campeão da competição de duplas na última sexta, com a vitória sobre os também brasileiros Gustavo Tsuboi e Bruno Anjos.

Importados
Impedir a proliferação de jogos como o da final feminina de ontem, que envolveu as importadas Xue Wu, pela República Dominicana, e Jun Gao Chang, pelos Estados Unidos. É com essa meta que as confederações de tênis de mesa preparam ações na Organização Desportiva Pan-Americana (Odepa) após reunião com Miguel Delgado, presidente da União Latino-Americana de Tênis de Mesa.

  Ao menos quatro países usaram o artifício nesta edição do Pan: a anfitriã República Dominicana, o Canadá, a Argentina e os Estados Unidos. Este último também importou uma mesa-tenista do Vietnã, Tawny Banh, e dois jogadores da Sérvia e Montenegro (ex-Iugoslávia), Jasna Reed e Ilija Lupulesku, ex-vice mundial e olímpico.

  Jin Fu Wang, treinador de Lin Ju, reconheceu que seu pupilo e ex-compatriota ‘‘não sabe falar muito espanhol ainda’’. ‘‘É um absurdo. Todo o trabalho de base é prejudicado no Pan por causa desses chineses importados. Parece que quem tem dinheiro pode tudo’’, reclama Marles Martins, técnico do Brasil.

  Nas semifinais, cinco dos oito competidores nasceram fora das Américas. Segundo o regulamento, caso um atleta já tenha representado seu país natal em outra competição, terá de esperar de três anos para representar um novo país. Porém, se nunca tiver competido por seu país, a liberação é imediata.

  Foi sugerido no encontro que o período de estágio no novo país seja aumentado para cinco anos. Por unanimidade, ficou decidido que cada comitê olímpico esportivo nacional que não usa atletas importados pedirá à Odepa a alteração no regulamento. ‘‘Os torneios latinos estão virando campeonatos asiáticos. O presidente da confederação mexicana disse que não sabia mais se valia a pena investir a formação de atletas ou importá-los’’, analisou o presidente da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa, Alaor Gaspar Pinto Azevedo.



 
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